Uma das brincadeiras a qual eu amava brinca com meu pai nos dias que ele estava em casa, era sem dúvida pique esconde. Não é querendo me gabar mas eu era ótima nisso, conseguia deixar o famigerado Superman no chinelo. Mamãe sempre dizia que ele me deixava ganhar mas é claro que eu não acreditava nisso. Lembro da última vez que brincamos de pique esconde. E me lembro super bem porque foi a última memória da qual me recordo antes do "Grande Sono".
Meu pai não estava, não temos sinal dele quando ele tá fora, bem, salvando o mundo ou em reunião com outros caras fantasiados e estranhamente fortes. Minha mãe conseguiu me levar pro hospital mais próximo, ela havia acabado de chegar do trabalho. Sei disso porque quando acordei ela segurava minha mão e o cachecol marrom rodeava seu pescoço, ela só usa ele pra trabalhar. Depois apaguei e quando acordei tinha passado muito tempo.
Muitas coisas mudaram desde o Grande Sono, passei 2 meses em coma rejeitando sangue. É realmente triste ser a única de meio sangue kriptoniano na Terra.
Até que o improvável aconteceu. Não fui atingida por um raio, meus pais não morreram e não me deram um anel mágico, mas de alguma forma, o que enfraquecia meu amado pai, me deu força. Mais do que o normal na verdade.
É bom ter poderes aprimorados, gostaria que papai estivesse aqui pra ver as coisas que consigo fazer. Essa foi outra grande mudança, moro com minha tia Kara Zor-El em outra cidade, com outra família e novos poderes. Tem sido assim por dois anos.
Tratei as Danvers como minha principal família, e nunca mais tive notícias do meu pai, nem contanto direto ou indireto com ele. Hoje, moro em National City, num apartamento aconchegante de Kara e Alex, que está sempre tentando me ensinar alguma coisa nova, é uma mania legal dela.
Meus primos não podem ficar com minha tia mas vejo eles todo final de semana. Nos dias normais vivo uma eterna quarentena. Não posso sair de casa, máximo varanda. Tenho aulas via satélite. Um gato chamado Rabujo. E o diário do meu pai. Não é uma vida perfeita mas eu quase não sobrevivi, então é melhor assim. Uma dia, talvez, eu aprenda a controlar meus poderes e meus pais arranjem um espaço na agenda pra uma garota de 11 anos que dá bastante trabalho.
Eu procuro não pensar muito nisso, então não posso dizer que me deixa triste. Afinal de contas, também tenho um segredo...
Minha tia não sabe mas ajudo ela nos trabalhos menores, e nem preciso sair do prédio para isso. Do parapeito pro parque de National City é uma bela e curta planada. Quando o dia está amanhecendo e quase não tem ninguém na rua, eu treino meu voo.
Hoje seria uma nova fase: só havia voado duas vezes na vida, uma do quarto pra cozinha (batendo nas paredes) e outra pra concertar uma lâmpada. Hoje vou tentar pular do prédio e planar dois metros acima do chão, já calculei tudo, até capacete estou usando pra proteção. Relutei bastante porque ele era da hello kitty e de quando tinha 8 anos mas veja bem, não tenho culpa de meu corpo não se desenvolve tanto mesmo com super poderes.
Estava tudo perfeito, tudo muito calculado. Meu salto foi impressionante, até a perna ficar presa na calha da cobertura.
Minha segunda perna levou meu corpo para o chão. Me seguro na calha e olho para baixo, seria uma queda em tanto. Tentei segurar mas acabei amaçando-a e agora com todo desespero e desequilíbrio voar parecia a ideia mais absurda do mundo.
Só tenho uma perna de verdade, duas próteses seria uma tremenda falta de sorte.
Tentei fechar os olhos enquanto a gravidade me puxava para o chão e não parava de pensar no quão longe meu fim estava, como se fosse amenizar a dor.
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Heroford College [EM REVISÃO]
Science FictionATENÇÃO! ⚠ Por meio desse comunicado, o governo americano o convoca para uma missão. Dito que, pela lei n° 25267 Artigo 600 do código penal, todo primogênito de um meta-humano, super herói, ou vilão, que herdearam poderes pelo DNA dos pais, devem se...
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