31 de Dezembro de 2015, último dia do ano, eu e minha família nos reunimos na casa de minha vó paterna. O dia inteiro naquela casa grandiosa e aconchegante
Já era 5 para as 23h, cansado e com sono, não tinha a mínima vontade de ver os fogos de artifício, toda aquela comida em cima da mesa ja estava me dando enjoo. Achei melhor ir à sala de estar
Sentei-me ao chão em frente à janela, aquela janela era imensa, ocupava toda a parede, fiquei olhando para a varanda em cima da garagem.
Olhei para o céu alguns minutos
Vi no canto da varanda uma sombra, um formato humano, alto. Engoli seco, não quis acreditar, a culpa era do sono e a vontade de ir pra casa, pra mim era o galho da árvore na casa do vizinho que fez aquela sombra
Mesmo arrumando uma satisfação para minha mente, continuei olhando, não consegui me mexer, suando frio. Não acreditava naquila sombra, mas mesmo assim, tive medo e desconforto
A janela aberta fazia o vento entrar e bater no meu rosto, meu cabelo curto desarrumar, levantei e fechei a janela junto as cortinas, mas dei uma última olhada para a tal sombra, apenas vi ele jogando um papel ao chão. Fui pra cozinha o mais rápido possível, não sabia como minha mente fez aquela imagem
Olhei para o relógio, 23:38, não sei como passei aproximadamente 38 minutos olhando para a varanda, passou tão rápido
Para descontrair comecei a conversar com minha prima, até que uma hora ela quis ir à varanda tomar um ar, fui junto, não ia deixar a minha imaginação mexer comigo
Ao chegar, vi um papel amassado no chão, paralisado olhando, todas as palavras que minha prima dizia, entrava por um ouvido e saia pelo outro
Abaixei e peguei o papel, nele, estava escrito com letra de mão: "o mal estara ao seu lado, como o vento"
Palavras sem sentido, mas naquele momento estava suando frio, olhando para o papel q segurava com os dedos, virei a cabeça lentamente para minha prima, ela me olhava com um olhar confuso e preocupado, não disse nenhuma palavra
Vi ao lado dela a mesma sombra, estava com a mão em cima do ombro dela, não consegui enxergar direito o ser, parecia estar com um capuz, e dentro do capuz, não havia nada, só escuridão.
Logo me senti tonto, minha vista ficava branca, meu corpo não respondia aos meus comandos, e logo senti o impacto do chão duro com minhas costas
Abri os olhos e me vi em escuridão, pequenos pontos de luz que me faziam enxergar minimamente um silhueta, o som de galhos batendo com o vento, não conseguia enxergar nada.
Bom tempo depois ouço choro, a voz de meus parentes entrava em minha mente
Mas era baixo, não entendia se quer uma palavra. Passei horas vendo aquela silhueta, houve um momento em que os pontos de luz ficavam mais fortes, e vi a imagem de um ser, não tinha corpo, era uma fumaça, apenas, vi isso
Abri meus olhos, vi luzes fortes e uma máquina ao meu lado, olhei mas pra frente vi minha mãe sentada num banco, que, ao ver que acordei, veio em lágrimas para mim
Depois de ela me contar que entrei em coma por sete meses, vi a mesma silhueta que vi todo esse tempo ao canto da sala do hospital.
Minha mãe se levantou e andou pela sala ligando para meus parentes, e quando ela chegou perto da sombra, a sombra sumiu, minha mãe saiu da sala um momento para conversar com o médico
A sombra voltou, e estava vindo a minha direção lentamente, não saiu voz para gritar, deitado na maca com fios ligados ao meu corpo não pude fazer nada, quando a sombra chegava perto minha mãe entrou na sala e veio até mim, a sombra sumiu novamente, percebi que minha mãe usava uma cruz no pescoço.
Depois deste acontecimento, continuei vendo sombras ao lado de pessoas, usei um colar com cruz ao pescoço, nunca mais as sombras se aproximaram
