5 horas e 30 minutos meu despertador tocou. A sensação quando ele toca é de morte, hoje é o meu primeiro dia na faculdade vou cursar Psicologia. É engraçado, que quero ser psicóloga, mas não ajudo nem a mim.
Levantei fiz a higiene evitando sempre olhar no espelho e agora vem uma das piores partes do meu dia, eu fui abrir o armário em busca de uma roupa, nenhuma roupa nunca fica boa em mim e quando digo nunca é nunca. Botei uma calça jeans e uma blusa preta. O preto sempre salva, sem contar que eu pareço mais magra. Me olhei no espelho, magra? Só se for no meu sonho.
Respirei fundo e a segunda parte do meu dia começa agora -café da manhã em família- desci as escadas como se tivesse indo para forca, meu pai senhor Antônio, estava sentado no seu lugar de sempre, minha mãe Dona Maria servia o café dele e ele reclamava que estava quente demais. - Vai ver é porque foi feito no fogo, não é mesmo? -
Eu: Bom dia
Pai: Você vai assim para a faculdade? Penteou esse cabelo?
Mãe: Bom dia minha filha você está linda.
Pai: Cala a boca Maria e dá um jeito nesse café.
Era isso todas as manhãs meu pai tentava me pôr para baixo e agia como se minha mãe fosse a empregada dele, mas se fosse só isso estava bom.
Meu pai é um bêbado, ele bebe no café, bebe no almoço ele bebe até para tomar banho. Minha mãe infelizmente vive um casamento infeliz. É nítido na cara dela, só não entendo porque ela ainda não o largou. Meu pai diz sempre que vai mudar depois de uma agressão e 2 dias depois ele fica pior. A vida não é cor de rosa, ainda bem que eu odeio rosa.
O café em família acabou, finalmente, porque fingir ser uma família feliz nunca foi meu forte. Até porque ninguém naquela casa é feliz.
A faculdade era no Centro do Rio de Janeiro, 1 hora e 30 minutos da minha casa.
Eu: Nossa que lugar grande. - pensava comigo. -
Eu tenho mania de falar sozinha, e eu acho normal.
Demorei para achar onde seria minha primeira aula, sala 8 corredor b. Eu andei em círculo, mas até que enfim achei a maldita sala.
A aula já tinha começado, para variar - atrasada -
Eu: Err, hum... bom dia
Professor: Sente-se você está atrasada!
Jura?
Sentei na numa mesa encostado na parede. Abri o caderno e comecei a escrever. 5 minutos depois algo bateu no meu pescoço.
Que isso?
Deve ser aqueles bichos grandes, passei a mão. Não senti nada.
Senti de novo, até que percebi que estavam jogando bolinha de papel. E ouvi algumas risadinhas de fundo.
NÃO, NÃO, NÃO DE NOVO NÃO.
Recordo-me de um caso de 'bullying' que ocorreu comigo no ensino médio, meninas do 3 ano riam e me zoavam. Eu usava óculos na época, meu corpo não era um dos mais bonitos e meu rosto um deposito de espinhas. Não que isso não tenha mudado, minha aparencia é mesma.
Grupo 1: MAGRELA, RIDICULA, VC NAO TOMA BANHO QUE CHEIRO HORRIVEL
E eu tomava banho todos os dias, mas para elas eu fedia e isso era todo o dia, até que um dia eu estava no banheiro da escola e elas entraram eu rezei para todos os santos mas não adiantou.
Grupo 1: Por que você se olha no espelho? Ele vai quebrar. HAHAHAHAHHAHAHAHA
SAI DAQUI SUA HORRIVEL, ANDA.
Eu não sei o que me deu naquele dia, eu não conseguia me mexer eu fiquei paralisada e uma loira cujo o nome era Raquel, aquela vaca veio para cima de mim.
Raquel: VOCE ESTA SURDA? SAI DO BANHEIRO AGORA!!!
1, 2, 3, 4.... Eu contava para tentar me acalmar, queria correr dali, mas eu estava em pânico meus olhos estavam arregalados eu estava morrendo de medo.
Raquel: ESTÁ SE FAZENDO DE SURDA, É? VEM CA.
Naquele dia Raquel me pegou pelos cabelos e saiu me puxando até a saída do banheiro e me jogou no meio do pàtio da escola.
Raquel: É assim que a gente faz com lixo.
Não consigo dizer o que foi pior a agressão ou a humilhação, talvez os dois tenham o mesmo peso.
A escola toda olhava e ninguém fazia nada, eu não sei o que é pior quem pratica o ato ou quem ver e fica quieto.
Parece que aqui na faculdade tem várias Raquel e já dizia o velho sábio: "Tem certas coisas que não mudam".
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Antonia
Roman d'amourAntonia, 18 anos. Carrega uma bagagem de trauma e a vontade de se vingar de todos aqueles que a fizeram mal. Mas, sera que o amor pode cura-la ou o desejo de vingança é maior?
