Me conheça

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- Você tem que amarrar a fita no braço, dar um nó, pular uma onda, dar outro nó, pular outra onda, e ai dar o terceiro nó e pular outra onda. – Dizia Tata super animada com a sua mais nova superstição de ano novo pra arrumar um namorado.

- De que raios onde você tirou isso Tata? – Perguntou Lena.

- "De que raios onde?" De que raios onde você tirou essa expressão "de que raios onde" ? Eu gostei. – Respondeu Tata entregando uma fita branca de cetim para mim e para Lena.

- Porque você tá entregando pra Ivi? Tata, ela não precisa de mandinga pra arrumar namorado. Opção pra ela é o que não falta.

- É verdade Lena, a gente tem que fazer é uma macumba braba, pra ver se ela amolece esse coração de pedra.

- E la vamos nós com a conversa de sempre. – Respondi fechando os olhos e sentindo a brisa do mar. A praia estava cheia de pessoas bêbadas vestidas de branco, o ano novo chegaria em meia hora e eu só queria curtir aquele vento refrescante no meu rosto, enquanto minhas duas melhores amigas se preocupavam com as costumeiras superstições de réveillon. Tata era o tipo de garota que só encontrava homens estranhos pra namorar, e Lena era o tipo de garota que não conseguia passar um mês sem um namorado. Já eu, bem, eu era o tipo de garota que sabe que consegue ser feliz muito bem sozinha.

Homens pra mim são como pizza, todo dia faz mal, mas comprar uma no final de semana pode ser divertido. Credo Ivi; Ivi coração de pedra; É porque você nunca encontrou alguém que fizesse você... BLÁ BLÁ BLÁ. Sim eu já encontrei, e advinha, eu me ferrei bonito.

Mesmo não acreditando que poderia existir alguém por quem eu me apaixonasse de verdade outra vez, eu gostava de ver casais se apaixonando, e gostava de ajudá-los. Mesmo sendo uma "coração de pedra", eu era a primeira opção das minhas amigas, na hora de pedir conselhos amorosos, e modéstia a parte, eu era boa nisso. Eu gostava mesmo era de ver como as pessoas se tornam obsessivas e conseguem ser esforçadas pelo simples fato de querer alguém, e o mais incrível? A cada vez que eu via isso acontecer, eu decidia que não queria isso pra mim. Porque no final alguém sempre te decepciona, sempre.

- Gente tá chegando a hora! – Disse Tata batendo palminhas de felicidade. Ela tinha o cabelo curto e bem preto, apesar de ser a mais baixinha de nós três, ela tinha um corpo de dar inveja. Lena era um pouco mais alta que eu, tinha cabelos castanhos cumpridos e os olhos bem esverdeados. Perto das duas eu me sentia comum, meu cabelo tinha um efeito Califórnia natural, com a raiz castanha e as pontas quase loiras, minha mãe gostava de dizer que eu tinha olhos de jabuticaba e depois apertar minhas bochechas as deixando mais rosadas que o normal. Eu sabia que era uma garota bonita e tinha uma auto estima bastante elevada. Mesmo não tendo a barriga totalmente seca ou um bumbum grande, eu me sentia confiante com minha aparência e minha personalidade.

Levantamos-nos e começamos a caminhar até a água. Meu telefone vibra com algumas mensagens de ano novo, algumas até com números desconhecidos, mas a única que me desperta interesse é a da minha mãe.

"Filha, estamos tristes por não passar o ano novo com você. Eu e seu pai desejamos que depois da meia noite coisas incríveis aconteçam. Um novo sol vai raiar. A vida é sempre uma caixinha de surpresas. Nada como um dia após o outro, ou melhor, nada como um ano após o outro kkk Amamos vc."

Eu começo a rir, e não sei se é pelas frases clichês, ou pelo uso do "kkk". Meus pais juntaram dinheiro durante três anos, e agora estão em um tour de 30 dias pela Europa. Os dois sempre me ensinaram a economizar para realizar sonhos, e isso me ajudou desde muito nova. As maiorias das minhas conquistas materiais foram juntando moedas, e eu me orgulho disso. O celular vibra e chega outra mensagem da minha mãe.

No Caminho Certo Com A Pessoa ErradaWhere stories live. Discover now