Capítulo 1

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Olhando pela janela do carro, fico pensando como minha vida deu uma volta nesses últimos meses.

Quando fiquei sabendo da adoção eu senti algo inexplicável, como uma possível esperança. Saber que alguém irá te adotar é como se sentir especial.

Certa de seis meses atrás Lilian (minha nova "mãe") entrou com os papeis de adoção. Quando soube não me contive, pois uma garota de 17 anos pronta pra ir embora (com 18) do orfanato, e ser adotada nessa idade, é raridade.

"Querida, está tudo bem?" Lilian perguntou. Estava mais do que bem eu depois de anos me sentia feliz.

Virei-me e dei meu melhor sorriso

"Está Lilian, está perfeito. Muito obrigada"

"Oh querida eu que tenho a lhe agradecer" sorri de volta.

Ficamos em silencio. Fazia meia hora do percurso e nada de chegarmos.

"Angel eu tenho que te falar uma coisa" olhei devagar para ela. Minha barriga gelou

"O que foi Lilian, pode falar?" falei sutilmente

"É que não há só eu e você na casa...há outras pessoas" estava confusa "Eu tenho mais outros cinco meninos, e você vai ser a irmãzinha deles" falou alegremente de forma infantil. Fiquei sem palavras "você vai ama-los, são simpáticos...enfim você ira ver"

Eu fiquei em silêncio. O que eu poderia falar? Eu estava com medo.

Espero que eles gostem de mim.

"Chegamos querida, bem-vinda ao seu novo lar" riu em seguida "sempre quis dizer isso" rimos.

Uma casa enorme é evidenciada. Uma casa não, uma mansão.

"Venha querida, vamos conhecer os meninos"

"Eu preciso pegar minhas coisas..." ela me interrompe

"Pode deixar que Xavier vem busca-las"

Ela me guia ate a porta de entrada, assim entro na casa. É de cair o queixo de tão linda.

"Sua casa é muito linda" falei admirada

"Obrigada querida, será sua daqui em diante" ela sorriu pra mim "meninos, desçam aqui agora" gritou pela casa

Realmente não tinha visto ninguém na casa, confesso que estou com um frio na barriga "pense Angeline, gentil e legal" pensei comigo mesma.

"Xavier vá buscar as coisas de Angel no carro e leve para seu quarto numero seis" mandou Lilian para um senhorzinho de terno. Eu não tinha reparado nele ali.

Ouvi um cochichos acima da escada

"Mãe, por quê toda essa gritaria agora? são só nove horas" gritou uma voz no corredor

"Porque sim Eliot, desçam os cinco"

Estávamos parados na imensa sala esperando os meninos.

Quatro garotos, desceram as escadas .

Meu deus.

Eu estava vidrada.

"Amores que bom que acordaram, cade Aron?"

Nenhum dos quatro respondeu, pois estavam ocupados olhando pra mim, e eu envergonhada, querendo me enfiar em um buraco.

"Garotos" Lilian estralou os dedos para chamar a atenção deles, que funcionou "cadê Aron?"

"Esta lá em cima ainda, parece que esta com uma garota" respondeu o loiro de olhos verdes

"Vai la chamar ele Eliot, agora" falou rispida

"Mas..."

"Agora"

O rapaz loiro, deu a meia volta e subiu pelas escadas para o corredor onde veio.

Depois de algum tempo, o loiro volta.

"Ja vou caralho" uma voz desconhecida reclamou no corredor

Eliot desce as escadas com alguém que imediatamente cruzo o olhar.

Meu coração acelera, um iceberg surge na minha barriga e por pouco eu não solto um suspiro.

Que homem é esse?

As suas tatuagens pelo corpo dão indícios de ser perigoso. Ele é encrenca, não tinha dúvidas.

Teu olhar intenso queima no meu e não consigo desviar. "Por favor desvia" penso.

"O que foi Lilian?" Perguntou a voz grave e rústica.

Seu olhar não quebrava do meu, e isso me apavora. Minhas pernas ja quase não tem mais força.

"Bom, ja que todos estão aqui, quero apresentar..." fez suspense "a nova integrante da casa, Angeline" sorriu.

Todos olharam pra mim.

Tímida dei um sorriso amplo.

"Angeline esses são seus novos irmãos, meninos sua nova irmã" todos olharam para mim

A casa ficou em um silêncio por alguns instantes. Ate que foi quebrada pelo tatuado.

"Ela nunca será nossa irmã" diz com uma expressão sem emoção "ja acabou?" O tatuado pergunta.

Por um momento eu me senti deslocada, triste e com um aperto no coração.

Eu aos poucos parei de sorrir, abaixei meu olhar em tristeza. Eu deveria saber que minhas esperanças de ter uma família que iram aceitar são poucas. Eu me iludi.

"Aron mas..." Lilian tentou argumentar mas foi interrompida

"Ja acabou Lilian?" Como ele pode falar assim com essa mulher. E Lilian não faz nada. Por que?

Sem graça, Lilian só abaixa seu olhar.

O tatuado vira-se e retorna subindo as escadas. Junto com todos os meninos que agora, me olham diferente, como "a intrusa"

"Me desculpa Angel eu não esperava que eles iriam reagir assim..." lamenta-se

"Não foi nada Lilian, fica tranquila" falei desanimada.

Ficamos em silêncio por alguns instantes.

"Querida eu vou ter uma reunião agora e preciso ir, seu quarto fica subindo as escadas no final do corredor. Tem o numero 06 nele" explicou-me ja saindo.

"Tudo bem Lilian, tchau ate logo"

"Tchau querida qualquer coisa me ligue" fechou a porta

Ok. Vamos achar meu quarto

Subo as escadas e vejo o enorme corredor. Vou ate o final dele e vejo um seis.

Antes de entrar vejo uma mulher saindo do quarto 01 em frente ao meu, junto com Aron

"Te ligo depois amor" falou a mulher com uma voz melosa

"Jane foi só uma noite, não me ligue, vaza daqui" falou com uma expressão de odio.

Ela olha triste, mas tenta disfarçar.

E eu ainda parada ali.

Reajo, pego minhas chaves (que Lilian me deu no carro) e tento abrir a porta ja ouvindo os saltos da mulher indo embora.

Finalmente consigo abrir minha porta, mas antes de entrar escuto.

"É feio escutar a conversa dos outros, estranha" virei para olha-lo e estava com uma expressão indecifrável "fique fora, garota intrusa" diz fechando a porta com força.

Estou de boca aberta. O que eu fiz pra ele? Estranha. Intrusa.

Eu entro no meu quarto e me jogo na cama. Nem esta no meio do dia e ja estou exausta.

Pego no sono





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Ate o próximo

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