Querido diário, meu nome é Kate Mayer, eu tenho dezesseis anos e nunca beijei na boca. O motivo dessa tragédia na minha vida é que meus pais são extremamente religiosos, e ainda não apareceu um homem que queira se casar comigo. Provavelmente, vou ficar adulta e ainda vou estar vivendo com meus pais idosos, sou eu quem vai cuidar deles pelo resto da minha vida. Minha mãe costuma dizer que eu sou casada com a igreja e esse é o meu compromisso nessa Terra que não acrescenta nada de bom para o nosso bem maior; conquistar um pedacinho do céu. E certamente, lá no céu eu também vou morar com meus pais e serei proibida de sair até mesmo no portão de casa, mesmo sabendo que a criminalidade vai ser zero.
Por mais que minha vida seja normal e tranquila a ponto de me deixar exausta, eu me divirto sabendo como a minha amiga Mona se divertiu. A gente se conhece desde que ela se mudou para a casa ao lado, quando tínhamos três anos e eu acabei mijando na piscina da casa dela. Todos os dias ela aparece na minha casa em dois horários. Sete da manhã, para irmos a escola juntas e às oito da noite para conversarmos sobre os garotos. Todos falam comigo.
Tudo bem, você já sabe que eles falam comigo pra saber sobre a Mona, ou marcar encontro com ela. Isso é muito interessante pois de uma forma ou de outra, eu acabo sendo uma garota popular. As festas que ela vai são as que os alunos da faculdade organizam e dizem que até famosos já passaram por lá. Uma vez eu fui convidada, mas que eu pudesse ir, eu teria que pedir para os meus pais.
— Pai! Deixa eu ir na festa que a Mona me convidou?
— Sério que me perguntou isso? Não deixe o coisa ruim agir sobre você, reze setenta e sete ave marias agora pra purificar seu coração. Onde é que está o seu juízo? Como é que tem coragem de desonrar seus pais que te criaram em um berço cristão para querer passar a noite debaixo de um teto onde reina a prostituição, as drogas, a libertinagem, os espíritos malignos...
Eu poderia terminar todas as páginas do diário com a resposta que meu pai me daria. Seria uma saga inteira com apenas uma fala, a do meu pai dando motivos sobre o horror que é frequentar essas festas que a Mona adora ir. Por mais que eu tenha vontade, fica complicado fazer certas coisas quando você ainda depende dos seus pais. Eu não tenho condições financeiras, nem psicológicas e nem outra mãe pra arriscar perder a minha.
Eu olhei no relógio e eram sete e cinquenta e nove, eu precisava ir até a porta da sala, Mona iria bater exatamente às oito da noite. Ela sempre foi muito pontual, diferente de mim que perdi o casamento da tia Giovanna no final do ano passado, consegui me atrasar mais que a noiva.
Quando o relógio bateu oito horas eu abri a porta e Mona estava ali levando a mão para bater, mas eu fui mais rápida, eu me senti muito poderosa naquele momento, merecia uma reforma no meu quarto depois dessa, um poster do Nick Jonas sem camisa era tudo o que eu queria na parede... Mas tem aquele problema de ir para o inferno.
— Estou muito animada —Disse Mona curvando a cabeça e sorrindo— A festa de hoje vai ser espetacular.
Eu me sentei na beira da minha cama para assistir "A Vida Maravilhosa de Mona". E ela realmente parecia uma famosa de televisão, pois era uma sincronia perfeita suas histórias e como gesticulava suas mãos, como mudava seu olhar, balançava o cabelo. Mesmo não sendo lésbica (porque meus pais não acham correto), eu conseguia ver a beleza que a Mona tinha e deixava todos os garotos do colégio loucos por ela. Acredito que até mesmo os gays a desejem.
— ...O Julian piscou enquanto e deu uma risada maliciosa, então eu disse pra professora que não, que ele não tinha copiado o trabalho do John e sim o John dele. Até nesse ponto tudo bem, porque depois veio o melhor, ele disse que eu deveria ir na festa da casa dele, mas eu deveria levar uma amiga.
— Então ele está afim de você. Você só precisa levar a outra amiga. —Respondi sorrindo, mas a Mona começou a arregalar seus olhos e congelou um sorriso que não parava mais. Pensei que estava trabalhando para um comercial de creme dental.— Eu? —Ela continuou com aquele sorriso congelado. É difícil quando uma pessoa acha que você, por ser boa em matemática, agora é uma vidente capaz de ler pensamentos. Essa nunca foi minha especialidade Mona...
— Eu preciso que você vá comigo. —Disse ela tentando imitar aquele gatinho bonito do filme do Shrek. Tudo bem que ela nem precisa se esforçar para ficar bonita, mas se continuasse com aquele olhar fofo, eu mesma iria acabar beijando a Mona.
— Eu sou proibida pelos meus pais, e pela igreja. Eu não estou afim de ir para o inferno.
— Não ajudar o próximo é outro pecado.
Foi nesse momento que a luz bateu em meus pensamentos, entendo que meus pais não deixem eu frequentar festas e nem nada aparente, mas como uma garota e amiga verdadeira, eu não posso de forma alguma deixar Mona na mão. Se quem vacila com o próximo deve queimar no fogo do inferno, imagine vacilar com a melhor amiga? Eu é que não posso ser maluca de descobrir isso.
— É claro que eu vou na festa com você. Mas, eu não sei o que dizer pra minha mãe.
— Pois eu sei. —Disse Mona, sorrindo.
Nós duas nos abraçamos, mas não foi nada lésbico, não entenda as coisas com malícia, ou você vai queimar no fogo do inferno. São palavras da minha mãe.
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Confidencial - O Diário de Kate
Teen FictionKate Mayer é uma adolescente, filha de pais religiosos, tem dezesseis anos e nunca beijou um garoto. Apesar de ter uma melhor amiga, é o diário o seu melhor confidente. O que ela não esperava era se apaixonar por um garoto que não deveria. Se vão fi...
