Whish
Por Misty-zune
"Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar". Quem de nos dois - Ana Carolina
- Desculpe a bagunça - ele falou, meio sem graça tirando uma toalha do sofá ao mesmo tempo em que abria caminho entre as caixas de papelão. - Ainda não tive tempo de arrumar.
Olhando-o assim tão desconfortável em meio à desordem era impossível não achar graça. Era tão diferente da pessoa fria e centrada que eu via todos os dias na empresa... Com aquele jeans surrado e cabelos revoltos, lembrava mais o garoto da minha infância.
Eu o desejava. Tanto quanto era capaz de desejar. Não havia mais a birra de menina, que eu tinha anos atrás...
Distraída, não percebi quando se aproximou me enlaçando a cintura. Os olhos dele estavam escuros sobre mim, como se pudessem ler o desejo nos meus próprios.
Então ele curvou os lábios em sorriso lascivo. Os mesmo de sempre... Com um sorriso diferente.
- Você me quer, não é?
A voz rouca chegou como um sussurro em meus ouvidos.
Ele não era mais o garoto que implicava com os meus óculos, não era mais o vizinho que por anos me chamou de criança...
E Eu... Eu também não era mais a mesma. Nunca fui à mesma por muito tempo...
- Você me quer. - afirmou - Você me quis, seis anos atrás, quando era só uma pirralha mesmo que não entendesse isso. E você me quis ontem, naquele maldito almoxarifado.
Eu me assustei. Ele não deveria me ler assim tão fácil... Ele não deveria me entender tão bem.
- E dessa vez, ninguém vai nos interromper.
Ele sentou no sofá me puxando para o seu colo, exigindo num beijo a minha posse... A minha alma.
O sabor da sua boca, nossas respirações aceleradas, o ressoar do seu coração no mesmo passo que o meu. Era tudo tão igual... E tão diferente...
A janela ainda sem cortina, deixava a luz do dia entrar tornando tudo mais excitante. Eu podia ouvir o ruído dos carros passando nas ruas barulhentas do Rio de Janeiro, mas era como se tudo estivesse muito distante.
As mãos firmes já contornavam meus seios sob o tecido fino sutiã. Aquela boca pecaminosa substituiu as mãos, sugando um mamilo em seu calor.
Fechei os olhos por um instante, adorando senti sua boca molhada em minha pele quente.
- Está trêmula - sussurrou - Espero que não esteja com medo de mim.
Eu estremeci novamente, sentindo o receio naquela frase. A preocupação não estava no script. Não era assim que funcionava. Ele não deveria sentir-se assim.
Ele entenderia se eu dissesse?
Eu tinha medo. Mas era de mim.
- É só desejo.
Ele segurou o meu olhar, deslizando uma mão sob minha saia, afastando a calcinha, acariciando-me entre as pernas. Ele inclinou-se sobre mim e eu exigi-lhe um beijo mordiscando seus lábios, com mais força, com mais ousadia... Com mais luxúria.
Eu tinha medo daquele carinho, do cuidado... Daquele amor.
Medo de me perder...
Afastei-me, descendo as mãos pelo seu peito ate alcançar sua ereção. Livrando-o do aperto da calça, acariciei a pele sedosa exigindo-o em mim.
Ele gemeu, sussurrando meu nome e eu deslizei em seu membro duro. Calando qualquer coisa que ele pudesse dizer. Qualquer coisa que pudesse arruinar o momento. Eu não estava pronta para lidar com os meus sentimentos, e certamente não queria lidar com os dele também.
- Porra! - ele rugiu quando me apertei em torno dele, gemendo sacanagens.
Eu contive o fôlego, sorrindo excitada com a mudança. Eu conseguia lidar com isso. Aquelas palavras não me comprometiam.
Eram só desejo...
Ele me segurou pelos quadris ditando o ritmo intenso das investidas, exigindo mais de mim, que eu gemesse mais alto, que eu rebolasse mais no pênis forte que me devorava num sobe e desce gostoso.
Eu daria tudo que eu pudesse a ele.
- Goza pra mim, menina.
Gemi baixinho, sentindo meus olhos encherem de lágrimas enquanto ele explodia em mim.
Tudo aquilo era novo demais pra mim. Era gostoso e intenso de mais, e eu não conseguia controlar meus sentimentos, deixando-os vazarem por meus olhos.
Eu desejei que apenas dessa vez eu pudesse amar como se deve.
FIM
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Wish
RomanceEu tinha medo daquele carinho, do cuidado... Daquele amor. Medo de me perder...
