Prólogo

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    Minha mão suava era assim quando eu iria falar com ela, sempre tentei evitar esses confrontos mas não podia mais contar com o Pedro, ele havia mudado comigo não era o mesmo, bati na porta e ouvi um "Entre".
    Minha mãe estava deitada em sua cama, estava adoentada era sempre assim quando papai viajava ele só voltaria a noite para o aniversário do Pedro.
    "O que você deseja Maria Gabriela ?" pergunta me avaliando com seus olhos azuis.
    "Hoje a noite o Artur me convidou pra um jantar, vim pedir sua permissão" digo tentando me manter firme sob seu olhar ela sempre me intimidava.
    "Não, hoje seu irmão faz dezoito anos e haverá uma festa e quero que todos participem" diz é me lança um olhar crítico "Isso inclue você" .
    "O Pedro não vai se importar, ele mudou muito" falo sinceramente
    "As pessoas mudam sempre para melhor Gabriela, se você quer ir vá porém não quero libertinagem" ela cede.
    "Obrigada mãe" digo e saio do quarto foi mais fácil do que imaginei.
    "Que bonitinho ela tem um encontro com o namoradinho" esbarro em Pedro o que me faz pensar que estava ouvindo atrás dá porta.
    "Você não se importa mesmo" digo e  o observo anos atrás ele me tratava com muito carinho hoje em dia é só provocações.
    "Odeio ver pessoas sendo feitas de boba, ele não é pra você Gaby quanto antes você perceber melhor" diz e sai, sinto meus olhos encherem de lágrimas.
    Isso é o que todos pensam, que um rapaz nunca se interessaria por uma garota sem graça como eu, nós nos conhecemos num dos milhares de jantares que acontecem aqui em casa, o Artur chamou atenção no minuto que piso aqui em casa, sua beleza é de perder o fôlego até eu me surpreendi de todas as garotas fui eu que ele chamou pra sair e é comigo que ele está fazendo seis meses de namoro. Minha mãe o aprova por ele ser rico, sua família não tem tanto dinheiro como a minha, mas segundo minha mãe Artur é o melhor que eu consigo arranjar.
    A movimentação aqui em casa é grande afinal não é todo dia que o primogênito e preferido filho da Heloísa faz dezoito anos, a estrutura do jardim já está pronta e vans do buffet chegam a todo instante, eu amaria fazer parte disso essa noite mais nossa relação não está boa e o Artur me faz sentir querida e amada.

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    Coloco um vestido rodado nude que ganhei de minha avó, mamãe diz que pareço apagada por ser muito branca, coloco mesmo assim eu o adoro. Passo rímel nos meus cílios minúsculos, porém não faz muita diferença, finalizo com um gloss rosinha e a corrente que ganhei no nosso primeiro mês juntos. Olho para o embrulho em cima da minha cabeceira, comprei semana passada uma corrente que tinha duas asas de prata, quando era criança eu falava que ele era meu anjo, que sempre me protegia.

    Fico receosa mas decido entregar o presente, bato na porta e entro, o Pedro está de costas olhando o jardim ele puxou pra si toda a beleza da família, ele é a versão feminina da minha mãe, olhos azuis, pele clara e cabelos bem escuros.
    "O que você quer ?" diz ainda de costas.
    "Vim trazer o seu presente" digo e ele me olha de um jeito que me relembra o antigo Pedro.
    "Deixa aí que depois eu olho, seu namoradinho já deve ter chego" provoca e eu me pergunto aonde nos perdemos.
    "Tudo bem, te desejo tudo de bom" digo com sinceridade vou na direção dá porta, mas ao invés de sair corro até ele é o abraço que para meu alívio ele retribui.
    "Bom encontro little girl" diz respirando fundo.

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    "Princesa, você está linda" Artur diz me deixando corada.
    "Aonde vamos ?" pergunto e ele me dá um beijo casto nos lábios.
    "Surpresa" responde me lançando um sorriso malicioso.
    O Artur dirige até uma praia próxima ao condomínio que moro, está bem deserta o que me causa um certo desconforto. Ele estaciona e abre a porta para mim.
    "Vem princesa a noite será inesquecível" diz com um brilho diferente no olhar.
    Tiro as sandálias e caminhamos até uma tenda no meio dá areia, olho maravilhada, a tenda está decorada com velas e flores, tem champanhe, frutas e algumas fotos nossas.
    "Tão lindo" digo
    "Tudo para nós princesa" o Artur diz beijando meu pescoço me causando um certo arrepio.
     Conversamos sobre coisas banais o Artur me fala sobre seus planos de se tornar médico como seu pai, o olho ele é tão lindo para uma garota como eu, magrela, de cabelos castanhos até a cintura, aparelhos e olhos grandes demais com cílios de pouco.
    Sinto a champanhe subir, como a mão do meu namorado "Vamos com calma Artur" digo e ele ri.
    "Relaxa Gabriela" seu aperto e firme e sua mão começa a subir meu vestido  o empurro.
    "Eu disse para parar" me irrito e ele ri.
    "Eu não quero parar" olho para ele assustada "princesa está na hora de fazer umas coisinhas para agradar seu namorado"
    Ele me beija, mas me causa repulsa o empurro novamente "Eu quero ir embora você está me assustando" sinto meus olhos cheios de lágrimas.
    "Toda hora que olho para você me assusto" diz com deboche.
    "Por que você está comigo ?" digo num sussurro.
   "Você é rica, feia um alvo fácil ninguém te quer" diz e sinto as lágrimas caírem " vem cá vamos ver se você serve para alguma coisa"
    Artur se aproxima mais o empurro com força e ele acaba caindo, saio correndo como se não me importasse do asfalto estar acabando com meus pés estou amortecida nenhum ferimento é parecido com a dor que senti ao ouvir suas palavras.
    Chego no condomínio e seu José dá portaria me olha estranho, devo estranho toda suada e descabelada, ando mais devagar até a frente de casa tem dois seguranças na porta que logo liberam minha entrada, ouço a música alta, entro correndo torcendo que ninguém me veja, faço o mínimo de barulho até chegar na escada, mas uma cena que vejo me paralisa, meu irmão beijando uma garota encostada na parede suas mãos acariciam a garota e um calor estranho me possui, os lábios do meu irmão passeia pelo pescoço e clavícula e sinto como se fosse em mim, por um momento queria ser essa garota, um par de olhos verdes me encontram e sorri maliciosamente, me despertando desse transe maluco, subo correndo sem me importar com barulho, entro no meu quarto, me deito na cama e as lembranças das palavras do Artur vem com força igual ao choro.
   "Por que você está chorando? " ouço a voz do Pedro.
    "Sai daqui" digo em meio a um soluço, não quero olhar pra ele sinto vergonha só de lembrar dá cena que vi e ainda por cima ter sentido desejo.
    "Aquele idiota fez alguma coisa ?" pergunta preocupado, sinto aquele irmão que já tive voltar "conta pra mim little girl o que aconteceu?"
    "Eu sou uma idiota" olho em seus olhos e o abraço chorando.
    "O que aquele imbecil fez ?" diz alterado.
    "Nada" minto "você estava certo ele nunca gostou de mim".
    "Ele é um babaca, você não é garota pra ele" diz pisando na minha alto estima.
    "Tem razão, não sou bonita como a Laura" desvio o olhar "nem desperto desejo em alguém, ninguém me tocaria como você tocou aquela mulher lá nas sala".
    "Olha pra mim" Pedro diz e segura meu rosto "você é linda"
    "Não é o que você dizia, o que o Artur pensa" digo amargurada.
    "Eu te acho linda" diz com uma certeza inabalável "nunca se desvalorize, você é a pessoa mais maravilhosa que eu conheço, eu te amo".
    "Eu também te amo" alguma coisa no seu olhar faz meu coração bater mais forte, olho pra sua boca que parece tentadora, nunca senti uma atração tão forte.
    "Eu te amo" ele sussurra e me puxa pra um beijo, é como uma explosão de sensações, sei que é errado mas nunca pareceu tão certo, seu toque é como se queimasse todas minhas entranhas, corro a mão pelo seu cabelo e seu aperto no meu rosto diminui. Olho em seus olhos azuis e vejo algo que nunca vi desejo misturado com medo.
    "Meu Deus o que está acontecendo aqui !"  minha avó grita fazendo o Pedro pular dá cama.
    "Vó não é o que você está pensando" ele diz e me olha.
    "E o que é então ?" minha avó diz fechando a porta "aonde vocês estavam com a cabeça, isso é pecado, Deus nunca vai perdoar vocês"
    "Deus deve estar mais preocupado com a pobreza do mundo, do que com esse beijo" diz com indiferença que me incomoda.
    "Que blasfêmia" diz exasperada " vocês são irmãos".
    "Isso nunca mais vai se repetir, foi um erro" diz me olhando .
    "Ah, mais não vai mesmo, Helô e o meu filho terão que tomar uma providência" diz decidida, minha mãe não pode saber dessa história.
    "Pedro me deixa falar a sós com a vovó" digo e ele me olha indeciso.
    "Saia daqui Pedro" vovó diz com a voz firme " conversaremos depois" ele olha pra mim e sai "agora somos nós duas mocinha".
    "Vó" começo a chorar e ela me abraça "não sei o que me deu, me ajuda só não conta para a mamãe, por favor".
    "O que aconteceu aqui foi muito grave, ela tem que saber" diz e eu balanço minha cabeça negativamente.
    "Ela me detesta, para ela eu vou ser a errada, foi um erro não vai mais acontecer, eu prometo".
    "Não sei Gabriela" diz
    "Vó eu faço qualquer coisa que a senhora quiser, mas não conta pra ninguém o que aconteceu aqui" suplico.
    "Eu não conto com uma condição"
    "Eu aceito qualquer coisa" digo aos soluços.

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    Meus pais aceitaram numa boa o fato que de uma hora para outra eu resolvi me mudar para Londres com a minha avó, os olhares da minha mãe me faziam pensar que ela sabia de tudo, a Lia minha irmã mais nova queria ir junto, o Pedro observava tudo em silêncio.
    Minha avó sai da mesa para ir agilizar o visto, meu pai sai para o escritório com minha irmã e mamãe subiu para o seu quarto.
    "Pedro..."
    "Boa viagem" o Pedro indiferente volta.
    "Eu tenho que ir, foi a única condição que a vovó impôs" digo.
    "E você aceitou como sempre" ele diz me olha com mágoa "você quer ir embora ?"
    "Não" ele se levanta e se senta ao meu lado sua presença me faz sentir coisas erradas "mas eu vou".
    "Então o que você ainda está fazendo aqui" diz com raiva .
    Meus olhos enchem de lágrimas, a dor que estou sentindo é tão forte, eu o perdi pra sempre, o elo que sempre nos uniu se rompeu, e eu tenho medo que tenha sido para sempre.
   
   

   


      

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⏰ Last updated: Feb 08, 2017 ⏰

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Meu Doce PecadoWhere stories live. Discover now