- Quanto tempo faz desde aquela vez?
Indaguei-me e me espreguicei sobre a cama, preguiçoso e manhoso como sempre fui, me arrastei pela cama apenas o suficiente para puxar e abrir as cortinas da janela e olhar para a cidade lá fora. Quem diria que um dia eu estaria tendo essa visão... Uma visão ampla da cidade, do alto, tão alto quanto eu jamais acreditei que estaria, a vertigem sempre me atraí e assim como todas as outras vezes, lá estava eu distraído entre a vertigem e os meus próprios pensamentos quando ouvi ela me chamar.
Minha atenção se dispersou e eu olhei para trás, o quarto estava vazio, o apartamento inteiro estava vazio e eu sozinho. As vezes eu me esqueço que estou sempre sozinho. Me virei sobre a cama e me deitei de barriga para cima, meus olhares se alternavam entre a janela e o teto enquanto minha imaginação fluía ao infinito do inimaginável, mas totalmente inútil, porque lá estava eu mais uma manhã completamente indisposto e sem motivação para continuar.
Aquela voz? Eu até hoje não sei quando comecei a ouvi-la, mas releve... Só eu posso ouvir, e ela está dizendo que ainda não chegou a minha vez. Agora vamos lá, hora de despertar, você já deveria ter se acostumado depois de tanto tempo.
