fev06, 17

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dói-me tanto não saber o que estou a fazer. isto não costuma acontecer a pessoas como eu; não costumo chegar até aqui. pessoas como eu ficam embasbacadas, durante períodos de tempo tão grandes que chegam a ser dolorosos. mas a pessoa por quem estás embasbacada nunca olha para ti da mesma maneira.

por isso é que me surpreendeste tanto. de todas as pessoas que já amei, tu foste a primeira que sentiu o mesmo por mim. e juro que não estava à espera de começar assim o ano, contigo a amar-me da mesma maneira que eu te amo.

quer dizer, espero que sim. espero que as palavras bonitas que me disseste não tenham saído da tua boca porque tinhas medo de perder a minha companhia. porque pior do que não sentires o mesmo que eu é mentires-me sobre isso por o meu estado mental (e emocional, já agora) estar em cacos.

e, francamente, é disso que eu tenho mais medo. porque tu sabes que, ultimamente, eu sou uma ruína, e eu sei que tu sempre te preocupaste comigo e tens aquela mania de me tentar proteger, mesmo quando andamos na rua e eu sou estúpida e tenho as minhas recaídas nojentas, e tu proteges-me e fazes com que eu me sinta melhor e pare de chorar sobre isso.

e é por isso que eu morro de medo. porque eu tenho receio que todas as palavras bonitas que me disseste tenham sido ditas apenas da boca para fora. porque não é assim que eu sinto as coisas, e tu sabes disso, e, para andar assim há já mais de um ano, é porque de certeza que não estou a falar só da boca para fora. como já todo o tumblr disse, "eu gosto tanto de ti que me deixa doente".

só quero saber se estás a falar a sério, ou se isto é tudo uma brincadeira para ti. para mim não é, e nunca pensei que essa perspetiva alguma vez me viesse a assustar tanto. 

eu sei que é nojento estar sempre a pedir-te que me reassegures sobre tudo (mas, milagrosamente, dizes que não te importas; continuo sem perceber essa) mas, por favor, dá-me segurança sobre este assunto. acho que nunca precisei tanto dela como preciso agora.

tudo o que eu quero é ser feliz contigo sem dramas nem confusões desnecessárias. mas não sei se isso é possível, por esta altura. o que me deixa ridiculamente triste.

portanto, por favor, diz-me que sentes o mesmo. ou diz apenas que não sentes o mesmo. num momento de vulnerabilidade, em que tudo o que existe somos nós as duas, diz-me que me queres, e assegura-me que as palavras que me dizes são verdadeiras. porque, neste momento, acho que não aguentaria uma mentira sobre isso. são sentimentos que guardo há mais de um ano e, como era de esperar, eles só vieram a ficar mais fortes de semana para semana.

por mais agridoce que isso seja, eu dependo de ti. seja a um nível platónico, seja mais do que isso. eu preciso de te ouvir falar, preciso que me ensines coisas; preciso que, como sempre tiveste, tenhas paciência para mim; preciso que me ofereças segurança como quem não tem mais nada para oferecer.

mas o que eu mais preciso é que sejas honesta comigo. diz-me se realmente queres alguma coisa comigo. se não estás pronta para mergulhar de cabeça, por favor não te sentes na borda. e desculpa estar a comparar-me a uma piscina, mas foi a única analogia que encontrei.

por favor, diz-me o que realmente queres. mas sê honesta. não o digas só porque sim, só porque parecia a coisa acertada a dizer, naquele momento em que éramos apenas as duas, e o meu mundo estava a cair aos pedaços e tu estavas lá para o colocar de novo numa única peça.



todas as coisas que eu nunca te contei.Where stories live. Discover now