Existem remoinhos de folhas. A rua está calma e sopra um vento pouco forte. O meu cabelo é sacudido com o vento juntamente com o meu cachecol, não tenho frio, mas também não faz calor.
Antes, a rua estava calma, sem vento, com folhas secas daquelas que dá vontade de pisar porque já se sabe que vão estalar. Agora, estão molhadas, sem vida, a voarem em círculos, como se todas elas fossem pequenos tornados.
Piso uma poça e, no meio de pensamentos, olho para ela. No reflexo vejo uma rapariga loira, despenteada. Usa botas e calças pretas, camisola creme, casaco verde e o adorado cachecol, cuja cor é a da sua camisola e tem traços vermelhos e verdes. Os seus grandes olhos castanhos que tudo vêem, estão vazios.
Essa é a mesma rapariga. A mesma rapariga que, no verão, sorria e vivia cheia de alegria, a mesma rapariga que disse ''Amo-te.'' repetidamente, a rapariga que achava que a tristeza nunca ia chegar. Porém, com o fim do verão e o começo do outono... com fim da paixão e o começo da solidão... Acabou por chegar.
