NOTAS DA AUTORA: Leitores, eu vou avisando que precisam ter uma dose de...como é mesmo o nome? Ah sim, loucura.
Quer ler mesmo?
Tem certeza?
Tudo bem, vamos lá.
Rosa Alves Albuquerque. Então, eu sou brasileira, a diferença já está aí. E tenho a genética maluca da minha família. De uma avó com 12 filhos, eu sou apenas uma das 52 primas e filhos adotivos.
Agora imagine a nossa ceia de Natal.
Mas existe sim uma distinção, ou melhor, uma peculiaridade entre nós. Eu, Jade e Cristal nascemos no mesmo dia, e não somos trigêmeas, somos primas. E claro, temos nomes de pedras preciosas.
Estou ouvindo você dizendo: Ah, mas Rosa não é nome de pedra preciosa.
É sim. Seu obtuso.
Rosa do Deserto. Sua forma possui grande beleza e lembra pétalas de flor. Parece uma flor de areia.
Ninguém nunca me disse se eles combinaram, mas eu acho que sim.
Desde o nosso nascimento praticamente nunca desgrudamos uma da outra. Era tudo junto. Éramos as três espiãs demais, as meninas super poderosas e as piores rivais no jogo de Uno. Estudavamos na mesma escola e mesmo tendo nossas colegas de turma, não era a mesma coisa. Não era a mesma empatia.
Quando completamos quinze anos as nossas diferenças começaram a se mostrar. Enquanto eu preferia um bom livro a ir a uma festa. Cristal amava uma festa. E para Jade tanto faz.
Eu era a mais emotiva, Cristal era mais ou menos, e Jade parecia ter um cubo de gelo no lugar do coração. Não, ela era a própria Antártida.
Eu abdiquei tudo pela minha família e um bom emprego, inclusive namoros. Cristal aproveitou bastante. E Jade teve uns gatos pingados. Se ela se apaixonou de verdade nunca nos falou.
E é por tudo isso que decidimos ir morar juntas. Nos Estados Unidos. Conseguimos o visto a convite deles, nós três nos destacamos muito nas escolas, ganhamos inúmeras olimpíadas de matemática, física e biologia.
Nunca calculamos nosso Q.I. E nem vamos. Pelo menos concordamos em uma coisa. Isso é perda de tempo.
Cristal sempre foi boa com computadores e decidiu se formar em T.I. Agora ela trabalha para uma multinacional bem influente.
Jade se formou em direito e conseguiu o Pilar de juíza de casos criminais. E de certa forma trabalhávamos juntas. Eu era perita criminal.
C.S.I.
E não é tão empolgante como eles sujerem ser. Eu fui trouxa.
Compramos com nosso primeiro salário uma casa (para a eterna consternação de Jade), e um carro para cada uma. O resto mandamos para nossa família no Brasil.
- Rosa. - Jade gritou assim que passou pela porta. - O almoço está pronto?
Não tínhamos uma empregada. Ela não duraria dois tempos na nossa casa. Deixe-me explicar o porquê.
As vezes coisas estranhas aconteciam quando brigavamos. Não eram gritos, nem machucados. Era coisas quebrando do nada. As vezes eu deixava o ar rarefeito, e quase matava uma das duas me matando no processo. O que uma sentia a outra sentia, seja dor, alegria ou paixão. Mas isso não significava que por exemplo, iríamos gostar do mesmo cara. Na verdade se Cristal gostasse de um homem, eu ia sentir a intensidade do sentimento, era como um formingamento dentro de mim, e variava conforme o que ela tinha.
Mas a dor era diferente.
Uma vez Cristal foi internada com uma cólica muitos forte. E olha a maravilha. Eu e Jade também fomos, sentindo a dor excruciante dela como se fosse em nós. Nenhum dos médicos entendeu o motivo. Mas eu sabia que era nossa ligação.
Muito legal.
Se elas morrerem eu morro também.
- Não fiz. Vá fazer a sua, preguiçosa. - Resmunguei mexendo no controle remoto, procurando Alienígenas do Passado para assistir. Eu gosto. Não me julgue.
- Por favor Rosa. O trabalho foi muito cansativo.
No que Jade se jogou ao meu lado ela ficou. E minha nossa senhora da preguiça, nem eu conseguiria fazer ela se levantar se ela não quisesse.
- Tudo bem. Eu faço. - Resmunguei. - Mas você lava a louça.
- Por que eu? - Ela murmurou indignada. - Você faz isso em segundos.
Era verdade.
Eu me sentia usada.
- Nem adianta ficar com raiva.
- Que ódio dessa ligação. - Saí batendo os pés de maneira infantil. E olhei para o almoço da cristal.
Ela não ia almoçar agora mesmo. Peguei o prato e rumou de volta até a sala.
- Já? - Inqueriu admirada. - Parece que você tem o poder da comida também.
- Paguei a comida da Cristal, caso ela pergunte, eu faço outra depois.
- Ah pra Cristal você faz de bom grado. - Falou ressentida, colocando as mãos sobre o coração. Uma não dava o efeito dramático que ela queria.
- Ela me ajuda em casa, você não. - Disse. - Mas eu te amo muito, e até iria fazer comida se o prato dela não estivesse pronto.
Eu me entendia mais com Jade. Por isso parecia que ela estava de bom humor. Eu amava Cristal mas as vezes brigavamos feio.
- Está tão frio. - Jade falou. - Esquenta pra mim.
Pare de pensar besteira.
Seu imoral.
Eu não sentia calor nem frio no ambiente, só tinha a palavra dela pra confiar.
No início eu tinha que me concentrar, e ficava com uma forte tontura depois. Mas agora eu já manipulava meus poderes com facilidade apenas com gestos sutis nas mãos.
Balanceio as mãos como se estivesse colocando-as dentro de uma piscina. Em seguida senti um puxão na boca do estômago quando um arrepio percorreu meu corpo. Um calor agradável e suave. Eu estava produzindo calor.
O rosto de Jade foi tomado por alívio.
- Bem melhor.
Uma dor de cabeça passageira foi o unico efeito colateral de usar meus dons.
- Está ficando boa nisso. - Ela elogiou.
- Uma pena que você não treina também.
Ela suspirou cansada.
- Quando eu treino, alguém se machuca, ou eu mesma.
Jade podia destruir as coisas. Mas também podia reconstruir dependia do humor dela com os sentimentos a flor da pele ela fazia ambos.
Nesse momento uma Cristal furiosa entrou dentro de casa.
- Que cara é essa? - Questionei.
Ela bufou em resposta.
- Fala criatura. - Jade insistiu se sentando no sofá.
Cristal estava com relâmpagos nos olhos. Literalmente. Cada poro do meu corpo absorvia a raiva dela, e acredite era enorme. Jade me olhou preocupada quando Cristal murmurou as seguintes palavras.
- Eu. Fui. Demitida.
NOTAS FINAIS: Eu sei que foi pequeno, estava com preguiça hoje. Minhas primas decidiram viagar comigo. Prometo não demorar a forçar Cristal a escrever o dela. Um beijo. Até o capítulo 4.
YOU ARE READING
Tenho Superpoderes e aí?
General FictionGostaria de informar que nós somos primas. Você deve estar pensando: "O que isso tem de importante?". Nós somos primas e somos especiais, e não tem nada a ver com a nossa beleza estonteante, ou quem sabe a inteligência natural e muito menos com a no...
