Piloto

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Passei alguns segundos olhando para o armário, tentando me decidir entre os dois tipos de cereal empilhados. Sabendo que não iria levar a nada, derramei o leite na tigela e escolhi algum deles de olhos fechados.

Caminhei até a sala, tomando cuidado para não deixar nada cair. Me enfiei por debaixo das cobertas e estiquei os pés, apoiando-os na mesa de centro da sala. Enquanto levava uma colherada à boca, fitei os olhos no programa alemão que era transmitido na TV. O volume estava baixo, mas não faria diferença: eu conseguiria escutá-los, mas não entendê-los.

Fui pega de surpresa quando uma tela azul tomou espaço e chamou minha atenção. Uma mulher formal que aparentava ter vinte anos falava algo com uma expressão séria, e ao seu lado corriam algumas imagens. Atrás podia-se ver o logo do Jornal. Aumentei o volume o suficiente para ouvir a notícia.

Eu sabia que era algo importante. Caso contrário, o que quer que fosse seria transmitido no horário cotidiano, não interrompendo a programação. Diminuí a velocidade do movimento da minha boca enquanto mastigava até interromper o ato totalmente.

- Recomendamos aos cidadãos que permaneçam em suas casas até que a polícia consiga resolver a situação. Voltaremos em breve com mais notícias.

A série retornou à cena de onde tinha parado... pelo menos por um momento. Após alguns segundos, um chiado irritante acompanhado de vários pixels coloridos começou a invadir minha televisão. Arregalei os olhos e larguei o cereal na mesa, me levantando vagarosamente e caminhando até a porta da sala, que dava para o corredor do apartamento.

Minha ideia era pedir ajuda. Chamar por alguém. Perguntar o que estava acontecendo.

Mas aquele lugar nunca esteve tão quieto.

Colocando um pé após o outro, passei por todas as portas. Algumas delas estavam escancaradas; outras fechadas com tábuas de madeira. Um arrepio percorreu todo o meu corpo, que me dizia para não continuar andando. Eu ainda podia ouvir o chiado da TV, o único barulho ou sinal de vida daquele prédio, o que apenas me dava mais calafrios.

Ignorei meus pensamentos: as pessoas podem ter ficado assustadas com o anúncio no jornal e se escondido... ou fugido. Mas como fizeram isso tão rápido? Desci as escadas, me recusando a usar o elevador, e adentrei o andar seguinte.

As portas se assemelhavam às que vira antes. Mas havia sangue. Havia sangue por toda parte.

Hesitei. Eu não podia voltar agora, mas também não tinha desejo nenhum de continuar. Levei as mãos à testa, tentando controlar minha respiração ao ver aquela cena. O que diabos estava acontecendo? Continuei, contra todas as minhas forças. Eu precisava chamar a polícia.

Chamei o elevador. Eu não queria ver as surpresas que me esperariam nos próximos andares; eu precisava sair logo dali. Quando ele chegou, toquei o botão que me levaria ao térreo.

Caminhei até a entrada. Havia um zumbido vindo do lado de fora, então decidi conferir o que era. Me arrependi no ato.

Uma onda de pessoas corria de um lado para o outro, como se estivessem fugindo de algo. Uma garotinha chorava, ajoelhada ao lado de uma mulher, com os cabelos escorridos em seu rosto. Levei as mãos até a boca quando mirei o céu: helicópteros por toda parte, edifícios em chamas e pessoas se jogando deles.

Eu não podia me mover. Eu simplesmente perdera todos os meus sentidos enquanto era atropelada por milhares de pessoas. Reagi, me afastando da multidão e colando meu corpo à porta.

Fui completamente surpreendida quando algo me arremessou com brutalidade na calçada, fazendo um corte em minha bochecha. Arregalei os olhos e mirei meu agressor.

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⏰ Terakhir diperbarui: Dec 31, 2016 ⏰

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Under the DeathCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang