Uma Dor.

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Eu estava na rua, em frente a um barzinho em São Caetano, era tarde. 3:30 da manhã, por aí.

Eu estava ali, aquela hora, pois acompanhava minha mãe, ela veio buscar meu padrasto que estava em um tipo de confraternização da empresa. Estava tudo bem e eu já conhecia alguns dos colegas de trabalho do meu padrasto,gosto deles.

Depois de um tempo de conversa e apressos de minha mãe para irmos embora, um homem veio nos pedir " Moedinhas" .

Ele foi pedir unicamente para um homem que estava de costas, e virou ao ouvir a voz do morador de rua.

-O senhor poderia me dar uma moedinha? - disse o homem, que estava mais para senhor, aparentava seus 50 anos.

Senti meu coração cortar, como sempre, a única coisa que conseguia olhar era os olhos do pobre senhor, os olhos, sempre os olhos. Seu olhar era vazio, triste, sofrido. Mas ele tinha um pingo de esperança, isso dava para sentir.

Esperei o amigo do meu padrasto com quem o senhor havia chamado e ouvi seu diálogo.

- escuta aqui, não tenho nada. Vá embora. - ele disse rude, arrogante e dava pra ver que se sentia superior.

Eu gostava dele, mas aquilo fez eu pensar duas vezes sobre se realmente gostava.

Como estávamos em roda, o senhor se dirigiu mais pro lado, para que todos o pudessem ver.

- Por favor, algum de vocês tem algo? - ele disse, voz baixa, seus olhos mostrava a vergonha que sofrera pela humilhação que estava passando.

Procurei em minha bolsa, qualquer coisa, eu só queria poder ajudar.  Mas, um dos rapazes que estavam conosco disse

- Amigo, ele já falou com você, vai embora, falou? - ele disse ainda mais arrogante, prepotente.

Eu só queria poder abraçar o senhor, eu abraçaria sem problemas, estava sujo e mal cheiroso? Sim, estava. Mas ele precisava de algum afeto, ou alguma ajuda.

Os olhos do senhor se encontraram com os meus, ele me deu um pequeno sorriso, entendi que ele sabia que eu me importava com ele, mesmo nunca tendo vendo ele na vida.

Eu fiquei muito chateada, pedi com toda força pra que Deus abençoasse ele, ele era um bom homem, consigo diferenciar um malandro de um pobre senhor. Ainda mais depois de ter olhado seus olhos.

Aquilo me causou uma dor forte, fiquei mal.  Espero que este senhor esteja bem agora.

Estranha assim.Où les histoires vivent. Découvrez maintenant