— Onde você está? — O visor do meu celular anunciava mais uma mensagem da minha mãe, Miranda Dermont.
Não havia hora mais "apropriada" para ela me enviar isso. Resmunguei, atravessando a rua em direção à porta da Starbucks, e me questionei: por que minha mãe era tão superprotetora? Eu bem sabia a resposta. Como filha única, eu era o centro das preocupações constantes dela e do meu pai.
O sol estava forte e o calor só aumentava a pressão que eu sentia. Segurei meus currículos com mais força contra o corpo, como se eles pudessem escapulir das minhas mãos a qualquer momento.
Eu bem sabia o que minha prima pretendia com aquele encontro.
Quando abri o e-mail naquela manhã, não consegui acreditar no que ela me enviara: uma entrevista de emprego.
Aquilo era inacreditável! Como Brenda conseguira uma entrevista para mim na Styles House, a maior empresa de moda do ramo? Durante meus três longos meses hospedada na casa dos meus tios, ela testemunhou meu sofrimento para conseguir um trabalho decente. Respondi a mensagem na hora e decidimos nos encontrar no Starbucks. Sim, ela amava o chocolate com creme de lá.
Bom... meu nome é Olívia Dermont. Isso mesmo. Um nome esquisito para uma esquisita local. Meus pais viajam o mundo inteiro, mas nem a distância os impede de serem sufocantes. Sou inglesa, assim como eles, o que explica minha pele muito branca e delicada. Não tenho nada dos atributos das garotas brasileiras — país onde meus pais estão morando no momento. Meus olhos são de um castanho escuro, escuro até demais. São como café sem graça de posto de gasolina. É exatamente assim que eu sou.
As pessoas, normalmente, passam um bom tempo me olhando como se eu fosse uma aberração. Para ajudar, tenho cabelos castanhos, herança da minha mãe, tão lisos que não seguram um cacho nem que eu passe a noite com bobes. A única coisa que eu conseguiria com isso seria uma grande dor de cabeça.
Ou seja: uma garota comum, sem sal, sem nenhum tipo de atrativo. Essa sou eu na vida real. Porque, nos meus sonhos e na minha imaginação, sou linda, decidida e descolada. Lá, posso ter a cor de cabelo que quiser e não sinto vergonha de falar em público ou de conversar com garotos de tirar o fôlego. Ah, e nos meus sonhos, eu não uso óculos! Tentei usar lentes de contato algumas vezes, mas meus olhos ficavam tão vermelhos e lacrimejantes que parecia que alguém tinha jogado um punhado de terra neles.
No horário combinado, eu já estava na calçada aguardando. Olhei para a esquina e avistei Brenda. Ela vinha sorridente, usando um vestido branco e sapatos pretos. Seu cabelo loiro e curto esvoaçava com o vento enquanto ela caminhava elegantemente ao meu encontro, segurando sua bolsa azul preferida.
— Pensei que hoje, em um dia quente como este... — ela começou a dizer ao se aproximar.
O sorriso extraordinário dela era contagiante, mas eu, imediatamente, desviei o olhar, envergonhada, e disfarcei ajeitando os óculos no nariz.
— Calça jeans e blusão não combinam com esse calor — continuou ela, me analisando dos pés à cabeça. —Deveria ,ao menos,aproveitar o dia Oli. Está um dia escaldante!
Senti meu rosto queimar. Brenda sempre chamava a atenção de todos ao redor.
— Eu não me importo Bre — respondi, dando um abraço nela.
Ela me encarou com um sorriso cúmplice.
— Sei... — disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Você veio e é o que importa. Precisamos mesmo conversar, Oli, mas não vamos fazer isso debaixo desse sol. Vamos entrar.
Entramos no Starbucks e escolhemos uma mesa afastada.
Perto de nós, um grupo de garotas conversava animadamente enquanto bebiam chás gelados. Eu estava decidida a ir direto ao ponto:
— Quando é a entrevista?
Ela sorriu, vitoriosa.
— Amanhã, às 09:45. Não se atrase! Tive que fazer milhões de favores para o Mike conseguir isso para você, e eu não vou passar por isso de novo, me ouviu?
Assenti rapidamente. Brenda conseguia ser bem intimidadora quando queria. Uma garçonete se aproximou da mesa, parecendo um pouco atrapalhada.
— O que vão querer?
— Um cappuccino com chocolate e caramelo, por favor — pedi, sem muita animação.
— E a senhora? — a garçonete perguntou, dirigindo-se à Brenda.
Vi minha prima endireitar a postura imediatamente. Ela detestava ser chamada de "senhora" aos 34 anos; dizia que só aceitaria o termo depois dos cinquenta.
— Um chocolate com creme — eu já sabia! — e um muffin de morango, por favor.
A garçonete se afastou rápido e Brenda voltou ao assunto sério:
— Ouça bem: seus pais virão para Londres na próxima semana.
Se você conseguir o emprego, não diga a eles que fui eu quem indicou, ou eles me matam!
— Ok, "senhora" — brinquei, rindo da cara dela.
Brenda ficou visivelmente brava. O negócio era o seguinte: nossos pais detestavam a ideia de que nós trabalhássemos.
Tivemos o privilégio de nascer em uma família rica, e eles abominavam a ideia de esforço profissional, repetindo sempre: "Já fizemos isso por vocês".
Porém, eu não partilhava da mesma ideia. Queria trilhar meu próprio caminho e ser independente.
— Vai se foder, Olívia! — ela disparou.
Eu só conseguia rir.
— Boca suja! — repreendi, olhando para o lado.
As garotas da mesa vizinha nos olhavam assustadas. Eu me encolhi, parando de rir na hora, mas a Brenda não deixou barato.
— O que estão olhando, seus projetos de perua? — ela perguntou, ríspida. Brenda estourava por qualquer coisa, o que sempre me arrancava risadas internas.
— Nada! — responderam juntas. Elas se levantaram, deixaram o dinheiro na mesa e saíram quase correndo.
— É melhor irem embora mesmo! — Brenda gritou.
A garçonete voltou com os pedidos e recebeu um olhar de desaprovação da Brenda, o que a fez se retirar num piscar de olhos. Minha prima deu um gole no chocolate e suspirou, satisfeita.
— Eu amo isso.
— Eu sei, por isso marquei aqui.
— Por isso que eu te amo, prima! Bem... você vai ao jantar de negócios do meu pai hoje à noite, não vai?
Eu tinha me esquecido completamente dessa droga de jantar.
— Ah... Brenda, eu não sei... — respondi, bebericando meu cappuccino.
— Nem vem, Oli! — Ela levantou as sobrancelhas para mim. — Depois que sairmos daqui, vamos fazer compras e dar um jeito nesse seu cabelo. Eu amo minha tia, mas ela deveria ter um gênio menos teimoso,precisamos dar um jeito de te dar alguns cachos, Deus me livre de você sair por aí assim.
Eu apenas ria. Brenda era uma palhaça, mas, no fundo, eu não fazia ideia do que me aguardava naquela noite.
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My Dear Boss
Fanfiction(REESCRITA⚠️)Olívia uma garota de 21 anos,consegue um trabalho em uma empresa, que acaba de entrar no mundo dos negócios o que ela não imaginava era se ver em uma situação um tanto quanto integrante. Nutrir um amor ,quase que improvável ,ou odia-lo...
