Capítulo 2

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Depois de mais um dia desmaiada, Isabel acordou com a visão turva, tonta e sem saber onde estava. Passado algum tempo lembrou-se do que tinha acontecido e a tristeza voltou, tal como a saudade que sentia pelos seus pais, pelo seu irmão e por todos os outros que tinham desaparecido.
Isabel levantou-se, olhou em frente e no seu olhar surgiu uma luz, uma esperança, ela viu a silhueta de um rapaz alto e de boa constituição. Com mais esperança depois daquela visão, ela aproximou-se do misterioso rapaz.
Ele era moreno, de olhos tão escuros que não se distinguia a íris da pupila e com um cabelo despenteado que esvoaçava livremente com o sopro do vento.
Isabel contou ao rapaz tudo aquilo que lhe tinha acontecido a ela e aos habitantes da sua aldeia, enquanto que as lágrimas, tão leves mas ao mesmo tempo tão pesadas, lhe caiam. O rapaz mostrou-se sempre muito compreensivo e pronto a ajudá-la a encontrar e a perceber o que tinha feito as pessoas deixarem tão repentinamente a aldeia.
A noite caiu, e eles decidiram passar a noite numa pequena gruta que tinham encontrado no meio da floresta.
No dia seguinte, acordaram e continuaram a caminhar pela floresta.
Ambos tiveram uma química e ligação imediata, e depressa se tornaram muito unidos e, até mesmo, dependentes da companhia um do outro, apesar do tempo que tinham passado juntos ser ainda muito pouco.
Isabel começava a pensar que se estava a apaixonar pelo tal rapaz, que a seus olhos se tornava cada vez mais perfeito.
Sem encontrar o caminho de volta para a aldeia, eles caminhavam à espera que a cada esquina estivesse alguma das pessoas que tinham desaparecido ou, até mesmo, o pai, a mãe, ou Guilherme. Procuravam alguém que os pudesse levar de volta para casa ou explicar o que se tinha passado para todos decidirem ir embora e deixarem-na ficar ali sozinha.
Cada vez que Isabel pensava na família sentia mais saudade, mas também mais frustração, pois não percebia o porquê de a terem abandonado.
Depois de todos os passos que eles tinham dado de mãos dadas e de todos os quilómetros que tinham percorrido juntos, eles acabaram por se declarar um ao outro, depois de um beijo intenso, que parece ter parado o tempo, assim que os seus suaves lábios se tocaram.

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