Os nós dos meus dedos sangravam. Cada movimento lançava pontadas lancinantes no meu cérebro.
Ele se movia como um lince pelo beco. Eu nunca fui uma lutadora rápida. Sempre fui do tipo de combatente que termina as lutas em um único golpe bem colocado.
Mas ele era resistente como um demônio, e falo por experiência própria. Mas não havia qualquer sinal de possessão em seus golpes. Quem quer que fosse era apenas rápido e preciso.
Seus socos vinham rápido de locais que eu não via. Era difícil acompanhar. Um de seus socos me atingiu entre os seios. Perdi o ar e o foco, minha guarda abaixou e ele atacou pelo meu lado direito.
Minha mandíbula recebeu todo o impacto de seu punho e caí.
Antes que eu tocasse o chão ele apareceu do outro lado, e mais uma vez meu queixo absorveu o impacto. Se eu fosse um homem e tivesse uma barba. O pensamento me fez sorrir. Eu não preciso de um pau entre as pernas pra ser forte.
O sangue deixava um travo metálico em minha boca. Era nojento. Cuspi-o no agressor.
Ele recuou um passo, sua guarda abaixou nesse segundo.
Usando os músculos das pernas e dos quadris me impulsionei para frente. Meu centro de gravidade estava terrível graças aos socos, mas era o que eu tinha. Um ataque de oportunidade. Se eu errasse o soco, cairia e seria um alvo fácil. Se eu acertasse minhas chances de vencer aumentariam.
Pulei pra frente. Meus pés trabalhavam dobrado graças ao sapato desconfortável e sem aderência. Abaixei o punho até a cintura e preparei o golpe.
Lancei meu punho em direção ao queixo dele. Girei os quadris para a direita para mudar o movimento do meu punho. Eu não poderia fazer isso com o braço esticado.
Senti a pressão resistente de seus dentes tentando amortecer o impacto de meu punho. E então a pressão se foi quando alguns deles se quebraram.
Ele caiu, cuspindo três dentes no chão.
Me levantei do chão.
Não ousei sorrir. Ele havia lutado bem. Só não teve sorte ao se esquivar.
Nada justificaria o escárnio.
Ele limpou o sangue da boca e partiu pro ataque.
Foquei meus movimentos em contra-atacar. Eu era lenta demais para desviar, mas forte o suficiente para suportar os golpes.
Dois socos altos rasparam sua testa de leve. Os socos baixos foram mais eficazes, mas cansavam mais e me deixavam exausta. Decidi arriscar e atacar seus braços. Soquei seus ombros com força.
Ele respirava com dificuldade. Ser rápido requer boa capacidade dos pulmões.
Seus movimentos começaram a diminuir de ritmo com o tempo.
Até que sua respiração falhou uma vez.
Eu já lutei várias lutas e sei que depois de alguns minutos o atacante fica em desvantagem por estar cansado.
Contra ataquei depois de um soco alto demais. Suas costelas ficaram expostas por um momento. Meu punho rasgou sua defesa frágil e o impacto o jogou pra longe, arfando.
Pulei em cima dele e o ataquei. Ele não teve defesas. Seu rosto começou a sangrar a cada soco. Foquei nas bochechas, elas ficariam inchadas e ele não conseguiria ver meu soco. Minhas costas doíam por causa de seus socos anteriores e os dias sem treino, mas eu tinha a vantagem e usaria a meu favor.
Seus braços caíram ao chão depois do décimo segundo soco. Rápido e resistente. Quem quer que ele fosse não deveria ter escolhido alguém como eu para atacar.
Uma chuva fina começou a cair sobre nós dois. Olhei para seus olhos inchados. Ele seria um adversário duro se tivesse experiência em combate.
Um cão não deve atacar um tigre, como dizia minha mãe.
Naquela época eu ainda era um cão.
Arranquei o capuz que cobria seu rosto e escondia seus novos hematomas.
Não era feio, mesmo ferido, mas não faz meu tipo.
Ele começou a se mexer, mas logo desmaiou de novo.
