Eu era o ser humano mais feliz de toda via-láctea, depois de pedir, insistir, implorar - Talvez ajoelhada aos pés da minha mãe -, ela finalmente deixou eu ir passar as férias de dezembro no apartamento do meu irmão, obviamente depois de listar todos os problemas de eu ir e todas as regras que eu tinha que cumprir.
Dentre os problemas estavam coisas como: Ele não mora sozinho. Você é menor de idade. São Paulo é uma cidade muito grande, você irá se perder lá. Seu irmão é a única pessoa que você conhece. Você tem problemas de comunicação. Você vai sentir a minha falta e não vai ter como voltar no outro dia. Entre várias outras verdades, mas o que eu poderia fazer? Eu já não aguentava mais ficar naquela cidade, olhar para os mesmos rostos todos os dias. E além do mais, eu sentia muito a falta do meu irmão, já vai fazer seis meses que não nos vemos.
E as regras não eram nada mais do que ligar todos os dias. Nunca sair sem o Rafael. Não atrapalhar o Rafael, ou os seus amigos. Não se esquecer dela - Sim, a mulher que me criou ficou com medo de eu me esquecer da pessoa mais importante da minha vida -. Coisas que eu já iria fazer sem ela sequer ter mandado.
Neste exato momento estou fazendo a minha mala, meu vôo é amanhã às quatro e quinze da tarde, previsto para chegar em São Paulo cinco e meia. Do Rio Grande do Sul até lá são apenas uma hora e quinze minutos, não dá nem para dormir. Mas eu sei que pelo menos um lanche eles vão servir, acho tão chique comer no céu, afinal não é uma coisa que faço todo dia.
Eu nunca cheguei a conhecer o apartamento do Rafael, minha mãe foi lá uns meses atrás, só que infelizmente eu estava em época de provas e não pode ir junto. Então fiquei trancada em casa sozinha, estudando igual uma louca para passar em física. Diferente do meu irmão, eu não terminei o ensino médio antes, longe disso, passar do segundo ano estava sendo difícil pra mim. Era tão mais fácil quando ele estava aqui para me ensinar as matérias, ele é de longe melhor que vários dos meus professores.
Já tinha perdido a conta de quantas vezes eu abri essa mala para adicionar coisas que esqueci. Eu realmente não sei como consegui esquecer de colocar blusas de manga comprida nela, eu estou indo para São Paulo não para o Rio de Janeiro, bulas de frio são indispensáveis. Dona Andréa ficou tentando me convencer o tempo inteiro a não ir, disse que ia se sentir muito sozinha - Até eu lembra-lá que vai passar as férias com o Fe - então ela se conformou.
No outro dia, três horas da tarde.
Acabei de fazer o check-in, e estou sentada eu uma das horrendas cadeiras de aeroportos, elas são sempre tão desconfortáveis, e o tempo absurdo que passamos nelas também. Estava com minha jaqueta em meu colo, e os fones no ouvido, totalmente desligada do que estava acontecendo ao meu redor. Não foi fácil me despedir da minha mãe, nunca passamos tanto tempo separadas, somos tão grudadas, eu realmente vou sentir a falta dela. Ainda mais quando o Rafa começar a brigar comigo, coisa que eu sei que vai acontecer.
Eu nunca conheci os colegas de apartamento do Rafa, nem os que moram em outras cidades. Eu nunca fui em um evento com ele, nem sei se os amigos dele sabem que eu existo. Os conheço por vídeos, mas não faço ideia de como são na "vida real".
O problema dos eventos pra mim são realmente as pessoas, não que eu seja arrogante, ou nojenta, nem nada dessas coisas. É que eu realmente não sou boa em me comunicar com pessoas que eu não conheço, tenho vergonha de conversar e parecer uma tonta. E fico muito nervosa quando pessoas desconhecidas por mim começam a se aproximar, começo a ficar mexendo nos anéis nos meus dedos, ou se for o caso, abrindo e fechando o zíper da minha blusa, com uma velocidade que poderia entrar no livro dos recordes facilmente. Eu realmente me sinto muito desconfortável perto de pessoas que eu não conheço, e que sou meio que obrigada a interagir e me comunicar. Tenho muita vontade de ir nos eventos, mas eu sei que não vou me divertir, só vou ficar nervosa.
Por ser irmã do Rafa, consequentemente algumas pessoas me conhecem, me seguem nas redes sociais e são realmente muito legais comigo, já fiz algumas "amizades", se é que podemos chamar assim, com alguns inscritos. Por mais estranho que soe tem pessoas com fotos minhas em seus icons no Twitter - As vezes não são fotos bonitinhas - . Mas tem uma coisa com todo esse "reconhecimento" que eu acho realmente muito legal, posso postar coisas e um número maior de pessoas vêem, e eu consigo expor minha opinião, meu pensamento, ou até momentos para as pessoas e realmente consegui-las tocar com eles. Conseguir expandir suas cabeças e até quem sabe indiretamente ajudá-las com assuntos pessoais. Eu acho bem louco e bem legal eu ter a chance de fazer isso, algumas pessoas realmente me ouvem e levam em consideração o que eu digo. E isso tem um peso tão grande pra mim, mas um peso que eu tenho o prazer de carregar. É louco eu ser meio que importante pra alguém - Fora a minha família, é claro -. É um número pequeno de pessoas, mas um pequeno número muito importante pra mim.
Algum tempo se passou e eu já estava indo em direção às escadas do avião, tinha colocado a minha jaqueta, porque aqui fora estava fazendo um frio que eu não esperava. Já tinha mandado mensagem para a minha mãe e estava escrevendo outra para o Rafa avisando que já estava entrando no vôo. O mesmo falou que iria me pegar no aeroporto junto com alguns emoticons que eu duvido que um ser humano normal usaria, mas afinal estávamos falando do Rafael, e se tem uma coisa que ele não é, essa coisa é normal.
Já tinha colocado os fones novamente e Halsey tocava sem parar no mesmo. Por mais curto que o vôo fosse, adormeci com o pensamento de como essas férias, um pouco diferente do habitual vão me fazer bem.
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I'll remember you • Calango(hiatus)
Romance"- Não estamos querendo bancar as cupidos, mas - Sasa fez uma pausa. - Você já conheceu o Calango? - Indagou." Larissa Lange, obviamente, irmã de Rafael Lange, também conhecido como Cellbit. Decidiu sair de sua pacata cidade, para passar as férias...
