Prólogo

9 0 0
                                        

E se eu disser que o fiz outra vez? Que voltei a cometer o erro que mais me prejudica no mundo em que me insiro? Que me dificulta a vida, que me faz ser fria e distante, que me faz agir como alguém que não sou nem nunca desejei ser? Que me faz afastar as pessoas das quais tudo o que eu queria era o seu carinho, o seu mimo, o seu abraço? Oh como eu queria o seu abraço! 

Mas não posso! Depois da asneira feita, só me posso prevenir dos danos que vai causar, o mais rápido possível... Não há dúvida alguma de que é preferível afastar-me e guardar-me no meu mundo por uns tempos até que a tempestade acabe ou pelo menos, acalme ligeiramente.

Isto, para que não me corroa ao ponto de me fazer desacreditar em tal sentimento outra vez! Não dá! Não posso deixar que volte a acontecer! Se o deixar...ai se o deixar, vem também a raiva, a frustração, a vontade de destruir... volto a ser o monstro que sempre quis ocultar. Monstro esse, que só eu conheço mas que é tão poderoso que por vezes não o consigo conter. Ele deita cá para fora alguns indícios da sua existência, deixando todos os que o comprovam bastante confusos.

Nesses momentos, tenho de ser mais forte e acalmá-lo para que pare. Não é que não goste dele, ou que não o queira libertar de vez em quando porque no final de contas, ele é uma parte de mim. É o reflexo de todos os meus defeitos e respeito-o! Não há que ter vergonha dos nossos monstros, todos temos um.  Mas há pessoas que não merecem saber o que desencadeou a existência do nosso. 

Não quero o meu escondido nem nada do género, mas que permaneça meu até que eu decida que possa ser visto por outrem. Assim será, porque é teimoso e tem mau feitio; como eu.

Este revela-se quando me deixo levar pelos meus sentimentos, quando deixo de controlar a distância a que permaneço de certa pessoa... e acontece. Tão fácil, tão rápido que até parece mentira.  Pois é, eu apaixonei-me.       

EuWhere stories live. Discover now