Prólogo

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Estava em casa em meu pequeno cubículo quadrado com paredes de azulejo azul, enrolada em cobertas, lia um livro em meu quarto enquanto a luz se esvaía deixando a escuridão surgir. A porta principal rangeu, revelando uma silhueta feminina por trás dela, uma mulher de altura mediana, pele morena e cabelos ondulados, surgiu acalentando-me um sorriso carinhoso, carregando consigo um saco de compras do supermercado. Senti um peso caindo sobre a cama.
- Olá querida, podemos conversar?
Um silêncio pairou sobre o ar, emiti um ruído e virei para o lado.
-Sinto muito por aquilo, mas você precisa entender, é para o seu bem.
Fale algo, não fique apenas olhando.
Sentia como se não tivesse controle sobre o meu próprio corpo, tentei forçar as palavras a sair de minha boca e nada acontecia.
-É para a sua própria segurança, não quero que nada aconteça de errado com você.
O que aconteceu?
-Desde que perdi seu pai, tenho tentado manter as coisas sobre o meu controle para garantir que nada de errado nos aconteça, me desculpe se exagerei.
Ela tocou em minha bochecha, ao passo em que recuei de seu toque, olhei-a nos olhos e pude perceber a tristeza escondida dentro deles.
Idiota, pare de ser tão dura.
-Quando estava voltando, um cliente me abordou, ele está aqui, irá comprar a casa - sua voz aumentou algumas notas revelando a sua animação - irei lá embaixo chamá-lo para você conhecê-lo.
Algo está errado, mexa-se sua inútil, faça algo, gritava para mim mesma sem nenhuma resposta.
Ouvi passos e de repente os dois estavam no cômodo.
-Conheça ele- minha mãe apontou as mãos na direção do suposto futuro comprador, estava vestido totalmente de preto, com as mãos enluvadas, óculos de sol e jaqueta de couro como acessórios, ele me ofereceu um sorriso.
-Ele não tem nome?- perguntei.
Tudo aconteceu rápido demais, sacou sua arma e deu uma coronhada na cabeça da minha mãe, que caiu por poucos segundos, se recompondo rapidamente, deu vários golpes em seu corpo deixando-o atordoado momentaneamente, porém, em poucos segundos, estava com uma faca acertando-a e senti meus olhos marejarem, seu sangue se espalhava pelo chão enquanto ficava fraca, o agressor se beneficiou do momento abrindo sua boca e inserindo algum remédio nela deixando-a dopada, o indivíduo olhou para mim falando calmamente:
- Não me procure se você quiser ficar viva.
Olhei ao redor, vi objetos quebrados e uma poça de sangue escarlate perto do sofá, lágrimas de ódio caíram por minhas maçãs do rosto. Fui ao closet retirando um moletom, uma blusa simples de alcinha, calças jeans e botas de cano longo, prendi meu cabelo de modo prático em um coque, corri pela escada que levava ao primeiro andar, ao abrir a porta, uma rajada de vento e neve me atingiram e xinguei-me baixinho por não ter colocado uma roupa mais adequada ao frio. Califórnia costumava ser mais quente nessa época do ano. Ao correr pelas ruas, observei que o trânsito da avenida estava congestionado e usei isso ao meu favor, localizei o homem e comecei a persegui-lo, ao olhar para trás e perceber que era eu, começou a correr freneticamente, sendo difícil de acompanhá-lo. O trânsito normalizou e ele entrou dentro de uma limusine preta, com muito esforço e pulmões gritando de dor, finalmente consegui alcança-lo, porém me deparei com duas limusines iguais, uma ao lado da outra, tinha que escolher, parei por um momento e me decidi pela a da esquerda, dei a volta  e braços me puxaram machucando-me. Reconheci minha mãe com seus cabelos castanhos e olhos cansados dentro do carro e percebi também que um par de olhos cinzas me encarava. Minha boca segurava um grito e estava a ponto de soltá-lo.
- Não grite, tenho as respostas que você procura sobre a sua mãe - falou de maneira leviana.
Não podia acreditar, o mesmo cabelo, forma física, timbre de voz, os olhos, não poderia ser coincidência, senti minhas feições tomarem um ar de espanto, meu coração acelerou, como se tivesse visto um fantasma, não conseguia acreditar, eu o conhecia.

Segredos ObscurosWhere stories live. Discover now