"Do fim, ao começo" assim que descreveria minha vida. O porque, você levará algum tempo para saber.
Hoje em dia, os jovens são julgados como se fossem um só, como aqueles reality shows que ajudam as mães a conseguir lidar com seus filhos adolescentes rebeldes. Isso é triste. Muito triste.
Para minha infelicidade, as aulas começam neste mês, mas há algo bom nisso, estou cursando o último ano do ensino fundamental, então, apenas este ano terei de ver pessoas na escola, na rua, no ônibus...em casa. A escola não é ruim, o ruim são as pessoas de lá. Sim, você entendeu direito: Bullying. Eu não sou diferente das pessoas ao meu redor, nem igual, talvez as pessoas não entendem isso.
Tudo começou em meu primeiro ano escolar na escola de São Geraldo. Eu até tinha amigos, e as pessoas não jogavam coisas em mim ou cochichavam algo quando eu passava pelos corredores. Tudo, quase tudo, era raios de sol e borboletas, mas, quando espalhou pela escola inteira uma mentira sobre mim, e já que as pessoas são tão...pessoas, acreditaram. Isso não seria motivo o suficiente para mim "odiar a escola", mas depois disso, tanto os alunos, quanto os professores, me trataram como lixo orgânico. Brigas, houve muitas brigas, todas elas envolviam a mim, e isso era mais um motivo para meus pais desejarem que eu não estivesse nascido.
Meus pais me espancavam, todo dia. Era uma diversão, fazia-lhes sentir vitoriosos. Eles diziam que eles foram criados das mesmas maneiras e por isso são os belos pais que são. Não entendo o quanto o ser humano consegue se estragar, parece algo sobrenatural. Aliás, eu tenho mais dois irmãos e uma irmã: Billy, Joe e Lucy, que por acaso é minha irmã gêmea. Não vou dizer aquele draminha de novela que eu sou a rebelde e ela a patricinha porque não é assim não. Usamos as mesmas roupas escuras, cabelos iguais ( mas o cabelo dela é perfeitamente liso, solto, brilhante...), tons de pele iguais e olhos iguais. Nossa única diferença são os nomes.
Neste ano, 2004, eu tinha uma esperança de vida melhor, mas bem pequena. Em meu primeiro dia de aula, dei uma passadinha na diretoria quatro vezes, todas por coisas que não cometi. Mas tudo bem, estava acostumada. Assim foi meu ano inteiro. Bom quase...
Em setembro de 2004, conheci um garoto, Gil. Ele tinha uma banda, se chamava The Our Rock, e fui a mais nova integrante desta banda, como guitarrista solo e as vezes, cantora. Estava indo bem, até que entrou mais uma pessoa na banda, Jack, ele era novo na cidade. Ele era muito legal e um pouco bonitinho, mas nada demais.
Cheguei ao ensaio mais cedo e encontrei Jack afinando seu violão. Eu queria falar com ele, mas eu não saberia o que dizer. Não que eu estava desesperada para falar com ele, eu só queria falar com ele como um amigo, nada demais. Mas decidi falar com ele, só por educação.
- Olá Jack. - Disse enquanto me aproximava dele.
- Oi Lindy. - Jack colou o violão no chão e se levantou. - Como você está?
- Ah...Estou bem. - Eu não queria deixar a conversa acabar ali. - Bom...J-já que estamos sozinhos, poderíamos conversar, sabe...sobre, nós. - Depois que disse isso, nem mesmo eu acreditei no que disse.
- Ah...O que você quer dizer? - Jack realmente não entendeu o que eu queria dizer. Mas é claro, eu só dizia "sabe, bom, sabe, então" . Mas ele ficou como uma cara do tipo "O que esse bicho quer comigo?"
- Eu...Bem...Nós não conversamos muito depois que você entrou na banda.
- Tudo bem. - Jack pegou o violão e sentou. - Senta aí. - Me sentei e ficamos nos encarando.
- Então, de onde você veio? - Percebi que foi meio ofensivo. - Quero dizer, de onde você é? Sabe, pelo seu sotaque, você não parece ser daqui.
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Lindy Robbies: O começo do fim
Paranormal"Como o fim pode ser o começo? Como Lindy Robbies pode ser nós?" Lindy Robbies: O começo" conta história de uma adolescente de quatorze anos que desde sua infância é espancada pelos seus pais e sofria muito bullying na escola. Mas, como toda a garot...
