Ousada

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"Eu realmente fiz isso?" Era só o que eu conseguia pensar enquanto recuperava o fôlego. Nunca na minha vida achei que eu poderia sentir tanto prazer só de imaginar fazer sexo com alguém. Mesmo que tudo nesse alguém fosse falso, foi a melhor trepada da minha vida. E justo hoje eu estava completamente entediada e chateada.

Quando entrei naquela sala de bate-papo, eu queria me vingar do Igor por tudo que eu tinha descoberto no celular dele. E aí apareceu um convite pra conversar no privado. Que mal tinha? Não era eu, era alguém bem mais descolada que eu tinha inventado só pra jogar na cara do Igor que eu não era uma menina boba como ele disse. Eu podia ser ousada. Eu nem sabia o que fazer direito. Não sabia nem como conversar com um homem. O cara era tão gentil e ainda usava o nome mais lindo do mundo: "Leonardo". Na hora eu fantasiei que era o meu Leonardo e comecei a chamá-lo de Leco.

Sei lá, achei que se um cara fosse falar comigo nesses bate-papos ele já ia querer que eu começasse a gemer, que ligasse a webcam ou mandasse fotos, o que com certeza iria me fazer desligar a conversa na hora. Esse cara não estava com pressa... Ele não estava desesperado pra bater uma punheta pra uma mulher imaginária que ele não podia tocar.

Ele era doce. Tinha bom humor e a conversa foi fluindo. Primeiro as coisas normais; nome, idade, onde mora, tem alguém, como é. Eu tentei ser o mais verdadeira possível, mesmo que ele não fosse em suas respostas. Leonardo me disse que tinha 26 anos, morava em Goiânia, estava no último período da faculdade de medicina e tinha namorada. Nem prestei muita atenção na descrição física que ele me passou. Pra mim ele era o Leco.

A conversa ia girando entre coisas triviais e filosofias da vida e deslizava suavemente dos dedos com algumas pitadas de ambiguidade que sempre levavam ao assunto principal: sexo. E eu nem sei como eu conseguia entrar naquele jogo e provocar determinados assuntos, fui entrando no jogo e quando percebi já estava dominando a parada.

"Você já fez sexo por aqui com alguém, Nina? Não, né?!"

Eu não queria mentir. Mas caramba Leco, você não! Você não podia me achar ingênua. Eu sou ousada! Além de tudo, a única pessoa que me chamava de Nina era o meu Leco ... Aquilo me deixou atônita.

"Já"... Digitei sem mais explicações. Ele só respondeu: "Confesso que esperava que você dissesse que não, mas ter alguma experiência é bom..."

Então ele começou a me dizer pra eu imaginar e me tocar. Nós juntos, nos encontrando a primeira vez, ele vindo me visitar em Florianópolis. Eu o encontrando no saguão do hotel onde ele estaria hipoteticamente hospedado, subindo no elevador, os olhos dele me devorando. Imaginando se eu estava de calcinha ou não embaixo da saia, a mão dele agarrando a minha cintura enquanto eu baixava o olhar pra entender aquela mão grande e quente, acariciando a minha cintura. Ele se aproximando mais e quando voltei o olhar pra ele, senti seu hálito fresco, quente, úmido. Seu rosto a menos de um palmo do meu. Ele envolveu minha boca com seus lábios e eu gemi. Eu realmente gemi...

Ele então começou a beijar meu pescoço e foi descendo lentamente sustentando o olhar no meu, as mãos apalpando meus seios, que apesar de fartos se encaixavam perfeitamente na sua palma. Ele seguiu descendo, me beijando, me lambendo, com as mãos brincando pelo meu corpo e me encarando.... Ele nem tinha começado a esquentar a cena e eu senti meu corpo explodir em diversas cores... E ele não parou...

Me virou de costas, levantou a minha saia e constatou que eu realmente estava sem calcinha (isso foi um pouco mais difícil de imaginar, porque era eu né?! Mas essa nova Marina é ousada, então ok!). Seus dedos ficaram brincando na minha coxa, subindo até meu ventre e voltando. Acariciando cada centímetro da minha pele enquanto sua língua brincava na minha vagina. E então seus dedos foram brincar junto com a língua e eu explodi uma segunda vez (eu nem sabia que podia fazer isso).

Ele abriu sua calça jeans e me penetrou. Quando ele fez isso não sei como eu senti meu corpo todo se eletrificar, até partes que eu nem sabia que podiam se acenderam e cada célula do meu corpo gritava "Leco..."

Continuamos brincando mais um pouco com a imaginação até que ficou tarde demais e eu estava realmente exausta e extasiada. Trocamos telefones e demos boa noite. Ainda acho que depois disso sonhei.

Ao acordar, um lapso de juízo anuviou a minha mente. Peguei o celular com pressa e reli toda a conversa. Caramba! Eu tinha realmente feito aquilo. Eu sou ousada, Igor! Mas não... Esse pensamento durou apenas alguns segundos e logo me bateu a culpa. Tecnicamente eu não terminei com o Igor e aquele cara tinha uma namorada. Uma namorada que se descobrisse ia ficar tão triste quanto eu fiquei. Por que eu tinha imaginado que pagar na mesma moeda daria algum alívio? Eu não era ousada. Eu era igual à piranha que eu tinha visto nas fotos no celular do Igor. Se a namorada daquele cara lesse as coisas que escrevemos um pro outro sairia muito magoada. Mais uma vez eu tinha magoado demais alguém que eu nem sabia quem era. Parabéns, Marina! Você sempre consegue magoar alguém.

Já ia mandar uma mensagem pro cara e só então reparei que ele não tinha mentido. O nome dele realmente era Leonardo e a foto do perfil despertou uma urgência que eu nem sabia que sentia mais. E uma tristeza que estava esquecida. Ele era muito parecido com o meu Leco. Moreno, rosto simétrico, maxilar avantajado, sorriso doce e olhos pequenos, intensos e brilhantes, de um mel quase límpido. Dava para notar pela foto que os ombros eram largos e imaginei como deveria ser todo o resto. Foca na mensagem e acaba com essa culpa, Marina!

A porta do meu quarto arrebentou num estrondo, batendo na parede e voltando enquanto a Amália entrava no meu quarto.

Chegaste ao fim dos capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Nov 06, 2016 ⏰

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