Prólogo

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Estou em uma cidade pequena, e está nevando. Eu adoro neve. Caminho pelas ruas molhadas, passo por árvores e casas que estão cobertas com uma camada fina de gelo.

Olho a minha volta e as casas estão enfeitadas cheias de luzes piscando e alces nos telhados organizados para conduzir velhinhos barbudos e rechonchudos de roupa vermelha. Estou a caminho de nenhuma casa em especial, mas quando vejo uma que tem o mesmo tom da neve que permanece caindo, algo nela me chama atenção - além do fato de ela ser a maior e mais sofisticada da rua - ela é a única que não está decorada. É o tipo de casa que deveria estar em um condomínio privativo, mas não tem grandes portões nem nada impedindo a entrada e parece vazia, portanto caminho em sua direção e entro sem muita dificuldade.

Por dentro ela é mais bonita do que eu havia imaginado: o piso de madeira Ipê, a moderna lareira a gás preta, o lustre de cristal em um formato espiral, os tapetes persa que tenho certeza que foram mais caros que meus órgãos e a mobília impecável.

Olho acima da lareira que contém alguns retratos de uma mulher, e a cada foto ela está em um lugar diferente - claramente fez muitas viagens.

Caminho pela sala e no canto direito vejo um espelho Versailles deslumbrante, ando em sua direção até dar conta que agora sei quem é a mulher das fotos.

Sou eu. Fico pasma.

De repente ouço um barulho vindo da cozinha e viro rapidamente. Mas não rápido o suficiente.

Aquele rosto incrivelmente familiar está me olhando com uma cara maligna, repugnante, e só consigo sentir medo.

Ele pega uma arma.

- Não tenha medo princesa, eu nunca vou te machucar.

Então ele atira no meu peito esquerdo. Sinto a bala atravessa-lo e chegar até meu coração, que começa a queimar. Tudo a minha volta começa a desmoronar sobre mim, e a única coisa que consigo fazer é ficar parada, vendo tudo ir ao chão.

Um som estridente de fundo me assusta, e tudo fica preto.

Levanto com um pulo pelo susto e olho ao redor.

O relógio marca 3:05 A.M

Um sonho. Foi apenas um sonho. Repito para mim mesma incansavelmente.

Um sonho. Apenas isso.

Eu tento me convencer disso nas horas seguintes, mas no fundo sei que é muito mais do que isso.

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