'' Quando eu acordei hoje de manhã, eu sabia quem era, mas já mudei muitas vezes desde então.'' ~ Alice no País das Maravilhas
Eu estava vendo TV com o meu pai e o tédio estava me matando, então resolvi ir dormir.
Não consegui. Cobri a cabeça com o travesseiro numa tentativa inútil de não pensar em Mark. Quando ia falar para ele? Amanhã? Não. Semana que vem? Talvez. Nunca? Provavelmente! Adormeci pensando nisso.
Acordei atrasada para a escola na manhã seguinte pela noite ruim de sono que eu havia tido. Por essa razão, eu perdi minha aula de português e fiquei esperando um século para poder entrar na escola e, para piorar, como eu não tinha entrado na sala, não consegui entregar para a professora um trabalho que eu levei horas para fazer.
Decidi, então, entrar na sala depois do sinal tocar para entregar o trabalho. E assim fiz.
Quando cheguei na sala, adivinha quem estava lá? A última pessoa da Terra que eu queria ver naquele dia (apesar de saber que seria inevitável): Mark! Claro que Mark tinha que aparecer!
Como é que esse cara conseguia estar nos mesmos lugares que eu toda hora? Parecia que ele tinha um imã que, onde quer que eu estivesse, se atraía por mim. E ele, como sempre veio falar comigo:
''Eae Mary? Tudo bom?'' E eu respondi, gaguejando:
''Tou b-bem e voc-cê?''
''Tou tranquilo. E...'' Cortei a frase dele, dizendo:
'' Mark, a conversa tá boa e tal mas a professora tá saindo para o intervalo e eu preciso falar com ela. Desculpa.'' Acho que essa foi a frase mais completa que eu havia conseguido falar para ela naquela época. Ele até se espantou pois, de acordo com ele, ele pensava que eu tinha algum problema de fala.
Saí correndo atrás da professora, a entreguei o trabalho e expliquei a razão de eu ter me atrasado.
Voltei para o corredor da escola, fiquei vagando e pensando, será que fiz a coisa certa cortando a frase dele ao meio? Afinal, eu (apesar de não admitir) estava criando desculpas para não falar com ele fazia muito tempo. Parei de pensar nisso pois o sinal tocou e eu tive que voltar para a minha rotina.
Depois da aula de história, que sempre me deixava sonolenta, o sinal para o fim das aulas tocou e eu não tive pressa para chegar até a saída, mas parei abruptamente pois me lembrei de pegar um caderno que eu havia esquecido no meu armário.
Voltei o mais rápido o possível para pegar o caderno e, quando fechei a porta do meu armário, quem apareceu de novo como um passe de mágica? Mark Schraviere. Fiquei meio paralisada e só aí eu lembrei que, antes de ontem, ele havia mudado de armário e o armário dele era ao lado do meu. Que ótima coincidência! Eu já estava me virando para sair de fininho mas...
"Oi Mary, que bom te ver! Eu estava mesmo querendo falar com você!'' Não, não,não,não, NÃO! Por quê isso acontece só comigo?
"Ah, eerr, o-oi Mark, eu queria muito te convencer, quer dizer, conversar mas eu t-tenho que procurar o meu li-livro de hist-tória"
"Não é esse que está na sua mão?" Mas que coisa!
"É mas, eu.... eu tenho que encontrar umas amigas na cantina''
"Ah! Que bom! Eu também estava indo pra lá! Vamos, eu te acompanho!"
O mundo conspira contra mim! Ele continuou falando comigo como se ele não percebesse que eu estava evitando-o:
'' E aí? Como é que está a vida?"
"B-bom, normal né? E a minha? Quero dizer, a sua?"
"Tirando todas as tarefas chatas que os professores passam, eu tô legal! E foi aí que ele veio com uma bomba:
"Mary, eu tava querendo falar com você.... Eerr... posso perguntar?" E essa foi a primeira vez que eu vi o Mark se atrapalhar com as palavras mas, como eu era muito curiosa, falei:
"T-tá bom n-né. " E, bem nesse exato momento, a chata da minha irmã gêmea chegou:
"Oi mana! Oi Mark!" E eu falei:
"Aff Mariana! Não enche!" E então, o Mark chegou bem perto do meu ouvido e falou, só para mim ouvir:
"Me encontra amanhã depois da aula no ginásio, eu preciso falar com você" E foi embora. A Mariana, como sempre xereta, perguntou:
"O quê ele falou?" E eu disse:
"Não vou dizer! Não vou dizer mesmo!" E ela disse, querendo me irritar:
"Fala, fala, fala, fala, fala, FALAAAAAAA"
"Não vou e ponto final!"
Ela saiu emburrada para a sala dela e eu fui toda feliz em direção à minha sala. No caminho, fui pensando em coisas que o Mark poderia fazer comigo mas que eram bem improváveis:
1- ele poderia dizer que gosta de mim
2- ele poderia me beijar
3- ele poderia me pedir em namoro
O tempo entre um dia e outro passou como se a minha tartaruga de estimação estivesse puxando o ponteiro do relógio. E, como eu estava distraída, tirei uma nota ruim no teste de matemática.
Finalmente o último horário havia acabado e eu fui correndo contra a multidão de pessoas que estavam indo embora. Cheguei lá em tempo recorde e, incrivelmente ele já estava lá.
Mas, percebi que tinha alguém atrás dele. Demorei um pouco para reconhecer pois eles estavam longe de mim mas percebi que era a Mariana. Quase não acreditei! Como eu pude imaginar que ele gostava de mim?
BLAM! O zelador não havia percebido que havia pessoas no ginásio e fechou a única maneira que eu tinha de sair sem ser percebida por eles. Agora, eu só poderia sair se eu passasse bem ao lado deles. Decidi tentar fazer com que eles não me percebessem e fui andando de mansinho na direção deles.
Quando eu estava a 4 passos da porta, o meu colar decidiu arrebentar e caiu no chão, fazendo barulho e fazendo, também, com que os dois olhassem para mim. Eles se viraram e a minha irmã estava com um sorrisinho irônico no rosto, enquanto ele olhava para nós duas com uma grande confusão em seu rosto. E, percebendo isso, minha irmã aumentou o sorriso e disse:
"Mary! Adivinha o quê o Marksinho aqui acabou d fazer? Ele me convidou para ir ver uam tal de Legião Urbana não é Mark? "
Aquilo doeu, e eu, apesar de tudo, ainda tinha esperanças de tudo ser um mal entendido. Percebi, naquela hora, que não era. E pior, eles iam ao show de uma das minhas bandas favoritas! Por quê eles tinham que estragar isso também?
"Mary, eu... eu..." Não deixei Mark terminar a frase:
"Tudo bem Mark, vocês realmente têm muito em comum!" E saí correndo.
Por quê? Por quê isso tinha que acontecer comigo? Eu fui correndo para a rua. Estava chovendo muito, mas eu não me importei pois assim ninguém ia perceber as minhas lágrimas. Fui atravessar a rua e tropeçei. A última coisa que eu vi foram luzes vindo em minha direção...
E aí? Oq acharam? Ficou bom?
Gostaria de lembrar que fiz essa história juntamente a uma amiga minha chamada Melissa.
Bjz
ŞİMDİ OKUDUĞUN
Através das Portas do Destino
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