Uma história verídica de um garoto que nasceu em uma comunidade de São Paulo, atualmente luta para ter seu sonho realizado e dar uma condição de vida melhor para ele e sua família.
Designer da capa: @djmatheusvitorio
São Paulo, 21 de novembro de 1996, nasceu um menino que não sabia como a vida seria difícil.
Meu nome é Aleksander, hoje com 20 anos e nos primeiros anos da minha vida tudo estava bem, eu lembro que jogava sonic no vídeo game e lembro quando eu e meu irmão estávamos brincando muito com um cachorrinho que ele quase morreu de tanto brincar com a gente, eu brincava na rua com outras crianças do bairro, corria sempre nos becos e vielas da comunidade e para mim isso era felicidade, ficávamos até tarde jogando bola na rua e com as mães sentadas nas cadeiras olhando seus filhos brincarem, nossas mães já sabiam que a situação de quem vive na favela era difícil, ficavam preocupadas se algum dia as coisas iriam melhorar, e nós crianças que não sabíamos direito de como era a situação, para nós tudo estava bem.
Eu lembro das muitas vezes que chegava da escola e já saia para rua, às vezes junto com meus primos e muitas vezes meu irmão também ia, enquanto estávamos nos divertindo com outras criança passava aquelas músicas no bar, músicas essas que eram da banda djavu e DJ Juninho Portugal e do rasta chinela também passava, ao mesmo tempo nós cantávamos e corríamos, uma festa de criança naquela época também era divertida, sempre tinha aquele momento de pegar brigadeiro antes do parabéns.
Eu lembro das muitas vezes que eu, meu irmão e juntamente com meus primos, andávamos pelo bairro de bicicleta e falávamos que aquilo era uma "volta ao mundo" e não podemos esquecer da época da Lan house que só íamos para jogar gta San Andreas, MU e também jogávamos muito counter strike.
Na comunidade tinha um vendedor de dvd's e jogos piratas de play 2 onde comprei muito jogo lá, depois que tinha ganhado meu play 2 eu quase não saia para rua mas ainda sim aproveitei bastante, eu comprava muitos chicletes e salgadinhos e o dolly custava R$2,00 reais naquele tempo, já subi muito em árvores e muros pela comunidade, já fiz muita coisa doida com meus primos e irmão, como por exemplo apertar a campainha das casas e sair correndo, fazer arminha de cano com bexiga e colocar pedra e atirar nos telhados, tacar gelo nos carros quando eles passavam e fazer trotes.
Naquela época a felicidade estava nas coisas simples de quem vivia na favela, para as crianças tinha o bicho virtual, aquele jogo que dizia ser 9999 jogos em 1 sendo que era mentira.
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Os salgadinhos tinham brindes muito legais, tínhamos muitas cartas do yu-gi-oh! e bey-blade.
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Depois de alguns anos eu comecei a ter uma noção melhor de como as coisas eram difíceis, quando pedia para minha mãe comprar algum brinquedo ou coisa de comer e ela não podia porque não tinha dinheiro, isso me deixava triste, meu pai quase não viu eu e meu irmão crescer por trabalhar muito para nos dar uma vida melhor, ele tinha dois trabalhos e por conta disso não conseguia passar o tempo com a família, minha casa era pequena e ao lado de um esgoto e algumas noites entrava ratos e baratas em casa, uma vez choveu forte que foi a primeira vez que enfrentei uma enchente na vida e minha mãe chorando por não saber o que fazer e meu pai trabalhando e não sabia que estava tendo enchente na comunidade, daí eu comecei a querer que o tempo passasse logo porque pensei que as coisas iriam melhorar mas estava errado e me arrependo de desejar ter crescido logo.