Capítulo 1 - Morte silenciosa

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A noite era de muita chuva. O céu, carregado com nuvens negras, castigava a terra com seus relâmpagos, os quais eram a única fonte de iluminação. Um mar em forma de gotas caía sobre a cidade de Monttevyr. A água escorria pelas ruas e beirava a calçada das casas. Os habitantes procuravam loucamente tapar as frestas das portas para não terem suas casas alagadas. Os mais desesperados eram os comerciantes, que temiam perder suas mercadorias. Colocavam caixas de frutas, roupas, sacos de trigo, especiarias, tudo em cima de mesas para não estragarem com a possível inundação.

Monttevyr costumava ser uma cidade pequena, mas quando os mercadores e caixeiros-viajantes descobriram a cidade, que não pertencia a nenhum reino ou nação, decidiram se mudar para ela. Com isso, a cidade, mesmo tendo um território bem pequeno, comparado a outros países, passou a ter uma população relativamente grande, virando um porto comercial conhecido por muitos. Isso também explica o fato de que a cidade tem ruas extremamente estreitas, devido às várias tendas de comerciantes em frente as suas casas, mal cabendo assim um carro de bois, ou uma carroça de um nobre. Para isso, usavam ruas feitas especialmente para eles, sendo mais largas que a maioria. Eram as vias principais.

Várias lamparinas penduradas pelas paredes das casas iluminavam a noite chuvosa. Algumas estavam apagadas devido o vento e o frio, mas as restantes continuavam a orientar quem se encontrava perdido no lado de fora. Seguindo as lamparinas, era possível chegar no centro da cidade. Rodeado por um círculo de vários prédios, lá se encontrava imponente o castelo dos Espadachins. Uma grande construção de pedra, cercada por uma muralha muito alta, na altura de pelo menos doze metros. O prédio mais perto da altura do imenso muro era a residência do representante da população de Monttevyr, a qual tinha pouco mais de dez metros. Poucos podiam entrar lá. Até mesmo o representante só entrava algumas vezes por ano. Somente quem tinha livre acesso aos portões do castelo eram os soldados e Espadachins, os quais eram a maior força da cidade. Eles protegiam os portões da frente dia e noite, fazendo chuva ou sol. Até mesmo as muralhas tinha corredores e janelas para sentinelas, fazendo dela um imenso corredor que cercava o castelo.

Muito especulava-se sobre o que havia dentro das dependências da fortaleza. Alguns acreditavam que o lugar abrigava muitos mistérios tais como tesouros, monstros e até mesmo pessoas. Muitos afirmavam mas os poucos que sabiam não ousavam abrir a boca. E todos que entraram foram executados. Embora isso deixasse muitos habitantes com medo, os soldados eram tão simpáticos e prestativos que acabavam por esquecer dessas atrocidades.

Mas mesmo sob a pena de ter a vida ceifada, havia alguns loucos que ainda optavam por se aventurar. Mesmo naquela noite chuvosa, uma pessoa andava pela rua, com uma capa preta comprida que cobria todo o corpo além de um capuz que escondia seu rosto. Ele andava no meio de uma das vias principais, a qual dava diretamente para o imenso portão de madeira da muralha. Ele viu os dois soldados totalmente ensopados pela chuva e então se aproximou.

–Alto –Gritou o soldado à esquerda –Pare onde está –levantando suas lanças eles ameaçaram o estranho viajante que apenas recuou e deu as costas. Com certeza ele precisaria de uma estratégia melhor.

Depois de virar algumas ruas, ele se virou para uma pequena casa e a escalou como se fosse uma pequena pedra. Logo depois saiu correndo por cima das casas, pulando e escalando os prédios mais altos. As telhas de barro iam fazendo um barulho bem alto que incomodaria as pessoas se o som dos trovões não mascarassem o mesmo. O estranho era ágil e habilidoso já que em nenhum momento ele sequer escorregou, mesmo as telhas estando encharcadas. Depois de muito correr, finalmente chegou no topo da casa do representante. Era uma casa bem grande, onde ele morava junto com sua família e seus criados.

Após ver a distância entre o muro e a casa ele parou. Era longe demais para apenas pular. Ele hesitou mas apenas se virou e voltou alguns metros e olhou para seu objetivo. Após correr bastante para tomar impulso ele pulou, porém, seu salto foi alto demais para um ser humano, àquela altura e distância, apenas se chegaria voando. Enquanto estava no ar, tirou detrás de sua cintura um pequeno machado, o qual usou de gancho para pendurar-se na janela de um sentinela. Com um movimento ágil, entrou e, por sorte, não viu nenhum guarda, o que lhe deu uma certa vantagem.

Enigma (Projeto TAV)Where stories live. Discover now