— Manuela, eu juro que se você não levantar dessa cama você vai tomar banho aí mesmo!
Um grito? Era um grito da minha mãe de novo? Jura que eu dormi outra vez?
Bocejei.
Talvez tenha sido um pouco mais alto do que deveria, mas o importante é que eu levantei.
Me espreguiçei ao lado da cama e me curvei para o criado-mudo, apanhando meus óculos e os colocando. Eram gigantes, daqueles estilos de fundo de garrafa.
Porque entre meus três irmãos eu fui a sorteada para ter a maldita furacão miopia?
Vesti meus chinelos e fui até a porta, pegando a toalha ao lado na penteadeira e caminhando como um robô até a porta do banheiro. Entrei e me despi, evitando olhar no espelho.
Eu tinha aquele mesma imagem na minha foto do perfil do facebook, então não era algo tão grandioso assim.
Apenas um cabelo parecido com a vassoura da minha avó e as malditas bochechas do fofão – sem contar o aparelho e os óculos.
Por sorte, Deus me fez sem espinhas, o que eu agradeço todas as manhãs.
— Obrigada Deus por mais um dia sem espinhas! — lembrei-me.
[...]
Quando desci para o café, estavam todos atacando a mesa com os pães e frutas. Isso porque ainda eram 7h da manhã.
Gabbe estava sorrindo enquanto digitava no celular, Bruno dava risada de uma possível piada de Léo. O mesmo também ria. Minha mãe tomava café enquanto conversava com minha avó.
Gente, porque estão todos felizes? São 7h da manhã. Eles não deveriam estar sorrindo!
— Manuzinha! Finalmente em? Pensou mesmo que iria se livrar da escola nova hoje? — exclamou Gabbe, sorrindo com seus dentes perfeitamente alinhados.
Revirei meus olhos e me joguei na cadeira que estava vazia.
— Ah, não vai ser tão ruim assim, querida. Você vai ver! — agora foi a vez da minha mãe dar as suas palavras de consolo.
Peguei uma torrada com manteiga e me servi de café.
— Mãe, você sempre diz isso e isso só piora a situação.
— Só estou tentando ajudar! — pousou a mão no peito de forma dramática.
— Então não tente!
Bufei impaciente e finalmente todos da mesa silenciaram.
Quando me preparei para sair, ela se aproximou e me deu um beijo na testa. Colocou uma nota de vinte reais no meu bolso do casaco e sorriu.
— Boa sorte lá, não conta para o seu pai!
Confirmei com a cabeça e Gabbe me chamou. Coloquei a mochila nas costas e segui. Da cozinha, vovó gritou:
— Faça amigos!
Mordi meu lábio e continuei seguindo Gabbe.
A escola ficava a alguns quarteirões de casa, mas era super tranquilo para ir e voltar a pé.
Era bem diferente do que eu pensei: muros por todos os lados e um edifício de dois andares enorme.
Eu me perderia ali facilmente.
— Vamos fazer o seguinte, vou te levar para a sua sala e na hora do intervalo você fica comigo, okay?
— Okay. — confirmei quando passamos pelos portões, sendo vítima de muitos olhares. Em geral femininos, até porque pelo que sei Gabbe é bem popular aqui. — Não vai me mostrar a escola? Gabbe, sério. Se eu for até o banheiro nunca mais serei achada!
YOU ARE READING
Anticlimatico
Teen FictionSe já era estranho pra mim ter que viver no meio de adolescentes ridículos e metidos, imagina ter que me mudar para outro lugar com mais adolescentes ridículos e metidos ainda? O.k, talvez eu esteja me precipitando um pouco. Mas me diz: existe um co...
