Percebi o que estava acontecendo com o grito da minha mãe. Tinha uma luz muito forte vindo em nossa direção, não consegui ver o que era, senti uma dor forte no peito, fechei os olhos e senti meu corpo chaqualhar como se fosse um boneco de pano na mão de uma criança. Quando abri os olhos vi a pulseira da minha mãe mas não consegui achá-la, senti o sangue escorrendo no meu rosto e não consegui ver nem ouvir mais nada.
23/04/1997
Acordei deitado em uma maca de hospital. Olhei a procura dos meus pais mas só consegui ver pessoas quase tão mortas quanto eu.
A tarde meu avô, Juvenal, chegou, não entendi, mamãe o odeia e o papai também, o que ele estaria fazendo ali? Por que ainda não vi meus pais?
Juvenal estava conversando com a enfermeira que veio trocar meus curativos mais cedo. Me assustei pois ele estava vindo na minha direção, ele estava triste, ficou muito tempo em silêncio até que decidiu falar.
-Guilherme....tenho uma notícia para te dar, agora você vai morar com o vovô.
Ele falou como se isso fosse algo bom, meus pais não gostavam do meu avô por um motivo, ele ficava bêbado e agredia a mamãe e minhas tias. Por que eu tenho que morar com ele?
Algo muito ruim aconteceu, e eu não gosto de imaginar o que é. Depois que Juvenal me deu aquela péssima notícia não tive reação, ele saiu e voltou a conversar com a enfermeira, mas o q eles conversaram tanto?
29/04/1997
Agora que sei que sou órfão e serei criado por Juvenal, minha vida está um caos.
Lrembro-me que á duas semanas atrás estava com a Nath, ela é ou era a minha melhor amiga, estava tudo tão bem, tão calmo, tão feliz, e agora está assim, um caos.
22/04/2000
Juvenal, como previsto me abandonou, eu só voltava pra casa para dormir.
Estava saindo da faculdade, passei numa loja para comprar uma cerveja, pois eu odiava esse dia, me lembrava a morte deles.
Eu estava andando sem rumo, só queria esquecer de tudo. Escutei um pedido de socorro e fui em rumo a voz, de uma mulher, ela estava sendo espancada num beco por um homem bêbado, veio a imagem do Juvenal batendo na mamãe, quando olhei eu estava com as minhas mãos na garganta do homem, ele estava roxo, eu gritei para mulher correr, ele estava morto. Eu nunca tinha feito mal para ninguém e do nada eu matei um bêbado na rua. Limpei todos os vestígios das minhas digitais do corpo do homem, fui para casa arrumei minhas coisas comprei uma passagem de trem e fugi.
4/04/2000
Cheguei em Goiânia, decidi investigar a morte dos meus pais, nunca tive coragem para isso antes mas agora eu sinto que eu posso fazer qualquer coisa, aliás o pior que eu poderia fazer a alguém eu já fiz.
