Meu nome é Isabela Fernandes e eu tenho 17 anos, sim, 17 anos. Mas o que uma menina de 17 anos pode contar, né? Não viveu nada ainda... Errado! Comecei minha história desde que nasci em 1999.
Eu estava na 4° série, tinha exatamente 10 anos, era meu último ano em uma escola pequena, tinha um grupinho de amigas. Infelizmente tivemos que nos separar, cada uma iria para uma escola diferente. Eu não sabia que tudo mudaria no ano seguinte... Coitada, garota inocente.
Era meu primeiro dia na 5° série, fui cheia de alegria, caderno de matéria e novos professores para conhecer. Entrei na minha turma atrasada e todos me olharam, passei direto para o fundão e até o intervalo já tinha feito duas coleguinhas. Andei com elas no intervalo inteiro, sorrimos e sabíamos que pelo resto do ano ficaríamos juntas. Na minha sala tinha um garoto grandão, ele nem parecia ser da 5° série. Ele era branco, um pouco gordinho e tinha bochechas vermelhas. Eu usava óculos desde minha 1° série, uma garota que usa óculos na nossa sociedade já logo chamada de "nerd" ou até mesmo "atriz pornô". Esse tipo de apelidos não são engraçados. A minha professora de português via um potencial enorme em mim, eu era esforçada e tirava notas boas, ela me elogiava bastante. Os meninos viam isso em mim e então eles começaram a me provocar. Até aí tudo bem, certo? Errado! Espero que vocês tenham em mente que cada pessoa reage a certos tipos de "brincadeiras" de forma diferente. E então, as "brincadeiras" que eles faziam comigo começaram a sair de controle, eles começaram a me empurrar, a me chamar de 4 olhos, feia, magricela, descabelada... Eu estava vivendo um verdadeiro INFERNO. Até que um dia, aquele grandão que mencionei para vocês me provocou no intervalo, eu saí correndo atrás dele e isso não deu certo. Eu caí no meio da escola na frente de TODOS. Ele começou a rir de mim bem na minha cara, comecei a chorar muito e em poucos minutos, tinha muitos alunos em minha volta. Até que um inspetor me pegou no colo e me levou para sala. Quando eu estava no chão me sentia uma fracassada, uma FRACA, o que eu estava pensando? Correndo atrás de um menino porque ele me provocou... Por favor, né? Mas estava farta das brincadeiras, do quanto pedia pra ele parar e nada acontecia. Com a queda acabei fraturando meu braço esquerdo. No outro dia fui toda enfaixada para aula, meus joelhos todos ralados e eu mancava e ele estava lá... De boa e continuava um tormento. Até que um dia...
Eu estudava pela tarde, estava almoçando na sala sozinha até que eu não conseguia engolir a minha comida, bateu uma falta de ar e um desespero, saí para fora de casa achando que estava morrendo. Estava sufocada, até que sentei no chão e fiquei me perguntando "o que tá acontecendo comigo?" e essa angústia não passava, entrei no quarto da minha mãe chorando falando que não me sentia bem e ela logo se preocupou comigo. Fez milhares de perguntas pra mim e eu não conseguia nem falar, então ela pegou um copo de água e falou algumas coisas para me acalmar, ao pouco fui voltando ao normal, minha respiração foi se acalmando, já conseguia falar sem desespero. Mas estava com muito medo e não resolvi ir para escola. Diariamente essa falta de ar e esse medo em excesso foi me pegando, foi tomando conta do meu ser, todos os dias eu faltava aula por não me achar capacitada para ir. Passei exatamente 1 mês sem ir pra aula, estava com insônia, não conseguia comer e me sentia vazia, pra piorar a situação, eu praticava a automutilação. Tinha feito 11 anos, eu era uma criança e não sabia o que estava acontecendo com meu organismo, não entendia porque ele não reagia. Comecei a fase mais difícil da minha vida. Estava desmotivada, odiava minha vida e frequentemente me perguntava o motivo de ninguém querer socializar comigo, e aquelas colegas? Poxa, me deixaram na mão. Mas hoje eu entendo, jamais culparia elas, elas eram umas crianças e não entendiam bem, assim como eu. Não entendia aqueles sentimentos todos e estava confusa, estava ansiosa e angustiada. Constantemente sentia um nó na minha garganta e um nó na minha cabeça. Eu estava sensível demais, só queria ficar deitada e ver televisão, mas nada que acontecia me agradava, me deixava alegre. Resumidamente, estava no fim do poço.
Eu estava em uma tristeza sem fim, não saía de casa e não queria que minha mãe trabalhasse, toda vez que ela se arrumava eu começava a chorar. Muitas vezes ela tinha que me deixar dormindo para ir trabalhar. Ela sempre comprava lanches pra mim e eu nunca comia, dava umas duas colheradas e rejeitava o resto. Quando eu saía de casa começava a passar mal e meus pais me acalmavam. Era sempre assim... Então, um dia minha mãe marcou uma consulta com uma psicologa. Até que ela detectou o meu problema, eu estava com síndrome do pânico. Ela então trabalhou minha autoestima, me ensinou como poderia me acalmar sozinha em um ataque e por fim, passou um remédio. Quase não tomava o remédio porque morria de medo em entrar em dependência. Praticava o exercício que ela me passou e minhas crises foram diminuindo.
Voltei para escola, minha mãe conversou com todos os professores e eles decidiram mudar-me de turma. O moleque me deixou em paz e comecei um novo ciclo de amizades, as meninas eram boas comigo.
Hoje em dia ainda tenho algumas "sequelas" que levo comigo, sou muito ansiosa. Tento controlar o máximo possível sem depender de remédios e quando vejo que estou perto de ter um ataque na sala, peço para sair e bebo água e penso em coisas boas. Nem sempre dá certo e então peço autorização para ir pra casa. Mas tudo é uma questão de controle.
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Setembro amarelo
Short StoryDia 10 de setembro é a prevenção contra o suicídio, como a maioria de vocês sabem, muitas pessoas se suicidam todos os anos por problemas pessoais. Parei de escrever meu outro livro para falar uma história que aconteceu comigo. Estou fazendo isso co...
