Capitulo 1

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Lá estava ela, com aquele sorriso no rosto, aquele sorriso que dizia que ela estava realmente feliz com algo que alguem disse.
O vento bateu no seu cabelo curto. Eu queria poder toca - los e senti - los entre meus dedos, queria que ela olhasse pra mim como estava olhando para a menina a sua frente, queria que me olhasse como se eu fosse algo precioso.
A garota sorriu pra ela e falou algo em seu ouvido que a fez gargalhar.
- Becky. - minha melhor amiga, Celeste, estava vindo na minha direção com seus cabelos dourados balançando ao vento.
- Oi - disse saindo totalmente do meu devaneio.
Levantei da cadeira e ela me puxou para um abraço de urso.
- Como você está diferente. - ela me largou e sorriu. - mas de um jeito fabulosamente maravilhoso.
- Nona - era um apelido que eu havia dado a ela quando tínhamos 5 anos - se passaram apenas 4 meses.
- 4 longos meses, pra começo de conversa. - ela disse e pegou minha mão.
Eu sorri para ela e ela retribuiu.
- Aconteceu algo de novo enquanto eu estava fora?
- Nada. - ela disse com desânimo.
- Nada? - eu insisti.
- Uma garota desapareceu, mas foi apenas isso.
Eu olhei para ela e sorri.
- Não - ela sabia exatamente o que eu estava pensando. - Nem pensar. Não vamos investigar.
- Por que não? - fiz cara de cachorrinho abandonado e ela sorriu.
- Não caio mais nessa. - ela disse e apertou minhas bochechas. - e respondendo sua pergunta, não vamos investigar, porque não temos mais 8 anos.
- Por favor. Uma noite. - implorei.
- Não, vamos ir ao cinema ou em uma balada, como adolescentes normais. - ela me olhou determinada. - Nada de investigações.
- Você é muito má comigo. - eu disse e a olhei com uma raiva fingida.
- Mas você me ama. - ela sorriu e piscou os olhos com ar de inocência.
- Nunca disse isso. - eu a olhei pelo canto do olho e sorri.
- Idiota. - ela me deu um soco leve no ombro.
Olhei para o outro lado da rua e a garotas dos cabelos curtos me encarava.
Ela era linda. Era uma beleza que não dava para descrever.
O canto da sua boca subiu e ela me lançou um meio sorriso.
- Nona - disse desviando o olhar e virando para minha melhor amiga.
- Sim? - ela levantou a cabeça e me olhou.
- Quem é aquela garota do outro lado da rua? - perguntei.
Ela varreu os olhos pela calçada e me olhou.
- Que garota?
Olhei, mas a garota havia sumido.
- Nada, esqueça.
- Okay. - ela me olhou nos olhos. - Vamos sair daqui.
- Minha casa? - olhei para ela e fiquei encarando.
- Não. A minha está vazia, vamos para lá. - ela pegou minha mão e começou a caminhar apressadamente pela calçada.
- Calma, temos tempo.
- Não tempo o bastante. - ela sussurrou.
Paramos na frente da casa dela, não havia mudado em nada, eram as mesmas telhas, as mesmas janelas. Tudo aquilo me lembrava minha infância.
Celeste procurou as chaves no bolso e colocou na fechadura. Me olhando ela abriu a porta. Entramos.
- Já volto. - ela disse e subiu as escada correndo.
Eu a olhei e sorri, ela parecia um pouco nervosa.
Sentei na bancada e fiquei esperando por ela. Ela estava demorando tanto que resolvi subir.
- Celeste. - chamei já no meio das escadas. - Nona.
Ela não respondeu, mas ouvi passos e movimentos dentro do quarto.
- Nona, nós sempre fazemos isso, por que está demorando? - falei com a mão na maçaneta do quarto dela.
A porta se abriu com um chiado. O quarto estava escuro e não havia ninguém. O vento entrava pela janela aberta e balançava a cortina fazendo as sombras se moverem.
Desci as escadas e mandei uma mensagem para ela. Depois de 20 minutos esperando resposta, tentei ligar, mas ninguém atendeu.
Em algum momento havia pegado no sono no sofá. Sonhei com Celeste gritando e pedindo ajuda. Acordei com um salto e olhei ao redor, tudo estava normal.
Olhei para o celular e já passava das 2:00 da manhã, eu precisava ir para casa.
Fechei a porta e coloquei as chaves dentro de um vaso.
Algo passou correndo pelo meu campo de visão e sumiu em um beco. Deixei pra lá.

Cheguei em casa exausta, mas preocupada demais para dormir. Fui até o quarto da minha mãe e ela estava dormindo tão bem que não consegui acorda - la para contar de Celeste.
Entrei no meu quarto, tirei a roupa e deitei na cama, minha cabeça não parava de rodar e virei de um lado para o outro na cama.
Levantei, coloquei uma roupa limpa, peguei uma mochila e botei algumas coisas dentro, uma garrafa de água, algumas barrinhas de cereal e um moletom. Desci as escadas em silêncio e escrevi um bilhete para minha mãe.
Corri pela rua, só parei quando cheguei na frente da casa de Celeste. A casa estava exatamente do jeito que eu havia deixado.
Ela não poderia ter ido longe, não sem mim e muito menos sem avisar.
Vi outro vulto atrás da casa e corri até o jardim que havia nos fundos. O vulto correu para o meio da mata e sumiu.
Andei devagar e criando coragem para entrar na floresta a noite. Parei alguns poucos metros das primeiras árvores, respirei fundo e entrei na mata. Caminhei alguns metros pelo meio das árvores e algo chamou minha atenção, era o colar que eu havia dado a Celeste, ele brilhava no meio do musgo.
- Nona - sussurrei.
Ouvi galhos quebrando atrás de mim e me virei para ver o que era.

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⏰ Last updated: Sep 29, 2017 ⏰

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