Foi muito difícil aceitar que ele tinha ido.
Já tivera se passado duas semanas, e escolheram o último dia dela para o "tributo."
Não era um funeral, e sim um evento em memória do meu pai, o que me deixava mais confortável de certo modo em estar ali.
Em geral, as pessoas aqui não costumam fazer isso até seu parente (o morto, na verdade) completar 20 anos de falecimento. Porém, não é todo dia que o rei do lugar no qual você vive, é encontrado morto no próprio quarto.
Por mais que doesse, nós nunca choravamos, e isso tornava o ambiente um pouco menos deprimente. Apesar de que, as pessoas acham que só é profundo se tem derramamento de lágrimas, o que é uma completa idiotice.
Mas isso só se aplica à outros povos, nós, os Shadows, levamos muito a sério os sentimentos ditos, confiamos uns aos outros, já eles, não.
-Seu pai era um bom homem. -fui surpreendida pela fala que vinha de uma senhora de cabelos azuis sentada na outra ponta do banco.
-Era sim.
As pessoas não conheciam meu pai, não privadamente, então ninguém tinha uma opinião formada sobre. Apenas sentiam admiração e respeito por ele ser o rei.
-Foi o melhor governante que o nosso povo já teve. -continuou -E com certeza, você será tão boa quanto.
"As pessoas confiam em mim" pensei. Não posso decepciona-las, tenho que fazer o que levaria meu pai a ter orgulho de quem eu sou.
Levantei do banco e fui caminhando em direção à sua lápide. Era feita de ouro e estava em cima de uma bancada cor de vinho. Ergui as mãos pedindo silêncio e as poucas vozes que ecoavam pelo salão, se calaram.
-Só queria dizer, -comecei, ainda com um nó na garganta -que sei o quanto isso assusta alguns de vocês, mas não precisam se preocupar quanto aos assuntos do reino, eu cuidarei de tudo como o meu pai sempre fez. Estou disposta a viver para este lugar, e decidi começar isso a partir de agora. Portanto, o memorial está encerrado. Voltem às suas casas, descansem e amanhã, estejam todos em frente à praça principal. Avisem também os vizinhos, -respirei fundo e continuei -tenho um anúncio para fazer à vocês.
+++
-Por que fez aquilo? Você sabe que teria mais tempo se quisesse.
-O povo precisa de um rei.
Minha mãe nunca concordou com a forma de liderança do meu pai, ela queria todo o restante de pessoas feito de escravos, e ele nunca aceitou isso.
Estava em pé na varanda contando as estrelas, eu costumava fazer isso quando era pequena. É incrível como consigo ficar mais tranquila.
-Sempre gosta de vir aqui quando está nervosa. -minha mãe acrescentou.
-Sim. Mas, algum problema quanto a isso?
-Somente um comentário, Lilian. -ela falou virando-se para ir embora -Boa sorte, vai precisar.
E desapareceu pela escuridão que tomava o interior do castelo.
Fiquei só por mais alguns minutos (talvez horas) lá fora antes de entrar para o quarto. Não estou realmente preparada para fazer o que tenho de fazer para milhares de pessoas amanhã.
Será mais do que um simples anúncio, eu irei me declarar oficialmente como rainha de Griffin. E isso não era pouca coisa.
Meu pai nunca ficava nervoso antes de discursar, queria ter herdado isso dele.
Mas não o fiz, o que me acabou resultando uma dor de cabeça insuportável.
Resolvi então, começar a escrever alguma coisa.
Peguei uma caneta e um pedaço de papel que estavam em cima do criado-mudo e tentei formar algumas frases que fizessem sentido.
Nada feito.
Eu ainda estava nervosa com tudo o que estava acontecendo, e confesso que também com medo. Medo de fracassar, pois, aquilo era tudo o que tinha me restado, era o que eu tinha de mais próximo do meu pai, e onde minha mãe não poderia interferir com todas as suas reclamações e pedidos absurdos.
Todas as pessoas sonham com um mundo particular. Eu mesma sempre imaginei o dia em que eu pudesse governá-lo, e agora que esse dia chegou, sinto que não consigo fazer isso.
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Nada Sobre Anjos
FantasyAté onde o ódio pode levar alguém? Lilian acaba de perder a pessoa que mais ama na vida. Seu pai, era um homem bom e um líder extremamente justo, capaz de fazer qualquer coisa para proteger seu reino. Quando ele se vai, Lily é obrigada pela própria...
