você sabe, talvez eu só queira paz.

20 1 0
                                        

Jillian estava sentada no lê café, numa ruazinha pacata de breey, uma cidadezinha no interior, com mais ou menos 900 habitantes e onde todos se conhecem pelo nome. Ela observa o movimento da rua, enquanto espera o seu pedido de um cappuccino de chocolate com creme e canela e um bolinho de baunilha com morango. Ela estava com seu caderninho, um diário onde ela escreve tudo que ela sente, ela pega uma caneta roxa, (pois aquele dia era um uma sexta, e as sextas eram os dias da caneta roxa, assim como quinta eram os da verde, e sábado, os da azul turquesa.) E começa a se perder nas páginas da semana.

Segunda-feira, 12 de setembro (amarelo)

Hoje eu li. Li poemas que diziam que tudo ia melhorar e desejei acreditar neles, li historias de pessoas que queriam que a vida delas fosse mais emocionantes e desejei ter a sensação de aventura no meu sangue, li histórias clichês de casais apaixonados e desejei ter alguém para ter meus próprios clichês com ela. Li histórias que não acabavam tão bem e desejei que não soubesse como dói. Uma dica; cuidado com os leitores, cuidado com os que estão sempre lendo livros, eles tem em suas mãos um dos mais perigosos males, o conhecimento. A vontade de saber, pode ser tão boa, nos dar vontade de viajar... Mas também pode nos dar desespero, oh como eu queria, queria muito não saber de certas coisas...
Pois é assim a vida, talvez a culpa não seja das estrelas, talvez eu não me chame Antônio, talvez você não deva destruir esse diário, talvez essa não seja a última música, talvez o John não seja querido, talvez não exista as vantagens em ser invisível, mas tudo bem, o meu ps, eu te amo, jamais vai mudar.

Jill

Terça-feira, 13 de setembro (rosa)

As vezes e me pergunto, será que tu sentes minha falta como eu sinto a sua? Sera que você ri das nossas piadas particulares, chora pelos momentos tristes, suspira pelos beijos apaixonados? Eu sim. Admito e me acho fraca por admitir. Ainda durmo com teu cheiro, com a camisa que você me deixou, mas prometo, irei parar, tentarei ser forte, e desejarei que fiques bem. Não é porquê não te vejo, que não te quero bem. gostaria de saciar minha curiosidade incurável e saber se ainda pensa em nós. Se sim, que bom que não sou a única, se não, que bom também, é bom ver que um de nós está seguindo em frente. Sabe como dizem ? Os loucos românticos sempre riem por último.

Jill.

Quarta-feira, 14 de setembro (vermelho)

As pessoas são feitas para terem amigos, afinal, o que somos nós, sem ninguém para nos provar que não estamos sós? Não me entenda mal, eu gosto de estar só, eu gosto de  me sentar em algum lugar com meus fones de ouvido e ler um livro que me faça esquecer quem eu sou. Ou até mesmo escrever sobre o que eu gostaria que acontecesse comigo. Não me leve a mal, eu realmente quero a felicidade dos outros. Mas e quanto a minha felicidade? Você realmente acha que eu gosto de invejar os meus amigos por eles serem, aparentemente, mais interessantes, bonitos, mais tudo que eu? Por eles ou estarem namorando alguém que realmente gosta deles ou não se importar com isso? Quando eles me deixam de fora do círculo de amizade involuntariamente?  Você realmente acha que eu adoro me sentir uma intrusa, de me sentir inferior a tudo e a todos? Eu odeio me sentir assim. Mas não quero incomodar ou parecer ofendida com alguma coisa. Então eu só aguento calada esse monstro que me quebra em pedacinhos. Quem me vê forte por fora, nunca sa''berá como meu interior é ridículo.

Jill

Quinta-feira, 15 de setembro (verde)

Eles acham que eu não sei me olhar no espelho? Que eu não vejo o quão esquisita eu sou? Mas me julgar pela unica coisa que eu não tive poder sobre, e me julgar por nascer assim, é cruel. Nascer nessa casca masculina nunca foi algo que me orgulhei, foram tantos anos tentando ser um garoto e cada vez mais eu sentia como se aquele corpo não fosse meu.  Anos de tratamento,  anos de bulling , uma cirurgia arriscada e uma vida quebrada. Em pedaços minúsculos. Mas sempre há aquela pontinha de esperança. Aquela faísca que nos impede de desistir... mas está cada vez mais difícil

Jill

Jillian leu tudo que havia escrito naquela semana, não foi uma semana muito boa em relação ao seu emocional, isso ela não pode negar, mas ei, quem é que nunca se sentiu assim? Como se tudo e todos seguissem suas vidas, e lhe deixassem para trás. E foi com estes pensamentos que elas pôs a escrever no caderno;

Sexta-feira, 16 de setembro (roxo)

Eu gosto de estar sozinha. Gosto de ler num ônibus ou ouvir musica em uma praça, gosto do silencio confortável da madrugada, e gosto de quando não me preocupo com decepções vindas de outras pessoas. Mas eu vejo um filho com a sua mãe, rindo. O encontro de dois apaixonados. As amizades que perpetuam, as que começaram à poucos segundos, e as que duram uma vida. E ai eu vejo, gosto de estar , mas realmente não gosto de ser .

Jill.
–Senhorita, seu pedido chegou.

Jillian morde um pedaço de seu bolinho, fecha o diário e sorri como se estivesse tudo bem, como se ela não se sentisse uma aberração. Um asco de si mesma e uma vontade de livrar o mundo de alguém como ela.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Jun 25, 2018 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

AbandonadosWhere stories live. Discover now