O que esperar deste ano? Cada ano que passa inovamos aumentamos nossas expectativas como se a mudança estivesse no tempo e não em nós.
Há três anos atraz vim para o Rio de janeiro, ou seja, logo após o falecimento da minha mãe Margarida Ribeiro. Realmente acreditei que este ano seria diferente já que deixaria de ser a novata e passaria a ser a típica veterana. Nem sei porque estou nesta faculdade o ensino médio de São Paulo já foi uma droga! Claro não estamos falando de uma escola americana dos filmes. Embora o inferno escolar exista em todo lugar.
Meu primeiro dia letivo anual foi inesquecível se não perturbador. Eu e minha melhor amiga, Lara, nos encontramos após semanas sem nos vermos e já no caminho quase chegando na facu avistamos Emanuel, este sim eu não vejo desde as férias. Já no colégio damos de cara com Júlia a pessoa mais desprezível que eu conheci até hoje. Ela e suas amigas, verdadeiros abutres, guiadas pelo cheiro de sua carniça. Vieram me encher a paciência:
- Olha a quatro olhos! Cuidado gente vai chover vômito. - Referia-se à outra situação, constrangedora, vivida anteriomente. Nem me fale nunca mais vou comer omelete no café da manhã. Ec!
- Por que não cuida da sua vida? - Disse em uma tentativa de defesa, podia ter dado uma resposta mais bem elaborada. Toda via frases do gênero não são compreendidas por pessoas com QI como o dela. Sabe Pai se ela não vendeu a alma ao diabo para está ali; é brincadeira Júlia tem dinheiro pra comprar a escola se quiser.
Mas tarde, aulas cansativas sou "obrigada" a estudar direito quando meu sonho é fazer astronomia; física é minha matéria preferida. Porém meu pai deseja que eu tenha uma carreira priviligiada, de admiração, seguindo os passos da minha mãe. Ela sim foi uma advogada renomeada.
No recreio como dizem "tocaram o terror" discutir com a Júlia, a gente (eu, a Lara e Emanuel) conversavamos tranquilamente quando ela apareceu afim de me provocar, por quê me odeia tanto? Não sei, gostaria de saber.
- Sabe Manuela, achei que você não iria querer mais estudar aqui. Imagine uma Nerd desajeitada que nem você, nesta idade, eu aposto que você ainda é B.V.
A Lara até falou "não dá corda" , mas não aguentei já basta tudo que tolerei ano passado. Iria responde-la de qualquer forma:
- Desde quando a minha vida é cabaré? Pra ter puta entrando sem pedir licença.
Todo mundo lubusou "ú", ninguém esperava algo assim de mim, nem mesmo eu. A chata não se deu por contente tentou derramar leite em mim, me desviei e fiz ela provar o seu veneno. Melecas saltitantes! Quem diria que ela seria alérgica a lactose? Ficou toda vermelha, teve uma crise e eu paralisei.
No fim de tudo quem perdeu foi eu, enquanto ela se dirigiu a enfermaria; eu fui parar na direção. O diretor Euder Cooler rejeitou meus argumentos. Minha pequena aventura custou três dias de suspensão no meu histórico perfeito. Mas duro mesmo é aguentar os sermões do meu pai.
Recebi fotos pelo Whatssap dei gargalhadas. A loira estava com a cara completamente vermelha e inchada igual a um tomate. Foi como por pra fora o que ela é por dentro. Apesar de tudo ainda sentir pena. Depois de lembrar do meu castigo vi que de nada avia valido , exceto pelo fato que ninguém mais me veria como "Manuela a menina nerd, esquisita e fraca".
O motivo pelo qual fiquei tão furiosa tenha sido que em partes Júlia tinha razão; realmente sou B.V em pleno dezoito e isso me incomodava mais ainda pelo fato de ser tão óbvio.
Boa parte das garotas solteiras e jovens da facu tem uma queda por Matheus Sampaio, um galinha atleta que naturalmente é irmão da Júlia.
Há pelo menos dois anos tenho, digamos, uma paixonite por Carlos um borracheiro de uma das oficinas do meu pai. Nunca confessei isso para ninguém e não vejo porque ficar remoendo esperanças e expectativas.
Sexta-feira foi pior, a Lara me passando sermões. Enquanto o Emanuel mudava de assunto e fazia piadas convenientes ao seu jeito brincalhão.
Os professores todos comentaram e criticaram o acontecido, me fizeram se sentir mal. Cubriam de elogios a antiga Manuela. Sem contar como eles tratavam Júlia, a maior vítima dessa história. Esta ao me encontrar na saída tentou me fazer sentir um verdadeiro lixo:
- Acho melhor você continuar sendo a nerd de antes! É a única coisa que você faz bem.
- Por quê você não para com essa criancice e deixa ela em paz? Amadurece, isso aqui é ensino superior! -Disse Lara ao tomar minha frente e quase soletrou todas as palavras, revoltada com tamanha perseguição para com a minha pessoa.
-Deixa. - Falei para Lara, dessa vez eu era quem não queria confusão. Estava tolerante já havia comprovado que se a suportar não adiantava, o contrário também pouco resolveria.
- Que isso Manuela? Você precisa andar com quarda costas?
Lara enrraivou-se, aproximou-se ainda mais de Júlia, esta ria com suas amigas de forma irônica. Eu a puxei, e saímos rapidamente tentando esqucer suas provocações.
Entretanto quando me vi só, longe de Lara e do resto do mundo, somente eu e meu reflexo. Tive o que alguns viriam como um ápice de loucura. Comecei a falar com o que via sob o espelho:
- Ela tem razão só existe essa Manuela! Vou ser sempre isso! Feia, magricela, quatro olhos; só falta o aparelho. RA!- Quebrei o espelho com a ponta da tesoura, que estava próxima a cômoda. Isso dá sete anos de azar, mais quem liga.
Derramei algumas lágrimas de ódio até cair no sono. E no dia seguinte acordei as 11:00hs, nunca havia acordado tão tarde assim. Me levantei quando vi entre os cacos na parede do espelho quebrado meu pescoço tinha o que parecia ser uma chupada enorme.
- De onde veio isso?
CITEȘTI
Dupla Personalidade
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