Harry Styles:
Aconteceu em uma tarde de inverno em Londres, eu estava caminhando pela rua quando algo me levou direto ao chão, eu poderia facilmente dizer que teria sido obra dos meus dois pés esquerdos mas incrivelmente desta vez algo batendo contra mim foi o causador do meu 4º ou 5º encontro com o chão somente esse mês, pois é, eu caio muito, obra das minhas grandes pernas desengonçadas, mas voltando ao assunto, eu olhei para o lado, pra ver quem foi a criatura que não viu uma pessoa tão alta quanto eu no meio de uma rua vazia.
Não entendi como o rapaz já estava em pé e recuperado do tombo, ele tinha sua mão esticada até mim como sinal de que queria me ajudar a levantar e eu a segurei finalmente estando em pé.
- Oops! Me desculpe, eu estava correndo e olhando para trás e não vi você. - Ele disse coçando a nuca.
Essa coçada na nuca foi a coisa mais fofa que eu vi no dia, na verdade ele foi extremamente fofo, normalmente em Londres quando alguém te atropela na calçada ela simplesmente levanta e sai te xingando como se a culpa fosse exclusivamente sua.
- Hi, tudo bem, acontece, eu iria cair ainda hoje de qualquer forma, sabe como é, duas pernas esquerdas. - Eu sorri apontando para as minhas pernas.
Ele sorriu e apontou para as suas pernas falando em seguida:
- Bem, isso não acontece comigo já que faço parte de um time de futebol, sabe como é, duas pernas direitas. - E apontou para ambas suas pernas dando um sorriso logo depois.
Ele era encantador, sem sombra de dúvidas, pequeno, magro, com uma franja caída nos olhos e uma roupa surrada e que com toda a certeza fazia as garotas ficarem molhadas apenas de olhar para ele.
- Bem que eu queria, na verdade eu até já tentei entrar pra algum time, mas eu sempre acabava machucado. - Fiz um bico e cruzei os braços como se estivesse extremamente magoado.
Ele me olhou com uma cara de pena e eu poderia dizer facilmente que aquilo doeu em mim, então ele colocou sua mão no meu braço e perguntou:
- Eles eram muito duros com você? - E então eu sorri, gargalhei, começou a lacrimejar meus olhos de tanto rir.
Ele ficou me encarando com uma cara confusa, de quem claramente não tinha entendido o porque de tanta risada.
- É que não era os outros que me machucavam. - Falei limpando uma lágrima instalada no canto dos meus olhos.
Ele me olhou ainda claramente confuso e então eu o expliquei:
- É que eu sempre caia por conta própria, ninguém nunca precisou me derrubar já que eu já estava no chão rolando de dor, já cheguei a abrir a cabeça e olha que eu era o goleiro. - Quando terminei de falar ele estava rindo mais do que eu anteriormente, e de fato era uma coisa bonita, eu sentaria apenas ficaria ali apreciando esse garoto.
- Inclusive, não nos apresentamos, eu sou o Harry e você é o...?
Estiquei minha mão em sua direção e assisti ele pegar e apertar com delicadeza.
- Louis, meu nome é Louis, muito prazer Harry.
Meu nome soou incrível na voz dele.
- Bem, aproveitando que já sabemos um pouco um do outro, que tal irmos pra alguma cafeteria? Eu adoraria saber mais sobre você Louis. - Falei e sorri em sua direção.
- Bem... Na verdade eu estava correndo para ir em um lugar.
Ele disse, e parecia abalado em não poder aceitar meu convite, percebi seu nervosismo em como ele mexia sua mão em movimentos horizontais pelo seu braço.
- Oh, então tudo bem. - Eu sorri passando um olhar de tranquilidade, eu entendia.
- Mas por favor, não quero perder o contato, seria incrível se pudessemos sair mais tarde pra conversar mais, tudo bem por você? Podemos trocar os números e eu te ligo quando puder, assim marcaremos pra sair.
E naquele momento eu senti felicidade, eu queria muito conhecer o garoto que havia trombado em mim.
- Claro, vamos trocar os números e quando você puder nós saímos!
E então trocamos os nossos números e nos despedimos, prometendo que sairíamos mais tarde. Assim, cada um foi para um lado.
Mais tarde naquele dia, pra ser mais exato 20:34, Louis me ligou e marcamos de nos ver em um restaurante aqui perto, era um local calmo e familiar, onde poderiamos conversar.
- Oi Harry, como vai? - Ele disse se sentando na minha frente já no restaurante.
- Eu estou bem, e você Louis? - Sorri e fiquei olhando seus olhos, eles eram azuis, incríveis.
- Eu estou. - Ele sorriu e olhou pra baixo, tímido, pegou o cardápio e começou a escolher seu pedido.
Chamamos o garçom e pedimos, eu uma macarronada com vinho e ele um filé de frango com vinho também.
- Deu tudo certo, digo, no compromisso que você teve mais cedo? - Eu disse enquanto esperavamos nossas comidas.
- Sim, era apenas uma conversa com a minha familia, eu fiz um chá da tarde pra finalmente me assumir pra eles. - Ele corou e eu fiquei extremamente feliz, atualmente é difícil achar um gay de cara, eu por exemplo sempre sofri pelos heterossexuais.
- Wow, então você é gay? - Eu o olhei com os olhos e eles provavelmente estavam brilhando.
- Sim, por favor, não quero que você olhe diferente pra mim agora, porque eu entendo isso de...
Não permiti que ele terminasse, sério que ele pensou que eu fosse heterossexual? Pesado...
- Ei ei ei, não vejo problema algum, eu também sou gay assumido!
Ele me olhou aliviado, eu vi em seu olhar. Então ele soltou uma bufada de como se estivesse tirando um peso de suas costas colocou seus olhos sobre a mesa.
- Que alívio! Eu não queria sentir atração por um het... - E então ele percebeu o que ia dizer e tapou a boca. Eu sorri e me senti bem, pois eu era correspondido.
Eu iria dizer algo, se o garçom não tivesse chegado e colocado nossos pratos sobre a mesa nos desejando um bom apetite. O jantar foi perfeito, conversamos sobre nossas famílias, faculdades e o sobre o futuro. Foi tudo incrível.
Foi assim por meses, meses maravilhosos, apenas saindo e se curtindo, sem nos beijarmos e sem algo a mais, como dois amigos, juntos e felizes.
As vezes eu ousava em segurar sua mão, e era maravilhoso, ele correspondia, como se estivéssemos em casa. Assim que me sinto com o Louis, em casa, como se ele fosse meu porto seguro.
