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A BRISA QUE DORME ENTRE AS ROCHAS

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Desde tempos antigos minha raça serve diretamente aos dragões, os donos dessa terra, em troca da garantia de nossa sobrevivência em um mundo cheio de monstros. Os dragões cobram a liberdade dos humanos e assim tem sido por muito tempo, até que um humano conseguiu sobrepujar os dragões e iniciar a guerra pela liberdade. Muito tempo se passou e assim como todo humano, o herói pereceu diante da velhice, então, novamente os dragões tomaram o domínio de nossas vidas e tem sido assim por muito tempo. E por mais que as pessoas digam que a história de um herói capaz de derrotar os dragões seja apenas uma lenda, eu acredito nisso, eu acredito que a humanidade tem uma chance e o sonho da minha vida é mostrar o gosto da liberdade à eles.

Eu vivia em um pequeno vilarejo nos domínios do velho Yurhei. Nesse mundo, as regiões dessas terras são divididas em domínios entre os dragões e Yurhei era um dragão bastante velho. Ele cuidava da área onde ficava o meu vilarejo, às vezes ele ia de vila em vila de seu domínio para contar histórias, curar feridos e checar se estava tudo bem; apesar de nos manter presos e trabalhando para ele. Yurhei não era mal, alguns acreditam que ele gostava de estudar a anatomia humana, e por isso nos estudava, para posteriormente fazer certas... pesquisas, mas esse é apenas um dos mil boatos que se tinham sobre aquele dragão velho. Ao menos ele nos deixava sair nas proximidades do vilarejo para explorar, ou até expandir nossa pequena vila.Isso era muito bom pra mim, já que eu era fascinado por histórias onde heróis humanos lutavam lado a lado para derrotar os dragões e outros monstros com suas espadas mágicas e assim como nas histórias eu queria me aventurar pelo mundo, salvando vidas e conhecendo novas pessoas. O velho dragão nos proibia de contar essas histórias e dizia que tudo isso não passou de fantasia, mas eu acreditava e adorava explorar as cavernas ao redor da vila e fingir que era o herói matador de dragões, mas tudo isso mudou quando um cara da minha vila encontrou algo nas cavernas. Na época eu não tinha entendido, mas o que quer que ele tivesse encontrado, encorajou a nossa vila a se rebelar contra nosso senhor dragão.

A batalha foi curta, mas avassaladora e nós perdemos.O dragão velho ficou muito furioso com a gente, decidiu abandonar nossa vila e a ofereceu à um dragão mais jovem e bem mais cruel; ele exterminou todos os homens adultos, inclusive o meu pai, e obrigou ao resto das pessoas a trabalhar nas minas de carvão e na extração de certos minerais que os dragões usavam como alimento.

Eu cresci sendo cuidado pela vovó junto com a Aysha, nós somos amigos desde sempre, mas ela é muito medrosa para se aventurar fora da vila.

- Shiradan! Volte! Se eles te pegarem vão te devorar! - As vezes eu achava que ela se preocupava demais, afinal eu nunca fui descoberto pelos soldados répteis, uma raça criada pelo nosso novo dono que nos impedia de sair da vila.

- Não se preocupe! Eu voltarei em breve.

-Poxa, você sempre faz isso comigo. Agora vou ficar preocupada, se você não voltar logo vai preferir ser pego pelos lagartões do que por mim! - Eu sabia que aquilo era verdade.

- Não se preocupe! Eu fiz uma promessa, lembra? - Depois de dizer isso eu corri em direção às cavernas ignorando os gritos de minha amiga.

Aos meus 19 ciclos, eu sabia muito bem o que aconteceria comigo se eu fosse pego explorando as cavernas novamente, depois da rebelião, provavelmente eu seria o lanche noturno de dragão. Mas eu não me importava, afinal, o que quer que seja o que aquele humano achou no fundo de uma dessas cavernas, poderia me dar uma chance de salvar a minha vila... a chance era pequena, mas estava lá.

E foi nisso que eu acreditei quando me deparei com a entrada da caverna, sem pensar muito no que eu estaria pondo a perder naquele momento, eu entrei a fundo na grande e úmida abertura. O medo quase não me abalava, mas afinal, já tivera feito aquilo tantas vezes, mas assim que entrei, percebi que aquela caverna era diferente... A sua energia era convidativa. O problema foi o tempo que eu tomei para apurar os meus sentidos sobre aquela caverna, um dos guardas reptilianos tinha me visto e já tinha indo chamar os outros. Aquilo fez o meu sangue gelar completamente, se voltasse, talvez eles me reconheceriam, e se ficasse, com certeza morreria. Mas, se entrasse mais a fundo, talvez eu encontrasse aquilo que eu estava procurando.

Eater: Asas Da LiberdadeStories to obsess over. Discover now