Capítulo 1- O começo de tudo

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Era um dia como qualquer outro. Eu estava em meu quarto prestes a dormir quando escuto barulhos de coisas quebrando. Levantei e dei de cara com minha mãe que abriu a porta do quarto com seus olhos cheios de preocupação.

-Você já deveria estar dormindo, querida.

-Eu ouvi um barulho.-disse tentando explicar o motivo pelo qual eu ainda estava acordada.

-Seu pai deixou cair algumas coisas. Você sabe como ele é desastrado.-ela deu um sorriso sereno, mas apesar de pequena eu sabia que na verdade ela estava aflita.

-RACHEL!- Ouvi a voz do meu pai gritando pela minha mãe. Nesse instante, uma lágrima escorreu de seu rosto. Ela fechou os olhos e disse palavras incompreensíveis.

-Agora durma, querida.-Ela disse me dando um abraço forte.- Tudo vai ficar bem.- ela saiu do quarto e fechou a porta com cuidado e logo depois ouvi seus passos apressados indo em direção a escada.
Essa foi a última  vez que eu pude ouvir a sua voz, e foi nessa noite que eu perdi as pessoas que eu mais amava no mundo.

*******

Acordo assustada com o sonho e tendo a impressão de estar sendo observada. Sempre sinto isso. Desde o incidente eu sonho com tudo que aconteceu. As lembranças estão vivas em minha memória. Olho para a janela e a vejo entreaberta com o vento gélido da madrugada que batia em meu rosto. Levantei-me e caminhei em direção a brecha que liberava aquele frio. Abri as portas da sacada do meu quarto, sentei em um canto e encolhida com os braços em volta dos joelhos comecei a lembrar-me daquela noite.

Desde aquele dia, eu comecei a morar com a minha avó, Selena. Ela me disse que tentaram roubar nossa casa, mas meu pai começou a lutar e minha mãe se envolveu. Os dois acabaram sendo brutalmente assassinados. Lágrimas escorriam pelo meu rosto e por alguns instantes eu senti uma mão em meu ombro. Olhei para os lados e não vi ninguém. Estava somente eu perdida em meus pensamentos.

Peguei meu celular, e vi que já passava das 2:30. Resolvi me recompor e tentar voltar a dormir já que no dia seguinte eu teria que acordar cedo e ir para a igreja juntamente com a minha avó.

***

Acordo às 7:40 com o despertador indicando que era domingo. Dia de ir a igreja. Levantei e abri os olhos devagar e com cuidado até eu me acostumar com a claridade. Levantei tomei banho e vesti um vestido florido, com alças finas e uma saia rodada com um formato de coração no busto e um cinto fino marcando a minha cintura.

Ao descer as escadas, vi minha avó sentada na mesa.

-Bom dia, querida.

-Bom dia, Vó

Sentei no mesmo lugar no qual eu sentava todos os dias e me servi com um copo de suco e bolo de cenoura que estava divino.

Após acabarmos de comer, minha avó se encarregou de lavar a louça enquanto eu arrumava a minha bolsa para ir à igreja. Subi e nao coloquei muita coisa. Apenas um brilho labial, rímel, uma bíblia, caneta e a minha carteira. Enquanto descia as escadas, senti novamente a sensação de estar sendo observada. Olhei para trás e não havia ninguém, mas a porta do meu quarto estava aberta, e eu havia fechado. Voltei para o meu quarto e dei uma breve observada para ter certeza de que não havia ninguém. Após isso, desci e fui até o carro da minha avo que já estava a minha espera.

Da nossa casa até a igreja eram cerca de 5 minutos. Ao chegarmos na igreja, o culto ainda não havia começado, então minha avó começou a conversar com suas amigas enquanto eu caminhava em direção ao jardim da entrada principal. Lá havia um chafariz grande com umas flores e bancos de mármore ao seu redor. Enquanto observava as Rosas e Dálias que enfeitavam o local. Sempre gostei das rosas. Sempre gostei de pensar que elas eram como eu. Bonitas, e frágeis e os espinhos são apenas uma forma de se defender ou prevenir que pessoas ruins a toquem. Desde que meus pais morreram, eu desconfio de todos. É como se os assassinos pudessem ser qualquer pessoa que se aproxime de mim. Enquanto continuava a admirar as rosas, minhas melhores amigas, Chelsea e Jolie se posicionam do meu lado tirando-me de meus devaneios.

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