o conto

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Ele já estava quase perdendo as esperanças e convencendo a si mesmo de que seria qualquer uma.

Mas na mesma hora sua mente o culpava, pois era um Natal especial, assim como ela. Sem contar que acabara de passar seu aniversário de cinco anos, e ele não pode lhe dar nada.

"Não é sempre que se faz cinco anos", ela lhe dissera no dia e, por mais que não tenha demostrado, ele sabia que ela estava frustrada por não receber um presente dele.

A culpa não era de Luan! E ele bem que gostaria de ter deixado claro, mas de todo um grupo de pessoas que faziam questão de mantê-los afastados por um motivo bobo. Luan não queria criar mais confusão, preferindo ficar com a culpa para si, engolindo-a como um sabor indigesto de uma comida que saiu errada oferecida por um amigo em sua casa.

Mas nesse Natal ele estava decidido a fazer diferente. Não pouparia esforços. Ele estava disposto a dar o melhor presente de todos para ela. Este natal teria que ser especial, já que pela primeira vez passariam juntos.

Ele já havia feito sua escolha. Luan sabia do maior gosto e desejo da sua pequena.

Bonecas.

Luan sempre lhe dava de presente bonecas e, por mais simples e malfeitas que fossem, ela sempre as amava e ficava com uma alegria sem medidas e contagiante.

Dessa vez, contudo, o homem estava determinado a encontrar e dar não apenas uma boneca, mas A boneca. Seria algo para encher-lhe os olhos à primeira vista.

Queria que fosse algo diferente, ao mesmo tempo bonito e especial, por isso que desde o começo da semana rondara por inúmeras lojas; fôra no centro da cidade, passou em diversos shoppings e até agora, nada só mais do mesmo. Ele não queria que fosse só mais uma, precisava se redimir e compensar o presente de aniversário não dado. Também não queria dar dois presentes, para ele isso era algo tão clichê e sem criatividade. A solução era dar algo diferente.

Luan já beirava o desespero. Era noite da véspera de Natal, e ele dirigia seu carro ouvindo "Something in the air" sendo cantada por David Bowie, em uma desesperada tentativa de se acalmar, enquanto seguia até o Shopping mais elegante da cidade. Ele teria que dirigir por mais de uma hora, e no percurso dizia a si mesmo que iria dar certo, que lá encontraria o que tanto procurava. A cada casa decorada e a cada luz piscante ou enfeite natalino que passava seu coração batia mais forte contra o seu peito. O tempo estava acabando!

Ele andou pelo shopping olhando em todas as

vitrines e para dentro de todas as lojas que passava, mesmo que fossem de artigos esportivos, afinal ele sabia que muitas vezes são dos lugares mais estranhos que saem as coisas mais interessantes. Entrou na primeira loja de brinquedos e foi recepcionado por uma vendedora que já o encontrou oferecendo ajuda, a qual ele dispensou recebendo o cartão da moça enquanto seguia freneticamente pelos corredores que estavam lotados.

Passou por inúmeras mulheres e alguns homens, provavelmente mães e pais que deixaram para comprar os presentes em cima da hora, não como ele que estava ali por ter desleixado com o presente de Natal de alguém especial, mas por não ter encontrado ainda o que queria.

Uma senhora, que lhe pareceu uma avó, pediu sua opinião com relação a dois bonecos, mas Luan não tinha tempo a perder com isso e simplesmente a ignorou.

Ele partiu buscando com os olhos pelos corredores, enquanto vendedoras corriam para cima e para baixo tentando agradar os clientes e lhes desejando um feliz Natal apressado e sem sinceridade.

Brinquedos e bonecas de todos os tipos chegaram aos seus olhos e foram embora à medida que ele praticamente corria pelos corredores. Passou pelas personagens do Frozen, filme preferido dela, mas nem deu atenção.

Boneca de NatalWhere stories live. Discover now