CHARLIE

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O sinal toca, e junto dele, a horda imensurável de alunos atravessando cresce a cada segundo. Me levanto e fico encostado na parede, eu que não ou louco de atravessar em meio a essa multidão, não entendo para que tanto desespero se de qualquer maneira a aula já acabou.

- Hey, vamos sair hoje? Nós podemos faltar aula amanhã mesmo.. – diz Ambre ajeitando seu longo cabelo azul

Valerie termina de arrumar sua mochila, segurando um caderno que não coube dentro, ela é a única de nosso grupo que realmente estuda, então com certeza vai ficar em casa estudando até 3 horas da manhã e ainda vir pra aula amanhã cedo.

- Com uma prova próxima semana? Eu não. –

Eu disse. Hank, namorado de Ambre entra em nossa sala e a abraça. E adoro esse casal, até me orgulho de tê-los juntado, mas as vezes eles são bem grudentos. O que me irrita.

- Ah, qual é Vay! Só um dia, e as únicas aulas que vai perder é de português.. -

Vay interrompe Ambre no mesmo instante.

- De jeito nenhum. –

Hillary se encosta-se a mim dizendo que eu avisarei Gabriel. Nem me toquei que ele não estava ali, procuro-o pela sala, e o vejo conversando com a novata, esqueci o nome dela, mas sei que ela é bonita, bem bonita.

Os corredores agora estavam vazios, e finalmente descemos, exceto Gabriel, que ficou lá conversando com a novata. Espero que ele desça logo, não vejo a hora de chegar em casa e dormir.

Gabriel finalmente desce, a novata não estava mais com ele. Ficamos ali conversando até seu pai chegar, entramos no carro e seguimos para casa. Sempre achei que morar com um amigo seria a melhor coisa do mundo, mas agora comprovo que não. Sinto que, por incrível que pareça, quando éramos apenas amigos virtuais éramos mais próximos, ele era meu melhor amigo virtualmente, e quando cheguei aqui, foi meu melhor amigo também, mas somos apenas amigos, forçando uma relação meio que de irmão, então agora é como se um estivesse se cansando do outro, mas ainda somos amigos. Na verdade, acho que ele só não gosta do Brandon, meu namorado, desde que ficamos juntos, ele se manteve um pouco afastado.

Encosto minha cabeça no ombro de Gabriel, que apenas se vira para me olhar. Mas isso é normal, ele não é do tipo carinhoso, tanto por ser uma característica dele, como pela sua extrema timidez, por mais que não pareça.

- Eu vi você cheio de papo com a novata – digo rindo enquanto me levantava de seu ombro, para sair do carro.

Ele se levanta e dá o dedo para mim. Outra reação esperada, tímido e estressadinho, amo irritar ele.

- O que foi?! Ela é bonita, bem bonita. A gente tava querendo sair hoje, por que você não chama ela? –

Ele tenta levantar sua sobrancelha esquerda, mas falha no ato, e eu retribuo sua tentativa com uma risada e imitando-o, porém eu consigo levantar a sobrancelha esquerda.

- Por que eu chamaria ela?! Conheci a garota hoje, e só falamos sobre escola. –

Depois de cumprimentarmos a mãe de Gabriel, entramos no quarto, nos jogando cada um em sua respectiva cama.

- O que já é até de mais! Quando nós saímos, você apenas olha pra alguém e no segundo seguinte já estão se agarrando em um canto. –

Ele joga um travesseiro em mim, mas eu seguro, dando língua para ele, e ele retribui do mesmo jeito, sorrindo em seguida. Até que hoje ele está bem, milagre.

- Isso é depois de já ter bebido pelo menos três cervejas. –

Antes de poder responder, meu celular toca: Brandon. Faço um sinal com a mão, avisando que já voltava, e saio do quarto para falar com ele na sala.

Depois de mais ou menos 15 minutos, Brandon desliga para ajudar seus pais a tirarem as malas e arrumar as roupas de volta no armário, já que finalmente tinham voltado de viagem, após uma semana. Ele havia me chamado para passar lá mais tarde, e claro que concordei. Não vejo a hora de revê-lo.

Almoçamos e logo em seguida voltamos ao quarto.

Gabriel decide sai conosco, ou melhor, com eles, já que não vou mais. Assim que digo isso a ele, ele pergunta o porquê, e respondo com toda a sinceridade, ele não demonstra incômodo, na verdade, não demonstra emoção nenhuma, mas depois de ter pedido a carona para o Sr. Vitell, pai de Gabriel, quando me despeço do mesmo, ele apenas me dá um adeus seco, sem ao menos olhar para mim. Saio de casa com uma pontada no peito, não sei estou certo, mas me sinto culpado de tê-lo convencido a ir, e depois desmarcar para ficar na casa do meu namorado, o qual ele não suporta. É claro que estou certo de sentir culpa. Mas dane-se ele é meu namorado e ficou uma semana fora, não vou deixar de vê-lo para ir para uma boate e beber até cair no chão.

Toco a campainha de sua casa, e rapidamente a porta se abre, revelando um garoto com o cabelo bagunçado e trajando as mesmas roupas de sempre: blusa de manga comprida e uma calça jeans. Brandon.

Ele me abraça fortemente, e assim eu o retribuo, e logo em seguida selamos um beijo profundo.

- Estava morrendo de saudades – disse voltando a me beijar

Sinto meu lábio inferior sendo pressionado levemente pelos seus dentes, o que ele sabe que me deixa louco, enquanto eu agarro seus cabelos próximos a nuca puxando-os levemente, o que sei que o deixa louco. Nem tive a possibilidade de responder "também senti sua falta, todos os dias."

- Podem deixar isso pra quando o quarto estiver arrumado? –

Me desgrudo dele no mesmo instante, sentindo as bochechas queimarem, tenho certeza que estou muito corado agora. Brandon apenas da uma risada e me puxa para seu quarto, que estava realmente uma bagunça. Suas blusas jogadas pela cama, as calças jogadas na mesa de estudos e o resto das coisas espalhadas na mala.

- Agora sei pra que você me chamou aqui.. – digo ajudando-o a arrumar o quarto.

Quando terminamos de arrumar tudo, nos deitamos na cama, conversamos por horas, com alguns beijos entre cada frase, e depois, como sempre, um pega o celular do outro para verificar as cantadas que cada um recebe, não por ciúme, mas por que adoramos rir dessas cantadas. Ele, como o mais bonito, sempre recebendo mais cantadas. O fato de ele ser absurdamente lindo me causa um pouco de medo, mas tento não pensar nisso em momento algum.

Depois de algum tempo, conecto no Skype com meus pais, que moram do outro lado do país, e quando a noite chega, Brandon tranca a porta do quarto e me beija de uma maneira mais selvagem.

E eu sei exatamente o que ele quer.

O que ambos queremos.

TogetherWhere stories live. Discover now