311 palavras, 1 fato.

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Era um dia qualquer cujo o qual ninguém se lembraria o nome conforme o tempo passasse e eu voltava à pé para casa depois de um dia comum de trabalho na mesma monotonia como tantas outras pessoas. Alguém gritou e todos olharam para cima, para o ponto mais alto da ponte. Vi uma silhueta humana, um homem. A cor negra de sua pela nua se destacava no crepúsculo do céu.

     Não demorou muito até que a mídia fosse informada do que estava acontecendo. As pessoas e o trânsito pararam para assistir ao espetáculo, havia murmúrios com reações variadas por todo o lugar. Minutos depois ouvi o som de um helicóptero se aproximando. Ele parou próximo ao homem e ali ficou. Alguém ao meu lado ligou a tevê de seu celular e encarei a imagem na tela com minha visão periférica. Respeitando o horário, filmaram o homem apenas da cintura para cima. Ele era alto e magro, parecia ter feito a barba recentemente e aparentava ter mais que meio século de idade. Meia hora se passou e ninguém sabia nada sobre o homem sem nome. Ninguém tentou convencê-lo a descer e nenhum parente se pronunciou. Já nos minutos finais o policial usou um megafone e um pouquinho de persuasão, o rosto do homem sem nome estava em todos os canais, falavam sobre ele na rádio e falariam também no jornal de amanhã, mas tudo isso de nada adiantou.

     Um dia todos nós morreremos, a hora final chegará para cada um de nós e, por algum motivo desconhecido, o homem sem nome acreditava que a sua enfim havia chegado. Ele fechou os olhos e estendeu os braços. Quando o vento soprou mais forte e o homem sem nome o abraçou e pulou, tive plena certeza de um fato: ao vir para o mundo nada trouxemos e justo é que dele nada levemos.

Leve o que você trouxe. Stories to obsess over. Discover now