Prólogo

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Sete chamadas não atendidas. Duas da Sra. Harvey. As cinco restantes, dele. Já faziam quase três semanas que eu fugia de tudo que envolvesse a família Harvey. Evitava Nathan nos corredores da escola. Evitava passar na frente da escola dos seus irmãos para que não me vissem. Evitava o caminho para minha casa que passava pela casa deles, preferindo o mais longo. Evitava sair de casa no mesmo horário que meu irmão, já que ele pegava carona para a faculdade com o Sr. Harvey. Evitava até mesmo ficar em casa aos sábados de noite, que eram quando a Sra. Harvey visitava minha casa para poder sair com minha mãe, no que elas chamam de "noite das garotas". Para dizer a verdade, eu estava fugindo de qualquer coisa que tivesse haver com Nathan Harvey.
Mamãe já havia me questionado incontáveis vezes o porquê de eu não aparecer mais na casa dos Harvey, já que eu era a "professora particular" dos caçulas da família e, a única desculpa que consegui, era que estava em semana de provas. Não era uma total mentira, levando em consideração que não fazia muito tempo que as aulas haviam começado. Na verdade, eram apenas trabalhos valendo pontos, e contavam bastante.
E afinal de contas, eu precisava de tempo.
Tempo para pensar, digerir os fatos de três semanas atrás. Fatos esses que me torturavam a cada segundo. Mas quanto tempo eu precisava para conseguir encarar Nathan Harvey sem sair correndo? Isso eu já não sabia.
Eu não iria conseguir fugir dele por muito tempo, isso era fato. Até porque, ele estava atrás de mim direto, mas graças aos deuses, ele não havia conseguido nenhuma oportunidade boa o suficiente para me encurralar.
Precisei apelar até mesmo para mudanças de horário de algumas aulas - aquelas em que ele era da mesma sala que eu -, alegando que não estava me adaptando muito bem com minhas turmas. O que no caso era uma grande mentira, já que uma única pessoa me incomodava.
E, minha última atitude para adiar um pouco mais - por pelo menos uns três meses, se eu tivesse sorte - minha conversa com Nathan, foi participar de todas as aulas extra curriculares que a escola oferecia, para zerar de vez meus tempos livres. Isso me ajudaria a não somente acabar esbarrando com ele por aí. Me ajudaria também a não pensar nele. Me submeti ao teatro, grupos de estudos, esportes etc. Aceitei, inclusive, fazer o teste para líder de torcida.
No final das contas, foi tudo em vão.

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