Hoje seria o grande dia, o dia que mudaria minha vida. Eu e minha mãe íamos nos mudar para a mansão dos Nunes. Ela perdeu o emprego a pouco tempo e foi contratada para trabalhar de doméstica. Eu estou muito ansiosa, mas estou com medo, dizem que mansões são enormes, e com escadas, minha visão não ajudará se eu me perder por lá.
- Minha querida, já esta pronta? - Disse minha mãe com uma voz doce entrando no quarto.
- Já sim mamãe, mas eu não sei onde o Freedy está, ele resolveu passear justo agora ! - Eu disse e minha mãe gargalhou levemente.
Freedy era meu ursinho de pelúcia, pode parecer meio bobo para uma garota de 15 anos, mas eu ganhei do meu pai quando eu tinha 7 anos. Como eu era muito tímida e insegura, ele me ajudou a melhorar minha auto-estima e é uma das únicas lembranças que eu tenho de meu pai.
- Vou encontrá-lo para você, enquanto isso, fique esperando lá fora com sua tia. - Ela disse e eu concordei.
Tia Aline, é a irmã mais velha de minha mãe, ela é a melhor tia que alguém pode se ter, ela que me criou desde pequena e sempre ajudou minha mãe no que foi preciso. Ela perdeu seu marido em um acidente junto com meu pai. Foi uma fase muito dolorosa, e ela veio morar comigo e minha mãe.
- Olha quem está aqui, cuidado ao descer mocinha. - Ela disse enquanto me ajudava a descer o degrau da porta.
- Obrigada Titia. - Disse.
- Não foi nada meu amor. Cadê sua mãe?
- Ela foi procurar o Freedy, ele acabou se perdendo bem na hora de saímos. - Eu falei e ela riu como minha mãe.
Eu ainda não desisto de acreditar que o Freedy fala sim, e ele está sempre me fazendo companhia quando estou sozinha. Por questão financeira, eu não posso ir a escola, não temos dinheiro para ônibus. Sim, moramos no interior.
- Encontrei Nanda. - Disse a minha mãe me entregando na minha mão.
Eu o abracei forte. Fazia bastante tempo que não ficava tão perto de meu companheiro, já que ele não dormiu comigo na noite passada. Ficamos alguns segundos conversando, esperando o táxi chegar. Logo que ele chegou, sentei com minha mãe nos bancos de trás, e tia Aline se sentou na frente.
A viagem foi longa, Durou no máximo uma hora e meia até a cidade. Tudo foi pago pelos novos patrões de minha mãe, tenho quase certeza que foi bem caro. O táxi parou em alguma calçada, provavelmente estava a mansão dos Nunes a minha frente.
Senti duas pessoas se aproximando, um deles disse:
- Posso ver suas carteirinhas? - Um deles falou.
- Desculpe, Meu nome é Marta e eu sou a nova empregada dos Nunes. - Minha mãe falou com sua voz doce e calma.
- Um minuto. - Senti ele fazendo algum movimento, logo após ele tornou a dizer. - Podem entrar, Sintam-se a vontade na Mansão.
Nós entramos e eu me senti muito insegura, fui agarrada em minha mãe com o Freedy nas mãos o tempo todo, o lugar parecia ser enorme. Como minha mãe me disse, o maior vai além daquilo que é de um tamanho, então, essa casa é a minha casa, só que muito maior.
Ouvi passos que me fizeram tremer, era alguém se aproximando. Parecia ser alguém muito maior que eu, é estranho mas eu imagino como se todos fossem igual a mim, fisicamente.
- Então vocês são as novas empregadas? Ótimo, vou pedir para que Abigail, mostrem seus quartos. - Disse uma mulher, com um tom completamente seco e grosso.
Eu já estava quase em lágrimas, é a primeira vez que alguém é tão rude comigo.
Entrou alguma pessoa no mesmo instante, seu perfume era forte, e parecia ser alguém bem arrumado para algum lugar.
- Mãe, eu esqueci meu... - Ele disse e não completou, provavelmente olhava para nós.
*
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Olhos Azuis
Teen FictionOi, Meu nome é Fernanda e tenho 15 anos. Quando nasci, minha mãe recebeu a notícia que eu tinha um problema em minha vista. Devido a uma cirurgia, acabei perdendo a visão. Muitos dizem que tenho olhos da cor azul, mas eu não consigo imaginar essa co...
