PRÓLOGO

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Eram 4h45min da manhã. A cabeça de Rebecca doía a cada toque do celular dela. Sabia quem estava ligando, e não estava afim de falar com a pessoa que tentava incansavelmente falar com ela desde que colocara os pés no hall de seu prédio. Tentava focar somente na sua cama, era tudo o que queria. Mas o destino não queria colaborar. Não naquela madrugada que parecia não ter fim.

Rebecca só conseguiu ouvir o grito que saiu de sua garganta quando acendeu a luz de seu pequeno e aconchegante apartamento. Afinal, o que ela estava fazendo ali? Uma hora dessas?

- Você vai acordar seus vizinhos. – foi o que ela disse, enquanto continuava girando em um dos bancos de Rebecca.

- Quer me matar, América? O que você está fazendo aqui uma hora dessas? – Rebecca disse enquanto sentava em seu sofá e tentava controlar sua respiração que estava descompassada devido ao susto.

- Esqueceu que eu tenho a chave daqui? – América falava enquanto continuava girando.

- Não. Para de rodar isso aí que eu já estou tonta o bastante e você não está me ajudando.

- Onde você estava? – América perguntou – Aliás, com quem você estava?

- Dica: educação física.

- Rebecca! – América falava enquanto jogava uma almofada na amiga - Eu não acredito que você saiu com ele! – outra almofada – Sua vaca! – mais uma almofada e Rebecca já ria descontroladamente – Você prometeu que não iria ficar com ele! E para de rir.

- Eu estou um pouco bêbada, dá um desconto. E eu perdi uma aposta, quero cinquenta por cento de desconto.

- Que aposta que você fez, Rebecca?

- Tudo bem, não tinha aposta nenhuma. Foi por livre e espontâneo tesão. Agora ele não para de me ligar porque deixei ele sozinho no motel. Argh. – a garota saiu revirando os olhos em direção a cozinha. Teria chegado lá, se não tivesse tropeçado em uma das três malas que estavam dispostas no caminho. – Merda! Eu achei que... Calma, eu guardei as minhas malas. Mar, o que está acontecendo?

- Então... – a jovem riu fraco enquanto encarava as unhas – Eu saí de casa.

- O quê?!

- Você sabe muito bem como estavam as coisas por aqui quando foi pra Miami. Essa foi a gota d'água.

- Está tudo bem? – Rebecca caminhou em direção a amiga.

- Bom... Deve ficar. Preciso de você.

- Você sabe que pode ficar aqui o tempo que precisar.

- Não, Becca. Não é isso. O inventário da minha avó já saiu.

- Já?! Por quanto tempo eu estive fora?

América estreitou os olhos para a amiga.

- Você não quer que eu responda, não é?!

- Tudo bem, eu sei que fiquei muito tempo fora. O que você está pensando em fazer? – Rebecca dizia enquanto ia para seu quarto – Pode me contar enquanto tomo banho? Eu preciso de um banho. E um remédio pra dor de cabeça.

- Eu posso imaginar. Vou pegar o remédio. – América seguiu em direção a cozinha para pegar um analgésico para a amiga. – Mas não pense que eu esqueci que você chegou à dois dias e não me avisou! Vamos ter essa conversa ainda, mocinha!

Cinco horas e trinta minutos. Rebecca, já de banho tomado e de pijama, tomava um chocolate quente enquanto sentava-se em sua enorme cama king-size ao lado da melhor amiga.

- Então, qual é o plano?

- Você sabe que eu preciso de dinheiro.

- Sim.

- E o quanto estagiários ganham pouco.

- Sim.

- E que eu preciso de dinheiro.

- Sim.. Espera, mas e o inventário da sua avó?

- Rebecca! Não me interrompe!

- Ai, desculpa.

- Então... Você sabe o quanto minha avó significava para mim.

- Sim.

- Para de responder 'sim' o tempo todo.

- América, você está de TPM? – Rebecca perguntou e recebeu um olhar feio da amiga como resposta – Vou entender como sim. Não está mais aqui quem falou.

- Eu não quero vender aquela casa. Você sabe o quanto significava pra ela. Ainda mais por ser perto da faculdade, ela sempre nos abrigava quando precisávamos de alguma coisa.

Rebecca levantou a mão como um aluno que pede permissão para falar durante a explicação de um professor. América riu.

- Pode falar.

- O que você está pensando em fazer?

- Eu já pensei e repensei mil vezes. Mas eu vou precisar de você.

- Tudo bem, fala. – Rebecca falou enquanto terminava de beber o seu chocolate quente.

- Uma república.

- QUÊ?!


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