Primeira parte:
Janeiro chegou rápido nesse ano, mas a cidade ainda não havia notado, uma vez que a maior parte de sua população ainda estava nas praias aproveitando o feriado de “Ano Novo”. Entretanto, esse não é o caso de um jovem rapaz do interior chamado Lucas, pois esse será seu primeiro dia de trabalho no grande e renomado hospital veterinário “Valentino”, no qual ele está na frente, ao lado de sua mãe, criando coragem para entrar.
-É esse ai, né ?- perguntou a mãe de Lucas, admirando-se com o tamanho do local- É esse o local que você sempre sonhou em trabalhar ?- ela apertava o braço dele com carinho e lagrimas nos olhos.
-Esse mesmo- Lucas estava nervoso e não parava de olhar para a porta- Mas será que vou ser capaz de fazer o que eu sempre quis fazer ?- a apreensão dele assustou sua mãe.
-Lucas!- Falou fortemente e olhou séria para os olhos do menino- Você estudou 5 anos, passava noites sem dormi, deu o máximo de si, nossa família passou por dificuldades para pagar seus estudos, mas você não desistiu- ela sorriu para ele- Não há pessoa mais habilitada para cuidar dos animais que você-ela empurrou o filho para a porta- Agora vai! Vou estar torcendo em casa, com seu pai. Não se esqueça o endereço do seu apartamento- lembrou a ela.
Lucas engoliu um cuspe seco, olhou para sua mãe, e depois para frente, empurrou a porta do estabelecimento e entrou. Primeiramente, ele viu a recepção, um local pequeno, extremamente limpo, com várias cadeiras ao lado da porta de entrada e na frente de uma recepcionista, ocupadas por algumas pessoas com seus animais, que possuía um largo corredor ao seu lado, que levava para dentro do hospital.
-Animal em processo alérgico !!!!!-Gritou um funcionário e vários outros profissionais correram com uma maca para pegar um jovem felino, que estava ao lado da porta de entrada, onde Lucas estava, e levaram para dentro do hospital.
-Meu filho- Gritava e chorava uma idosa na frente da recepcionista.
O rapaz do interior chegou perto da idosa, abraçou ela e explicou que não havia com o que se preocupar, já que esse era o melhor centro hospitalar para animais domésticos e, logo, o felino iria melhorar. A recepcionista observava a cena e se encantava com Lucas, ela sorria e mexia no cabelo constantemente.
-Além disso- ele soltou a senhora e olhou para ela- terei o prazer de consulta-la algum dia, pois sou o mais novo médico veterinário- a mulher atrás do balcão saiu de seu assento e se dirigiu para frente de Lucas.
-Sou Leila, a recepcionista- ela estendeu a mão e, quando ele apertou de volta, seu rosto enrubesceu, seu coração bateu mais acelerado e um nervosismo entrou em seu corpo. Contudo, o menino não sentiu o mesmo e olhava de maneira estranha para ela.
Nesse exato momento, uma mulher corpulenta, seguida de um jovem rapaz, usando um grande par de óculos escuros, entraram no local. A mulher, de nariz empinado, olhou seriamente para Leila e Lucas, não gostando da interação entre eles, enquanto o rapaz se sentava em uma das cadeiras na recepção, ao lado de uma menina, muito bem vestida, e com dois cachorros sem raça deitados nos seus pés.
-Leila, não lhe pagamos para namorar com acompanhantes de pacientes- ela retirava o casaco e colocava da mesa da recepcionista. Lucas tentava avisar que nada disso estava acontecendo e olhava, discretamente, para o rapaz sentado nas cadeiras. Enquanto Leila concordava com ele, mas gostava da ideia do namoro.
-Não doutora, esse é Lucas, o novo médico- Leila tentava não parecer tão nervosa na frente daquela mulher. Lucas estendeu sua mão e abriu um grande sorriso, mas esta o olhou dos “pés a cabeça” e se enojou com as roupas de segunda mão e o sotaque do interior e ,assim, não o cumprimentou de volto, apenas sorriu cinicamente.
Lucas não se importou, continuou sorrindo e perguntou se já podia começar seu trabalho, o que fez a mulher se assustou com a simpatia dele e manda-lo conversar com o doutor Valentino, seguir o corredor, virar a direita e entrar na primeira porta. Ele obedeceu, mas antes de ir, uma garota, ao lado do rapaz de óculos escuros, incomodada com seus roncos, e vestida com roupas de altas grifes, se levantou das cadeiras e levou seus dois cachorros sem raças para a mulher corpulenta, e ficou observando.
-Doutora rosa, eu sei que devia esperar na fila- ela começou a sussurrar nesse momento, pois previa a raiva das outras pessoas sentadas na cadeira- Mas você poderia atender-me logo e passar-me uma daquelas soluções milagrosas para meus cachorros ?.
-Posso tentar- a doutora sorriu discretamente- Mas acho que meu sobrinho, Kleber, pode lhe ajudar com mais eficácia- acordou o rapaz com um tapa, o puxou para perto da garota e explicou o que estava acontecendo discretamente.
-Claro, porque não- ele colocou as mão na cabeça, como se estivesse com dor- Venha comigo.
No momento em que Kleber, doutora Rosa e menina, com seus dois cães, entraram no corredor, Lucas começou a se locomover também, enquanto olhava para o jovem doutor ao seu lado. Todavia, quando Lucas virou para esquerda e parou na primeira porta que viu, os três viraram no sentido oposto.
Essa ia ser a primeira vez que Lucas ia ver doutor Valentino, o qual havia publicados diversos livros sobre sua área de atuação, que Lucas havia lido todos. Ele bateu na porta confiante, pois sabia que ia ser dar bem com seu ídolo, mas uma voz muito grossa pediu para ele entrar, sem características de alguém com 67 anos. Dessa forma, do outro lado da porta, havia um homem, de 35 anos, escrevendo em vários papei em branco.
-Você deve ser Lucas Fonseca- assim como Doutora Rosa, ele olhou para o menino, observando suas roupas e suas características, mas estendeu sua mão para o rapaz- Você veio de Tomeasu, esse é o seu primeiro emprego e sonhava com isso desde de criança- Lucas se assustou e apertou a mão dele.
-Como você sabe disso, uai ?- perguntou estranhando o doutor.
-Conheço pessoas do seu tipo, com grandes sonhos e esperando que cidades como essa, fins de mundo, realize seus sonhos- Lucas olhou sério para ele- Acho que você vai encontrar dificuldade aqui, já que no seu “lar” nem devia ter eletricidade, né ?- Lucas se sentiu ofendido mas não quis confusão no seu primeiro dia- Já que é seu primeiro dia, vou te mostrar como se faz- Ele retirou o celular do bolso e apertou na parte superior da tela- Leila, você poderia pedir para Dona Geralda vir ao meu consultório, muito obrigado danadinha- sorriu para Lucas, mas esse não retribuiu, pois não gostou do jeito que ele falou com Laila. Aquilo podia ser considerado assédio.
Depois de alguns minutos, os quais os dois passaram se encarando, uma pequena idosa com cabelos brancos, olhos azuis e um cãozinho velhinho, mostrando-se com muitas dores no abdome, mas muito disposto a viver, entrou na sala sorrindo para ambos. Doutor Valentino sorriu para ela, abraçou-a e apresentou Lucas. Falou que ele iria assistir a consulta, pois, possivelmente, ele nunca havia visto uma boa aula em sua cidade, o que fez Lucas ficar vermelho de raiva.
Doutor Valentino não aparentava gostar de animais, ele pegou o cachorro, o colocou em cima da mesa, como se fosse um objeto, e rejeitava, enojado, qualquer forma de carinho que o pequeno estava oferecendo. Ele examinou rápido e ,sem nenhuma prova, concluiu que poderia ser o pulmão, pois muitos cães que chegaram com sintomas parecidos estavam com problemas nessa área, mas Lucas não concordava com isso, porque ele não quis ouvir o que a dona tinha a dizer e o caso parecia ser bem mais sério. Valentino escreveu os medicamentos que dona Geralda deveria comprar e levou-a, com seu cão, a saída de seu consultório.
-Mas doutor, eu não consigo ler direito. Você poderia escrever mais uma vez- ela olhou timidamente para ele.
-eu já fiz meu trabalho- olhando cinicamente para ela- Não vou fazer de novo- Quando dona Geralda já estava do lado de fora, ele fechou a porta na cara da senhora.
Lucas não gostou da atitude e tentou abrir a porta novamente para pedir desculpas a senhora, uma vez que não concordava com isso, contudo doutor Valentino lhe deu um pedaço de papel e mandou ele ir para a área de emergências.
-Feliz primeiro dia de trabalho- ele riu cinicamente- Vá trabalhar caipira e como eles dizem no seu pedaço de terra, “arriégua só”- ele riu mais intensamente. Lucas queria agredir Valentino, mas esse era seu primeiro trabalho e não queria manchar sua reputação e ,logo, saiu da sala e foi procurar sozinho a ala de emergências.
A sala de emergências era um grande quadrado, com seis fileiras de cadeiras, divididas igualmente entre o lado direito e esquerdo do local, uma atrás da outra, de frente para um grande corredor que possuía vários consultórios, de médicos especializados em casos críticos, e que se conectava a área de aplicações de medicamentos. Quando Lucas achou, ela estava completamente cheia de pessoas, animais de todos os tipos e vários funcionários correndo de um lado para outro. Além disso, a infraestrutura estava com infiltração e a higiene pecava muito, chegando a ameaçar a situação de certos pacientes. Aterrorizado era o sentimento que ele estava sentindo, seu primeiro dia de trabalho no lugar dos sonhos estava se tornando um pesadelo sujo, perdido e preconceituoso. Todavia, Leila estava por perto, que vendo a frustação do novo funcionário, se aproximou dele e resolveu ajudar.
-Esse cara nem escreve direito- Lucas reclamou para sua primeira amiga na cidade.
-Vamos ver- ela tentou ler, mas não entendeu de início, contudo, quando entendeu, ficou aterrorizada- Você é clinico geral da seção de emergências- Lucas não se importou e Leila não concordou com isso- Ele te passou toda as obrigações dele hoje.
Valentino era o clínico geral da sala de emergências, logo deveria medicar nessa área. Entretanto, ele se achava superior a qualquer outro funcionário e decidiu que so iria trabalhar se sua sala fosse em uma das primeiras depois da recepção . Por alguma razão, ele achava que isso era ser superior, contudo despreza compromissos pesados e ridiculariza seus colegas de trabalho.
-Eu não acredito que esse filho de uma “jacarana” fez, só- ele estava quase chorando com a situação, então Leila segurou a sua mão, sorriu e falou que tudo ia ficar bem- Muito Obrigado Leila, você tem sido a melhor pessoa que conheci hoje- ela se enrubesceu novamente – Queria conhecer aquele Rapaz bonito, de óculos escuros, também, ele parece ser gente boa- Elas se assustou e alguns funcionários, que ouviram a conversa, riram- Agora vou começar meu trabalho. Onde fica minha sala ?- perguntou o garoto sorrindo.
-Quinta porta a direita- ela ficou sem ação e continuou no mesmo lugar, enquanto o rapaz chamava alguns pacientes para exercer sua função.
Segunda parte:
23 de maio, quarta-feira, clima frio e tempo nublado, eram os fatores que proporcionavam uma diminuição no número de pessoas e animais presentes na clínica. 8:00 da manhã, é exatamente esse horário que Lucas estava chegando no trabalho, e, como de costume, entrou pela recepção.
O local não estava ventilado ou limpo como antigamente, talvez porque a quantidade de profissionais da faxina tenha diminuído, por cortes no orçamento, mesmo que o hospital ainda receba a mesma quantidade de clientes há dois anos atrás. Além disso, está faltando suprimentos para curativos básicos e utensílios para banhos e tosas, o que vem dificultando essas tarefas. Entretanto, Lucas vem realizando o seu máximo para o melhor de todos, até mesmo comprando esses matérias com seu dinheiro.
Nesses 5 últimos meses, aconteceram diversos acontecimentos na clínica, como a grande popularidade e respeito, por parte dos outros funcionários, adquirido pelo doutor Lucas, que acabou roubando alguns clientes de Valentino, criando pequenos conflitos entre os dois. Doutora Rosa vendeu grandes quantidades de seu elixir, que Lucas levou um ao laboratório, mês passado, para saber a composição química, mas ainda não conseguiu a resposta. Kleber vem chegando cada dia mais tarde e estressado, contudo isso não impedia que o rapaz do interior tentasse olhar para ele as vezes no corredor. E isso não impedia que Leila tentasse se aproximar de Lucas diariamente.
Lucas deveria ser muito grato por ter conhecido Leila, essa menina vem sendo a única amiga dele dentro do estabelecimento. Ela não julga ele por não conhecer certos termos ou funcionamento de certas maquinas, como outros profissionais, ou ter um interesse peculiar em Kleber. Não obstante, ela tenta acalmar ele nos momentos de frustação profissional , como a morte de algum paciente e implicância dos outros funcionários, e incentiva ele a continuar sendo ele mesmo, pois acredita que ele possa melhorar a vinda de todos.
Entretanto, Leila não estava na recepção essa manhã, mas quem se encontrava, encolhida em uma cadeira, ao lado da parede, era dona Geralda e seu fiel amigo de quatro patas. Lucas percebia que ela não estava bem, todavia o cãozinho estava pior, porque ele estava encolhido debaixo da cadeira, gemendo, não permitia que sua dona tocasse em sua barriga e seu espirito animado e festivo estava ausente.
-Dona Geralda- Lucas se aproximou da senhora, que olhou muito triste para ele- Me conte o que está acontecendo com ele- Sentou-se ao lado dela.
-Meu filho, ele não esta conseguindo mais comer, tenta andar mas para constantemente, vive gemendo e suas fezes há resíduos de sangue- Ela olhou para seu cãozinho- E, principalmente, não é mais o mesmo- Lagrimas escorriam por seus olhos.
Lucas pegou seu bloquinho de prescrições medicas, fez algumas anotações e deu para ela, mostrando alguns medicamentos que poderia aliviar essa dor. Falou que era de suma importância que ela pedisse transferência de doutor, já que Valentino não estava dando resultados, e que poderia ajudar no caso. Ela sorriu e abraçou o rapaz, como se ele tivesse realizado o desejo mais importante da vida dela, que se despediu e foi para a área de emergências.
No caminho, ele escutou alguns gritos vindo da sala de Valentino, mas não deu muita atenção, pois podia ser alguma dona inconformada pela morte de seu animal de estimação, já que isso se tornou recorrente nas mãos desse doutor, então voltou a caminhar.
A área de emergias não estava muito cheia, mas havia algumas pessoas, entre elas a jovem menina com seus dois cães sem raça, os quais parecia ter suas peles tiradas do couro com força, mas não quis intervir, pois esses eram pacientes de Kleber, o indivíduo que ele não queria problema. Quando ele estava entrando em seu consultório, ele pode ver Kleber, por um pequeno momento, chamando o nome de seus pacientes. Ele estava usando seus ósculos escuros, como todos os dias, mas aparentava estar mais debilitado. A garota com os dois animais entrou no consultório, assim como o rapaz do interior entrou no dele.
-Como estão os nossos amiguinhos ?- perguntou Kleber, depois que a menina entrou, mesmo vendo que o estado deles não estava nada bem.
-Nada bem- a menina cruzou os braços, olhou séria para ele e sentou-se na cadeira a frente da mesa de Kleber- Aquele elixir não funciona. Na verdade, acho que até piorou o estado deles- Gritou a menina.
-Qual o seu nome ?- colocou suas mão na cabeça, como se estivesse com dor, e ,depois, pegou uma garrafa que estava em sua mesa e um copo. simultaneamente, abriu o objeto prateado e despejou o liquido dela dentro do copo. Um cheiro forte de álcool penetrou nas narinas da menina, a qual não acreditava no que estava acontecendo.
-Você esta bebendo ?- se “indignação” tivesse um rosto, esse seria o da menina. Ela se levantou e quis sair da sala. O doutor permaneceu indiferente e sentando em sua cadeira, hesitando ao falar.
-Esse é a única coisa que diminui a dor em minha cabeça- ele ficou sem reação e olhou para baixo. Ela se sentiu culpada e voltou para o seu lugar.
-Meu nome é Maria- ela sorriu timidamente para Kleber.
-Bem.....Vamos examinar nossos amigos aqui- Kleber solicitou que ela colocasse os dois cachorros na maca metálica.
O doutor não gostou do que viu, na verdade parecia bem assustado. Ele teve medo ao falar, mas comunicou a ela que ambos estavam com Sarna Dermotexi em estado avançado. Maria, não se preocupou pois apenas queria saber se havia cura e se ela levarias eles para casa hoje. Todavia, por alguma razão e mesmo não precisando, pois o tratamento era baseado em banhos e aplicação de medicamentos, Kleber decidiu internar os dois, deixando a menina sem chão.
-O senhor não intende, eu fico só em casa. Meu pai vive trabalhando e minha mão morreu dois anos atrás- Ela olhou para os dois com lagrimas nos olhos- eles são meus únicos companheiros- Choro era alto, se assemelhando a aquele que Lucas ouviu no caminho de sua sala. Kleber se levantou da cadeira e abraçou a menina.
-Vou fazer de tudo para eles melhorarem- ele olhou no fundo dos olhos da menina, transmitindo confiança, o que fez ela abraçar de volta.
12:30 da tarde, Lucas estava na área dos internados administrando os medicamentos de seus pacientes, os quais estavam se mostrando reagir ao tratamento e voltariam a suas vidas normais em poucos dias. Diferente daqueles que Valentino está responsabilizando, uma vez que ou eles se recuperam muito cedo, ou morriam muito rápido. O hospital veterinário nunca havia tido um a grande taxa de mortalidade tão grande quanto nos anos recentes. Logo, em um ato de curiosidade, Lucas foi inspecionar o trabalho de seu superior. Primeiramente, ele conferiu o estado dos pacientes e percebeu que eles não estavam bem. Depois, observou os medicamentos, o que deixou estagnado, porque nunca havia ouvido falar naqueles nomes e quando foi procurar no estoque cibernético do estabelecimento, eles não estavam registrados. Uma conclusão surgiu na cabeça do rapaz do interior como um flash, do porque Valentino não deixar médicos novatos mexerem em sua caixa metalizada e ficava zangado quando outros doutores clinicam seus pacientes. Valentino estava testando medicamentos em seus pacientes.
Lucas pegou uma amostra dos medicamentos e se dirigiu para o laboratório e no caminho encontrou Leila, a qual estava assustada e aterroriza.
-Leila- Lucas olhava fixamente para ela, mas essa não respondia-Leila!- Falou um pouco mais forte.
Ela se despertou e começou a chorar instantaneamente, o que fez Lucas levar ela para a área externa nos fundos do estabelecimento comercial. Os dois se sentaram no chão e não ouve uma troca de palavras, apenas os gemidos e lagrimas escorrendo da menina. Quando ela estava mais calma, Lucas se perguntou novamente se ela estava bem.
-Valentino..... Valentino- ela so repetia essa palavra, enquanto olhava para ele- Abusou de mim- Lucas ficou de boca aberta. Não acreditava no que tinha ouvido.
-Quando foi isso ?- gritou Lucas
-Hoje de manhã- Na media que ela parou de falar, Lucas relacionou os gritos na sala de Valentino pela manhã. Então, ele se irritou com ele mesmo, pois ele podia ter impedido o ato, podia ter ajudado uma pessoas, podia ter ajudado a pessoa que mais ajudou ele.
-Não importa como isso aconteceu. Nos temos que denuncia-lo agora- vermelho era a cor de sua cara e roxo era a de seus pulsos, contraídos formando punhos, que queriam socar a cara de Valentino.
-Descobrir que ele esta roubando o hospital- Ela engoliu um cuspe seco- encontrei algumas provas, mas não sabia o que era e , então, foi mostrar para ele. Ele ficou irritado e, segundo ele, para eu calar minha boca, ele iria fazer um favor para minha vida sexual entediante- ela chorou ainda mais.
-Nos temos que deter esse cara- Lucas olhava sério para Leila- Ele esta infringindo varias normas da constituição, da lei 5517 e do código de ética.
-Não podemos fazer isso- Lucas não entedia essas ultimas palavras vindo da boca da menina, como não denunciar esse sujeito- Lucas, você não intende. Esse cara ta relacionado com pessoas perigosas. Pessoas que podem acabar com a sua vida de maneira literal- Ela so conseguia enxergar raiva no rapaz do interior- Lucas, confia em mim. Se acontecer mais uma vez, nos denunciamos- ela olhava com sinceridade para Lucas, mas esse se levantou e começou a voltar para dentro do hospital com raiva.
-Esse miserável vai ter o que merece- Leila corria atrás dele, tentado impedir que ele chegasse perto de Valentino.
Quando os dois saíram da parte externa, Kleber, que estava escondido, atrás do lixão do hospital, junto com os dois cachorros sem raça, se dirigiu a uma pequena escada, que para baixo, levava a uma porta branca, a uns 15 metros da entrada da ala externa, pela qual Lucas e Leila entraram. A porta se encontrava desgastada e com uma placa dizendo “inativo”, mas o doutor abriu ela e entrou. Era um local escuro, abafado, e com uma estrutura na parede que não permitia que vários latidos e miados vindo de todos os lados fossem ouvidos por pessoas fora dali. Vários cachorros e gatos, aparentemente sem raça, doentes e subnutridos, estavam enjaulados em espaços pequenos e sujos no chão. Apenas havia uma luz, vinda de uma lâmpada no teto, direcionada em idoso mexendo em utensílios em sua mesa.
-Jeferson, Trouxe mais dois- Kleber estava com os cachorros de Maria e mostrou eles para o senhor.
-Ótimo- ele agora tinha um par de laranjas em sua mão- coloque eles nessas gaiolas na minha frente- Kleber fez o pedido, demostrando nojo aos cachorros, entrando em controvérsia ao antigo tratamento dado na frente de Maria- Vocês querem laranjas ?- Ofereceu o senhor aos dois cachorros, mas um deles tentou morder ele, na tentativa de proteger o outro- Não se preocupe vocês vão ser os próximos- ele chupou as frutas e jogou no chão, perto dos dois animais.
-Você vai testar algo novo ?- Kleber cruzou os braços e se apoiou na mesa do doutor.
-Estou testando uma nova cirurgia para retirar câncer do estomago. Queres ver ?- perguntou o doutor sorrindo, como um psicopata.
-Não, muito obrigado- Kleber começou a observar a quantidade de animais sem raça no local- mas sorte nossa que essa cidade tem uma grande quantidade de “vira-latas” nas ruas e nessa clinica. Pena que só podemos pegar, com a permissão de Valentino, os sem raça que estão quase morrendo- Kleber olhava serio para o horizonte- Essas vira latas só servem para isso, serem cobaias.
-Entretanto, esses que você me trouxe dois possuidores de sarna dermotexi avançada e isso não mata- O doutor examinava mais atenciosamente os dois seres vivos, enquanto eles rosnavam para ele.
-A dona era uma patricinha burra e nunca vai saber disso- ele riu- qualquer coisa fazemos o que sempre fazemos, falamos que cremamos e damos uma urna com as cinzas de outros animais mortos- os dois riram dessa vez- Agora vou voltar para o trabalho- antes de ele ir, varias pontadas dolorosas atingiram sua cabeça, o que fez ele para e colocar as mãos na cabeça.
-Cuidado, isso poder ser algo pior- depois de o senhor terminar de falar, Kleber saiu da sala e voltou para o hospital- Agora, qual dos dois quer ser o primeiro ?- ele ria cinicamente para os dois cachorros.
Os dois cães latiam e uivavam para o idoso e, depois, um para o outro. E caso esse senhor pudesse entender o que os animais estavam falando um para o outro, ele ouviria:
-Porque fazem isso conosco, os sem raça ?- perguntou o cão, no lado direito da gaiola.
-Sabes aquelas laranjas que ele jogou no chão ?- perguntou o do lado esquerdo da gaiola, e o da direita afirmou conhecer- nos somos aquelas laranjas! Nos somos as laranjas degastadas dessa sociedade- os dois lagrimaram nesse momento.
Valentino estava em sua sala, conversando com Doutora Rosa, a qual se referia a um assunto que ele não gostava de comentar.
-Estou lhe falando, se você não se espertar vai perder todos os seus clientes e o respeito dos funcionários para aquele menino do interior caipira- ela apontava o dedo inchado na cara do doutor.
-Como se fosse possível eu perder tudo isso aqui – ela olhou seria para ele, o que fez ele temer sobre isso- Você não acha que esse menino possa fazer isso, pode ?- ela estava indignado com o comentário feito.
-Abre o olho “Valentizinho”, você vai acabar perdendo tudo o que tem- Ele demostrou raiva com o comentário. Então ela mudou de assunto- Estou começando a pensar em evoluir o comercio do Elixir- Rosa demostrava ansiedade e animação em cada silaba- Vamos começar a colocar panfletos nas ruas anunciando o “elixir mágico da doutora Rosa” – ela sorria constantemente- vamos ficar ricos. Vou ser rica, RICA!!!!-Ela ria sozinha no consultório.
-Ok, mas e quando descobrirem que você não é medica veterinária- ela parou de sorrir- ou quando notarem que isso não faz nada e é, praticamente, uma loção de água com açúcar- Rosa começou a olhar séria para Valentino.
-Nunca vão descobrir, sabe o porque ?- Valentino se mostrava interessado na resposta- porque o povo da cidade é tudo retardado, principalmente os pobres- Rosa estava irritada.
-Bem, se ferre sozinha – falou ele mexendo no seu computador.
-Mas eu sou sua mãe, você vai me ajudar- garantiu ela.
-Por isso mesmo, você é minha mãe. Então, se ferre sozinha- ele sorriu para ela.
-Olha aqui, fui eu quem te ensinei tudo o que você sabe- ele não prestava mais atenção nela. Estava jogando paciência no computador- eu fazia tudo o que fazia, e coisas piores, na época em que seu pai estava no comando- ela se sentiu enojada ao falar sobre o ex-marido- Ainda bem que morreu, não tínhamos nada em comum, era muito parecido com esse Lucas- Valentino expressou sua raiva se levantando da cadeira e mostrando repudio a mão. Ele realmente ficou com medo de perder tudo para Lucas, já que seu pai era muito querido e conquistava todos.
No momento em que Rosa parou de falar, Lucas entrou no consultório, com Leila, segurando seu braço esquerdo, tentando impedir o conflito entre os dois. Valentino já levantado, olhou e ficou com mais raiva de seu funcionário, enquanto Rosa estava assustada com a postura do rapaz do interior.
-Você abusou da Leila- Valentino concordou com a informação, com uma expressão séria mas também cínica- Tem roubado esse hospital, Usado os animais para testar medicamentos e colocando as suas responsabilidades nas minhas costas- Valentino permaneceu em pé, com raiva e concordou com tudo o que Lucas jogava em sua cara- E você ainda concorda com tudo o que eu falei.
-Eu não vou mentir. Sim, fiz tudo o que você falou e até mais coisas que você nem suspeita- Lucas não estava entendo o que Valentino falava agressivamente- Mas, o que você vai fazer sobre isso ?
-Te denunciar para o conselho federal de medicina veterinária- ambos olhavam fixamente para o outro. Leila se colocava no meio para impedir alguma agressão e Rosa apenas olhava a situação.
-É muita coragem que um menino caipira e afeminado pode ter, só ?- Valentino olhou para baixo e depois para Lucas- Eu posso destruir a sua vida, com um telefonema nenhuma empresa ou clinica ou pet shop vai querer te contratar. Você vai ficar na miséria e ter que voltar para aquele pedaço de terra que você chama de casa- o fogo estava nos olhos dele e começou a chegar mais perto do rosto de Lucas- Além disso, sua vida corre perigo agora- Mesmo irritado, pareceu que saiu algumas faíscas de felicidade ao mencionar esse assunto. Se Afastou do rapaz ao terminar a frase- Porque eu tenho contatos com os meus “contrabandistas”, que eu testo as drogas para eles- Lucas e Leila ficaram assustados- É melhor você dar duas voltas e voltar para sua sala- Lucas não sabia o que fazer, então continuou olhando para ele- Não se preocupe, não vou te demitir, eu sei que esse emprego pode tirar sua família de um poça de lama para porcos, não é ? Caipira- Lucas se controlou o máximo possível, mas saiu da sala com leila, enquanto Valentino e Rosa riam.
O rapaz do interior socou a parede do hospital, enquanto Leila tentava acalmar ele. Entretanto, mesmo depois das ameaças de Valentino, ele ainda estava disposta a lutar. Ele ainda possuía a amostra do medicamento contrabandeado, Leila com seu depoimento sobre o abuso e iria tirar fotos do estabelecimento para mostrar como a higiene e a estrutura estavam comprometidas. Logo, ele foi a outro laboratório na cidade, o mesmo em que fez a pesquisa sobre o elixir, o qual a pesquisa esclareceu que não passava de agua com diferentes tipos de açucares, deixou a amostra para saber do que eram feitos e foi para casa escrever um carta de denuncia para o conselho federal, anexando suas provas.
Terceira parte:
O inverno chegou na cidade, as chuvas diminuíram e, adversamente, o clima esquentou. Entretanto, a esperança de justiça de Lucas tinha esfriado, uma vez que o conselho federal avisou que iria investigar sobre as denuncias sobre Valentino, mas ate agora eles ainda não tinham aparecido. Significando que seu caso poderia levar tempo para ser solucionado, então teria que passar mais alguns meses ou anos com Valentino, o qual sua preocupação em perder o hospital o levou a tornar a vida do menino do interior em um inferno, passando para ele todas as suas consultas da semana, não informando o caso de clínico de cada paciente, alterando os medicamentos dos internados e fazendo ele ficar de plantão em vários dias, o que fazia ele não ter tempo de falar com seus pais, que aparentavam ter notícias importantes para contar.. Entretanto, ele não se importava de aguentar essas implicâncias, que só faziam a reputação dele, como profissional, aumentar, mas não suportava ver tudo errado sem o poder de fazer o certo.
Dia 25 de Junho, dez horas da manhã, clima quente e sem previsão para chuva. Lucas terminou uma de suas consultas e logo recebeu outra pessoa em seu consultório. Todavia, algo interrompeu o procedimento, o qual gritava e chorava ao mesmo tempo. Era dona Geralda que havia acabado de entrar na área de emergências com seu cão desmaiado nos braços, o que fez o rapaz do interior largar tudo e sair correndo para ajudar a idosa.
-Rápido, peguem uma maca e levem ele para o ambulatório- Lucas gritava para os funcionários da área de emergências.
Ele e os outros profissionais corriam para a sala de aplicações de soros, com o cãozinho desacordado no objeto de transporte. Um dos doutores perguntava sobre o prontuário da paciente, contudo ninguém possuía, pois Valentino não havia feito nenhum e não permitiu a troca da responsabilidade, sobre o paciente, Para Lucas. Portanto, eles tiveram que fazer os exames a pressas.
-Dona Geralda me falou os sintomas em uma conversa- Lucas ficava sem folego na corrida- Pode ser Câncer no estomago.
-Vamos ver isso agora- Falou um dos profissionais. Nesses últimos seis meses, mesmo os funcionários não gostando de Lucas, eles não podiam negar a profissionalidade do rapaz e o número de casos salvos por ele. Logo, eles o respeito mutuo, entre eles, foi estabelecido nesse momento.
Enquanto isso ocorria, Kleber estava em sua sala com Maria, a qual não parava de perguntar sobre seus amigos de quatro patas, enquanto ele tentava encontrar alguma forma de mentir sobre o falecimento dos mesmos. Além disso, ele tomava diversos goles da bebida da garrafa prateada e tentava não demostrar que a grande dor que sentia em sua cabeça, que pareciam facas entrando em seu glóbulo frontal.
-Então ?- perguntou a menina mordendo seus lábios, por conta da ansiedade que possuía.
-Então.....-Ele não tinha nada em mente para dizer, mas expressava sua dor em formas de caretas, o que fazia a menina olhar de maneira estranha, como se não estivesse entendendo o que estava acontecendo.
-Como estão meus amigos- ela olhava fixamente para os óculos escuros de Kleber, tentado encontrar os olhos do rapaz.
-Eu não sei como falar isso- O olhar da menina se voltou para seus pés e seu rosto ficou vermelho- Eles vieram a falecer hoje de manhã- ele retirou os óculos e olhou tristemente para ela- Eu sinto muito- Levantou-se e abraçou a menina.
-Eu quero ver eles- ela apertava os braço do doutor- Tenho que me despedir- enxugava suas lagrimas na camisa dele.
-Já cremamos eles- O doutor falava de uma maneira calma e confortadora. Contudo, Maria retirou os braços de Kleber de seus ombros, abriu a boca, mas estava sem palavras, e olhou séria para ele- O que foi ?- perguntou o doutor.
-Quem deu a autorização para fazer isso ?- perguntou ela, mas o doutor permanecia calmo- Eu posso processar essa clinica por isso- as lagrimas pararam, a respiração aumentou e as veias saltaram da cabeça saltaram.
-É procedimento padrão da clinica- Falou Kleber voltando para seu assento, recolocando seu óculos escuros e fazendo uma expressão seria em seu rosto. Ele tentava não mostrar sua dor, mas ela estava gradativamente aumentando sua intensidade- Você não pode processar- ele levou as mão a cabeça, tentando passagear suas testa.
-Eu vou processar vocês. Eu era a responsável por eles e eu que decidia por eles, já que eles não tem o poder de se comunicar- Kleber estava assustado, não esperava isso de uma menina da alta sociedade, que aparentava ser sustentava pelos pais- Vocês não tinham o direito de fazer isso. Não deviam ter a coragem de me avisar isso e nem de me olhar- ela se levantou da cadeira e parecia que ia bater no doutor, contudo não prestava atenção no sofrimento que o rapaz estava mostrando, mesmo tentando evitar- Quanto mais me abraçar.
Ela estendeu a mão para agredir o rosto de Kleber, mas este se jogou no chão e começou a ter ataques de convulsão. Maria se desesperou e começou a gritar ao ver a metade esquerda do rosto do rapaz paralisada e seus membros direitos se contorcendo.
Enquanto isso, na recepção do hospital, várias pessoas se encontravam reclamando e brigando com Leila, com vários fracos do objeto vendido por dona Rosa. Elas repetiam que o elixir não funcionava, foram enganadas e queriam o dinheiro de volta e um tratamento adequado para seus animais, de graça.
-Eu não posso fazer nada- Leila estava intimidada com a agressão das palavras que eram atiradas em seu rosto. Mesmo não tendo relações com os atos criminais de Dona Rosa, ela foi chamada de “Mal amada”- Gente, minha mão me amou muito- ela gritava com os indivíduos.
Dona Rosa saiu de consultório e foi direto ver o que estava acontecendo na recepção, pois o barulho estava incomodando seus ouvidos sensíveis. Primeiro, olhou para Leila e brigou com ela afirmando que ela era uma incompetente, mesmo não sabendo o que estava acontecendo. Depois, olhou para as pessoas como se elas fossem suas fãs e dizia que poderia produzir a maior quantidade do “Elixir mágico da Doutora Leila”. Entretanto, as pessoas não estavam para glorifica-la, mas queria fazer o contrário, o que deixou-se bem claro quando um indivíduo exclamou “charlatona” para ela.
-Como ousa falar isso para minha pessoa- ela estava muito ofendida com o comentário- Eu não estudei cinco anos para receber insultos-Ela empinava o nariz para eles, ofendida com a situação.
-Então mostre seu diploma e a carteira do CRV para eles- Leila falou timidamente para si mesma. Entretanto, eles ouviram e exigiram ver os comprovantes de que ela era uma profissional regulamentada.
-Eu poderia mostrar mas eles não estão comigo- Rosa gaguejou e mostrou insegurança em sua fala.
-Chamem a polícia- gritou uma das pessoas na multidão, concluindo que ela não possuía os comprovantes.
-Clientes, meus clientes- olhares e repostas grosserias foram direcionadas para a dona Rosa- Vamos tentar resolver isso de maneira saudável- mas não tinha conversa, eles começaram a ir para cima da senhora.
Na medida que Rosa tentava contornar a situação, Lucas e os outros médicos estavam lutando para estabilizar o quadro do pequeno amigo de dona Geralda. Eles se moviam rapidamente pela sala de aplicação de medicamentos, trazendo resultados de diversos exames e fazendo tudo o que Valentino não fez nesses 6 meses. Depois de alguns minutos, fazendo uma ultrassonografia no animal, os médicos chegaram a mesma conclusão de Lucas: é câncer de estômago, mas estava afetando uma área que poderia ser retirada e , depois, um tratamento da radioterapia e quimioterapia deveriam ser feitos para assegurar a saúde do animal.
-Precisamos operar agora- gritou um dos médicos.
-Antes, Valentino precisa ver isso. Ele precisa ver o que ele fez- Lucas mostrava a raiva que sentia de Valentino nessas palavras. Ele pegou seu celular e ligou para Leila- Leila, você pode chamar o Valentino na sala de aplicações de medicamentos- ele conseguia ouvir a confusão estabelecida na recepção- O que está acontecendo ?.
-Descobriram que o elixir não funciona e estão se revoltando contra a Doutora Rosa. Na verdade, Dona Rosa porque ela não é médica- era difícil falar com Lucas e, ao mesmo tempo, acalmar as pessoas- Gente, sem exageros, vamos resolver isso na paz e de modo civilizado- Todos os donos de pacientes se cansaram de ficar discutido com dona rosa e resolveram atacar ela, o que fez essa sair correndo para dentro do hospital, com todos atrás dela- Vou tentar falar com ele, mas tenho que resolver isso primeiro- ela desligou o telefone- Gente, não batam nela- Leila saiu correndo e gritando, indo atrás da multidão.
Quando Leila estava indo na direção dos gritos, palavras vulgares e clemencias a morte, no corredor direito a ala de recepção, Maria estava saindo de um dos consultórios tentando carregar o corpo de Kleber, o qual ainda estava em movimento.
-Chama a ambulância- Maria gritou para Leila, a qual, desesperada, deixou o celular cair, mas rápido pegou de volta e ligou para o hospital.
12:50 da tarde, as folhas das arvores estavam caindo, as ruas estava completamente lotada de carros, que provocavam uma intensa poluição auditiva, e Valentino estava chegando no trabalho. Ele estava calmo, tranquilo e confiante que faria desse dia mais uma oportunidade de sair ganhando da vida, mas o que ele não esperava era o que estava acontecendo no hospital.
Ele entrou pela recepção e não avistou Leila, chegando a conclusão que deveria demitir a menina, uma vez que ela quase nunca esta fazendo o seu trabalho. Entrou no corredor esquerdo a ala da recepção , porque queria ver como estava a área de emergência , e não observa ninguém e quando chegou no seu destino, só havia poucos médicos atendendo os pacientes e o funcionário, responsável pelas consultas gerais, não estava lá.
-Onde esta o doutor Lucas ?- perguntou um rapaz que se aproximou dele.
-Eu não sei, mas eu estou aqui- Valentino reconheceu o home e percebeu a expressão de tristeza dele a receber essa resposta- espera, seu cachorro era meu paciente, porque você não se consulta comigo ?- O rapaz voltou a se sentar, ignorando o doutor. Uma frustação cresceu dentro do peito do Doutor, Lucas estava roubando novamente seus clientes.
Em um uma cadeira, encostada na parede, Dona Geralda estava chorando, mas Valentino não percebeu e foi falar com ela. A senhora se revoltou, xingou o rapaz de nomes feios e tentou bater nele, com seus finos e frágeis punhos, mas ele não entendia o que estava acontecendo. A final, ele tinha medicado o cachorro dela, e ela so poderia estar assim se algo tivesse acontecido com o pequeno companheiro.
-Você ainda não entendeu ? Ele esta na área de medicação e desmaiado- gritou ela, com uma voz fraca e tristonha.
-Quem está com ele ?- perguntou Valentino, mas já sabia a resposta.
-Lucas e outros médicos de verdade- gritou alto e todas as pessoas do local observaram os dois.
Valentino deixou dona Geralda de lado e saiu correndo para a área de medicação. Sua raiva estava aumentando e sentia seu punho colidindo com o rosto de Lucas. Ele não acreditava que todos preferiam o rapaz do interior a ele. A previsão de Rosa estava se concretizando, ele estava perdendo o controle do hospital.
Quando chegou no local onde estava o cãozinho, os médicos não paravam de tentar controlar o estado do animal. Entretanto, Lucas percebeu a chegada do rival e o fitou como se esse fosse o ultimo conflito dos dois.
-Que diabos esta acontecendo nessa “bulgaça”, só ?- ele imitava o sotaque Lucas, sorrindo, para irritar seu adversário, mas esse permaneceu calmo, o olhou com superioridade e chegou mais perto dele.
-A sua incompetência esta custando a vida de um paciente- Ao terminar a frase, Valentino golpeou o rosto de Lucas, com seu punho esquerdo, o que fez o rapaz do interior cair no chão, mas não reagir- Isso é caso clínico sério, não há tempo para isso- Lucas voltou a examinar o paciente, enquanto os outros Doutores olhavam com reprovação para Valentino.
Eles chegaram a conclusão que era necessário uma cirurgia de emergência, então todos se dirigiram para a sala de operações, inclusive Valentino, que aparentava estar entrando em um colapso nervoso. Chegando no destino, Eles colocaram o ser vivo na cama operatória, arrumaram as maquinas necessárias para o procedimento, esterilizaram os objetos que iriam utilizar e preparam o cãozinho para o que ia acontecer. Todos saíram da sala para discutir quem iria operar. Só havia três médicos cirurgiões no local, Lucas, que estava presente, Rodolfo, que estava de férias, e Kleber, mas esse não tinha dado noticias que estava trabalhando hoje. Logo, escolheram o rapaz do interior, que, em poucos minutos, se aprontou para o procedimento. Entretanto, Doutor Valentino, nervoso e sem consciência, ameaçou todos, dizendo que se ele não fosse o cirurgião , ele mandaria matar a todos com a ajuda dos amigos do outro lado da lei.
-Eu sou dono desse lugar- ele gritava- tudo isso é meu, meu ,meu e meu !!!!- Ele olhava diretamente para Lucas-Você não tem o direito de tomar isso tudo de mim- ele se aproximou e olhou fixamente para o rapaz- Você é só um garotinho do interior assustado e irrustido- ele olhava para todos os doutores- nem sabe falar direito
De frete para a porta da sala de cirurgia, Valentino terminou de falar, entrou na sala e, antes que alguém pudesse impedir, ele trancou a porta. Ele estava “fora de si”, não tinha estado emocional para fazer aquela operação, não sabia o que estava e o que iria fazer. Então, seguindo as operações realizadas em programas da televisão, Ele abriu o estomago do animal e começou a sua procura pelo tumor cancerígeno, mas como não tinha ideia sobre como fazer uma operação, não havia ninguém para lhe ajudar, o procedimento não estava se saindo bem. Sangue esguichava na mesma frequência que os outros médicos tentavam arrombar a porta, enquanto os sinais vitais do paciente começaram a diminuir.
Doutor Valentino enxugava a o suor em sua camisa, a frequência cardíaca do paciente estava abaixando e as batidas na porta aumentava. Enquanto tudo isso ocorria, um jovem homem entrou no hospital “Valentino” e começou a procurar pelo responsável do estabelecimento. Ele foi andando pelo local comercial e observava os mínimos detalhas, o que dava repúdio pela quantidade de sujeira e infiltração que estavam destruindo o estabelecimento e isso poderia prejudicas saúde dos pacientes e colocar em perigo a vida de todos. Ele entrou pelo corredor esquerdo, em relação a recepção, e acabou vendo o que estava acontecendo entre os funcionários.
-O que esta acontecendo aqui ?- perguntou ele para Lucas, assutado, que tentava, junto com os outros médicos, arrombar a porta.
-Estamos tentando arrombar a porta, pois esse doutor não é cirurgião e esta fazendo uma operação em um paciente de risco- ele hesitou ao contar, mas o homem aparentava ser importante juridicamente.
-Meu deus do céu- o homem ficou desesperado e se juntou aos outros médicos e conseguiram quebrar a porta.
Mesmo com todos os esforços para quebrar o bloqueio, era tarde de mais, Valentino tinha feito um estrago com o paciente. A sala de cirurgia estava completamente banhada em sangue, com pedaços do estômago, mal cortados, pelo chão. Não era duvida, o paciente estava morto. Valentino se encontrava em um estado de paralisia, pois não acreditava no que tinha feito. Naquele momento, ele sabia que tinha perdido o hospital.
-Doutor Valentino- Falou o homem que aparentava ser importante- Meu nome é Douglas, fui mandando pelo conselho federal de medicina veterinária para verificar a sua clínica, depois de receber uma denuncia- Os olhos de Valentino correram ate Lucas- E acho que não preciso de provas para notar sua incompetência e inaptidão como profissional. Logo, você esta preso- Ele pegou o telefone da mão e ligou para a polícia. Valentino pulou em cima dele, para impedir o ato, mas Lucas o prendeu em seus braços.
Depois de alguns minutos, os indivíduos presentes na , agora sinistra, sala de operação ouviram diversos gritos e conversas dizendo “Conseguimos pegar ela”. Logo, Lucas relacionou isso ao que estava ocorrendo com dona Rosa, avisou para o oficial e ambos foram procurar pela senhora. Entretanto, os outros funcionários ficaram na sala para impedir que Valentino fugisse.
As vozes levaram os dois para a área externa do hospital, onde havia várias pessoas tentando cercar Rosa, e, exclamando palavras de ódio e “Charlatona”. Isso fez com que ela corresse para a pequena escada, oposta a entrada, e entrasse na danificada porta branca. Todas os indivíduos foram ate a porta, quebraram ela e entraram no local
O oficial, do conselho federal de medicina veterinária, seguindo a multidão, entrou no ambiente. Se ele pudesse refazer seu ato, ele teria feito, pois o local estava mais aterrorizante que a sala de cirurgia, em que Valentino operou o paciente pertencente a dona Geralda. Havia milhares de cães e gatos, sem raças, enjaulados em gaiolas pequenas e sujas, que se empilhavam uma nas outras e estavam por todos os lados. A todo o momento podia ser ouvido o choro desesperador de cada vida presente na área, o que fazia os presentes se arrepiarem de pena. Douglas e Lucas continuaram sua busca, com os indivíduos revoltados, pelo local , até que pararam em uma mesa, que estava sendo iluminada por cima pela única lâmpada instalada nesse estabelecimento, e viram dois corpos de cachorros abertos, desde as genitálias ate o dorso, já em processo de decomposição, com diversas larvas emergindo dos tecidos e um cheiro podre era emitido dos organismos, que se fixava nas vias respiratórias dos presentes . Faltava alguns órgãos, o sangue estava espalhado pela bancada e o horror plantado nos rosto de cada um que observava a imagem perturbadora.
Depois de alguns minutos, Rosa e o doutor, responsável pela experiência, foram encontrados em uma gaiola retangular, que mesmo estando aberta e sendo maior que a maioria, fazia ambos ficarem desconfortáveis, com falta de ar, assustados e tentando não serem encontrados. Sem perceberem, Douglas fechou a jaula, fazendo eles sentirem parte do que as pequenas criaturas sentiam, pois não iria tortura-los, fazendo eles sentirem a experiência completa.
-Um animal não torturaria. Um animal não fariam você sofrer. Um animal não te prezaria de liberdade- Douglas se referia aos gatos e cachorros presentes no local e olhava enfurecido para os dois- Mas vocês sim- ele cuspiu no chão- Afinal, acho que eles é que não são animais- Gritou para que todos no local pudessem ouvir.
Algumas horas depois, a policia chegou no hospital “Valentino” e prendeu as três pessoas que estavam envenenando o ambiente. Eles foram entrando em uma viatura, saindo pela entrada do estabelecimento, com uma grande vaia dos indivíduos e funcionários que observaram e ficaram sabendo dos acontecimentos. Além disso, algumas pessoas enganadas pela dona Rosa jogaram a substância, que ela denominava de elixir, no corpo dela, na passagem para o carro da polícia, o que fez ela chorar litros de lagrimas. Valentino estava completamente louco, usando algemas, que impossibilitavam que ele agredisse os policiais, gritando com todos que estavam por perto, exclamava, para o céu e a terra, que aquele hospital era dele e mais de ninguém. O doutor, ao lado deles, estava calado com o nariz empinado, mostrando superioridade a aquele acontecimento, mas, após jogarem um ovo podre, em repudio a postura tomada por ele, em sua cabeça, a cor de sua pele ficou vermelho pimenta.
Entretanto, a única pessoa que deveria estar feliz pelo o que estava acontecendo, não demostrava sinais de euforia ou prazer. Ele apenas pensava no destino que o hospital, que ele sonhava em trabalhar, desde de pequeno, levaria a partir de agora, pois , depois do ocorrido de hoje, possivelmente ele seria fechado e não teria como ele salvar a vida daqueles que ele tanto se importa. Leila, que havia descido de um taxi, há alguns minutos atrás, estava observando o rapaz do interior, olhando o local, e resolveu falar com ele, com fazia todos os dias.
-Então, soube que um casal do interior ganhou na loteria recentemente, no hospital- ela falou se aproximando dele, o que fez ele virar para poder ve-la.
-Você estava no hospital ?- perguntou Lucas preocupado e não prestando atenção na segunda parte da frase.
-Estava- ela engoliu um cuspe seco- Kleber sofreu aneurisma cerebral e eu estava com ele, e com Maria, ate agora- Pela primeira vez, Lucas não prestou atenção em Kleber, mas apenas em Leila.
-Ainda bem- ele sorria para ela, a qual estava nervosa, como se fosse o primeiro dia em que eles se conheceram, mas ela quebrou o clima.
-Seu sobrenome e Fonseca, não é ?- ele concordou- Um casal do interior ganhou na loteria, um premio de cem mil reais- Lucas não ouviu mais nada, apenas abraçou a menina com a felicidade.
-Talvez, agora, eu possa reforma o hospital e continuar trabalhando nele- Ele gritava de alegria com Leila, confirmando a amizade existente entre os dois.
Depois desses seis meses, enfrentando preconceitos, um doutor fora dos padrões, alterações em suas prescrições medicas, noites sem dormir em plantões, e uma grande dor por ver animais sofrendo. Lucas tinha esperanças para um futuro melhor, um futuro onde ele o seu melhor.
7 meses depois, Lucas, com ajuda de seus pais, reformulou o hospital “Valentino”, que agora se denomina “Fonseca”, e é o proprietário, depois que a família de Valentino doou para o funcionário mais eficiente, que apos um consenso multo, todos os ex profissionais decidiram que esse seria o menino do interior, na tentativa de não relacionar o nome da família com os acontecimentos macabros, e conheceu uma pessoa especial, a qual esta noivo. Leila foi convidada a voltar a trabalhar no seu antigo emprego, contudo com um acréscimo em seu salário, como todos os outros funcionários antigos de Valentino, mostrando que o rapaz do interior não tem mágoa dos colegas. Kleber veio a falecer depois de um mês internado no hospital. Maria processou a clínica e levou parte do dinheiro conquistado por Valentino e dou para ONGs especializadas em animais de ruas abandonados, que absorveram os cães e gatos que sobreviveram as experiências do outro doutor, todavia um deles teve o destino entrelaçado com dona Geralda, que após receber a notícia do falecimento de seu companheiro, não quis mais nenhum animal, mas não conseguiu resistir aos olhos penetrantes do novo amigo. Valentino foi colocado em um manicômio, onde ainda exclama que o estabelecimento é dele e sua mãe tenta, depois de ser condenada a dois anos de cadeia, depois que descobriram outros trabalhos ilícitos a lei, tenta contrabandear drogas no seu atual paradeiro, onde constantemente e enviada para solitária por brigar com as outras prisioneiras. Contudo, Jefferson não conseguiu cumprir seus diversos anos nas mão da lei, pois cometeu suicídio depois de três meses encarcerado.
Hoje é o primeiro dia do ano, e, por conta do feriado de ano novo, parecia que a cidade ainda não havia notado. Todavia, um jovem rapaz do interior, denominado Lucas, que passou por diversas situações ruins, estava na frente do seu hospital, com sua amiga, Leila, do seu lado direito, uma pessoa especial, do lado esquerdo, e com seus pais atrás dele, cada um segurando em um lado do ombro do menino, chorando, olhando para a porta de entrada, criando coragem para entrar.
Uma lagrima caiu, uma brisa passou por seus cabelos e a secura tomou conta de sua boca. Lucas abriu a porta e entrou em seu hospital.
