Primavera

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Era de manhã, tudo estava bem calmo. Corri para a janela, lembro-me que estava tudo tão verde, tão vivo, os pássaros cantavam numa melodia sincronizada, o baloiço que ficava no jardim, atrás da casa, movia-se para trás e para a frente, lentamente. As flores do jardim sorriam para a sua fonte de energia. Os raios de sol invadiam o meu quarto e aqueciam-no. Um conjunto agradável e harmonioso de sensações, era primavera.
Depois de alguns minutos a observar o bom da natureza, dirigi-me para a cozinha. A minha mãe tinha preparado o pequeno-almoço. Aquelas torradas deliciosas que só ela sabia fazer, o cheiro da manteiga derretida no pão. Sentei-me e ela sorriu para mim, saudou-me com um "bom dia" e começou a comer. Era tão bonita, uma mulher realmente incrível. A sua pele era branca, tinha uns olhos azuis, assim como os meus. O seu cabelo era negro, como o carvão, era tão suave, mas o que eu mais gostava nela era o seu sorriso, tinha a capacidade de alegrar as pessoas. Estávamos em silêncio os dois, apenas se ouvia os pássaros do lado de fora.
Vesti-me, coloquei a mochila, a minha mãe ajeitou-me o casaco, deu-me um beijo e disse "bom dia de escola", eu retribui-lhe o beijo, abracei-a e saí.
Olhava para a calçada, tentava calcar um paralelo de cada vez, cheguei à paragem de autocarro e esperei. Por fim o autocarro tinha chegado, entrei e sentei-me, era mais um dia de escola. Chegando à escola, fui para o recreio, à espera do toque de entrada. Sentei-me num banco feito de pedra, era frio, observava todos as crianças que brincavam no recreio, incrível a capacidade de uma criança se satisfazer com pouco, um pau era uma espada e um muro era a torre onde estava trancada a princesa, uma poça era um rio, e de repente o cavaleiro ganhava poderes mágicos. Risos infantis eram largados no ar, alegria, um ambiente de sonhos por serem realizados, ambições pequenas, amor, amizade, era assim que eu via o recreio. Quando crescemos, creio que nos esquece-mos mesmo desses valores que deviam ser prioritários. Chegava a hora de entrar, peguei na mochila e caminhei em direção à sala de aula.
As aulas tinham agora acabado, tinha sido um dia realmente divertido. Ainda o sol estava no céu. Enquanto esperava o autocarro conversava com os meus amigos sobre as aulas, como tinha sido divertido quando o Carlos pintou a cara de verde sem querer, sobre os trabalhos de casa, as somas, subtrações, divisões, como eram realmente pequenas as nossas preocupações.
O autocarro tinha agora chegado. A rotina era a mesma cinco vezes por semana, mas naquele dia algo estava diferente, algo tinha mudado.

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