Era apenas mais um almoço em família, daqueles bem chato onde todos tinham que estar presentes e a comida tinha que ser servida primeiro ao mais velho e por ultimo ao mais novo. Judit Piteskovisk, jovem de pele tão branca quanto à neve, a cor de seus olhos quase se perdiam em meio aos suaves cachos ruivos que deslizavam por sua bochecha ocultando o verde de seus orbes tímidos, acabara de chegar com seus pais, estavam atrasados, como sempre, mas não era intencional, a doce menina de madeixas ruivas fazia aulas de balé no horário da manhã, o que acarretava seu atraso. Embora todos da família amassem a jovem prodígio era quase insuportável ter-la que espera para poder comer.
A menina passava serelepe por entre o corredor de parentes, cumprimentados a todos com um belo sorriso enquanto equilibrava-se na ponta dos pés. Em seu ultimo giro desequilibrou-se, tombando com um homem que se mantinha escorado a coluna da cozinha. Este nem se importou.
- Desculpe, tio Vincent! – após se recompor, envergonhada a menina foi se sentar.
Jhon Vincent era o tio mais novo da garota, tendo 28 anos de idade, olhos azuis claro, barba por fazer tendo apenas as costeletas alinhadas ao queixo, expressão suavemente cansada com olheiras dignas de ser seu charme. Era um homem alto, quase 1,90 de altura, podia ser o mais novo, no entanto, com toda a certeza era o mais alto. Sua voz tinha um tom grave quando estava alterado, mas na maioria das vezes apenas era suave. Judit tinha certa desconfiança sobre esse homem, sempre evitara ficar a sós com ele, pois se sentia desconfortável em sua companhia.
- Já podem se servir! – uma senhora disse animada, esta era avó de Judit, a matriarca da família.
Enfim terminado a refeição, todos foram para o jardim, onde podiam desfrutar de uma bela paisagem e conversas fiadas. Num passo, a menina entrou na casa e se direcionou até o sótão da habitação – lugar onde gostava de ficar sozinha, dançando em frente aos espelhos que sua avó mandou colocar exclusivamente para si. – Estava tão concentrada em seu agachamento com os calcanhares juntos que se assustou ao ouvir a portinhola ser suspensa por outro alguém.
- Tio Vincent?! – surpreendeu-se ao ver o reflexo de tal.
- Pode continuar, apenas vim observá-la – a temperatura até baixou, fazendo o corpo suar frio e um nervosismo crescer dentro de si.
As pernas tremeram tornando difícil manter o equilíbrio nos calcanhares. A figura, que apenas olhava a menina, se aproximou por trás abaixando-se e pondo uma mão na cintura da garota e outra debaixo do antebraço, assustando Judit.
- Espere! – congelou seus passos. – O que pensa que esta fazendo?!
- Apenas relaxe. Vou ajudar você a se equilibrar – suspendeu o corpo dela, obrigando-a a ficar na ponta dos pés.
- Não precisa! Posso fazer isso sozinha! – insistiu, não querendo que ele a tocasse mais do que já fizera.
- Não vou machucá-la, menina. Minha namorada também faz balé, às vezes eu a ajudo a praticar – limpou a mente e aceitou a ajuda.
- Tudo bem.
Na ponta dos pés a pequena ruiva era arrastada de um lado para o outro no cômodo, em certo ponto teve seu corpo totalmente erguido, o que até a fez gritar de medo e surpresa, mas logo se recompôs e tocou o chão com suavidade, como uma verdadeira bailarina profissional.
- Obrigada – ela disse, ajeitando seu cabelo para trás da orelha.
- Esses ainda são só os primeiros passos. Você ainda vai aprender a saltar como se estivesse voando.
- Sua namorada é muito experiente na dança? – o homem fechou os olhos por um breve momento, exalando um pensamento sujo quando tornou a abri-los esgueirando um fino sorriso nos lábios.
- Bem, ela apenas pratica para não perder a boa forma, é isso que ela me diz – ele riu de uma forma que também a fez sorrir, e a doce criança apenas se desfez daquele pensamente inseguro sobre seu tio. – Vamos descer. Sua mãe logo deve ir.
De volta à sala de estar, apenas uma de suas tias estava ali, tricotando algo chato e entediante. Judit detestava esses momentos de acaso, pois sua tia sempre lhe enchia com histórias de como aprendeu a tricotar com a sua idade. O que a fazia acreditar que sua tia era contra suas aulas de balé.
- Judit, querida! – nem tivera tempo de desviar o caminho, a mulher tinha olhos de águia para a sobrinha. – Venha até aqui, deixe-me mostrar-lhe este novo tricote que estou fazendo!
Em passos tediosos ela foi, sentou-se bem ao lado da senhora, fingindo dar-lhe toda a atenção do mundo naquele momento. Mas, Vincent não estava muito longe daquele local, estava sentando em uma poltrona bem de quina, quase de frente com as duas.
Inquieta com certa presença masculina, a menina coçou atrás da orelha, sentindo-se sufocada por aquela pessoa. Simplesmente sentiu receio em desviar os olhos do tricô para encará-lo, entretanto, não agüentando mais aquela angustia ergueu os olhos disfarçados e viu seu tio olhando para as suas coxas quase toda a mostra.
Os pensamentos fluíram naquele momento, às vezes se odiava por pensar tanto quando não deveria pensar em nada. As pernas cruzadas até se cansaram e insistiram em revezar a posição. Os olhos imaturos quase não se controlavam ao olhar para a expressão sombria fixada em sua pele cálida. Voltou à atenção para sua tia enquanto descruzava as pernas apenas para cruzá-las novamente. No instante em que as ajeitou foi certeira em seu olhar que, bateu de frente com os olhos dele, sentindo um frio na espinha descer até seu estômago e abraçá-lo friamente.
Olhos de quem iria rasgar aquelas roupas a qualquer momento.
Judit podia ter apenas 10 anos, mas já tinha certeza de quem era aquele homem.
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Sweet Child
RandomUma família tradicional como outra qualquer, mas como toda linhagem tem lá seus defeitos, a família Piteskovisk não seria exceção ao caso, pois Vincent não é o tipo de homem tradicionalista. Apenas uma menina, uma doce garotinha de belos olhos verde...
