Estávamos na noite do meu aniversário.
Bem para ser mais exata, estávamos na noite de dia 20 de Novembro de 2016. Mas antes de vos levar ao inicio da ação, é melhor contar-vos um pouco da minha pequena grande história.
Chamo-me Sarah, ou Sarah Silva Clark como insistem chamar-me sempre que vou a uma consulta no centro de saúde. Tenho 84 anos e sou filha de uma mãe portuguesa e de um pai britânico, mas por incrível que pareça eu sou americana. Até que acho uma certa piada a isso, quer dizer quando era mais pequena sentia que a minha casa era um pequeno mundo, tendo em conta que tenho tios e primos franceses, os meus avós eram espanhóis e a minha madrinha era austríaca, o pior disto tudo era no Natal, quando decidiam juntar a família toda e aí sim, eu sentia-me uma analfabeta, quando começava a ouvir os meus primos mais novos a discutirem em francês, os meus avós que tentavam ensinar as minhas primas a falar espanhol e a minha mãe a conversar com a minha tia Ju em português.
Mas bom, voltando à história inicial.
Bem eu estava sozinha em casa a tomar o típico chocolate quente dos dias de chuva quando de repente tocaram à campainha. Confesso que achei estranho, tendo em conta que o Ethan, o meu marido, tinha saído para o escritório à menos de 10 minutos. Pousei a chávena do chocolate em cima da mesa da sala e fui abrir a porta embrulhada no meu roupão branco com bolinha douradas.
Do outro lado estava a minha filha Sophia com o seu marido Noah e o meu casal de gémeos preferidos, Martha e Jason.
-Boa tarde Mrs. Sarah! - exclamou a minha menina sorrindo.
-Boa tarde querida, o quê que vos trás por cá?
-Avó nós viemos festejar! - disse o Jason atirando-se para o meu colo.
Foi precisamente naquele momento que me lembrei que era o dia do meu aniversário. Sou sincera, a minha memória já não está lá muito boa, mas contudo ainda consigo contar-vos exatamente algumas histórias da minha infância.
-Entrem, está frio aí fora.
-Mãe trouxe um bolinho que os gémeos me ajudaram a fazer, onde é que posso pôr?
E pronto, chegou a pergunta que eu mais esperava, mas não num bom sentido. A Sophia sempre foi uma rapariga que se importa bastante com as datas, principalmente os aniversários e considerando que eu me esqueci do meu próprio aniversário, bem acho que dá mais ou menos para ter uma pequena ideia daquilo que ela vai dizer.
-Tu não me digas que... - iniciou Sophia. -mãe a sério que tu te voltas-te a esquecer!?
-Desculpa querida, tu sabes muito bem que a minha memoria já não é o que era, e sinceramente passar de 84 para 85 não é uma coisa que me deixe lá muito feliz, é só um sinal de que já estou quase a passar para o outro lado.
Sim eu sei que não foi uma coisa agradável de se ouvir, mas é verdade, eu já não vou para nova e festejar esta data tornou-se simplesmente uma maneira de me deixar triste, sabendo que daqui a pouco já não os vejo mais.
Eu olhei para a minha filha e vi a sua cara de descontentamento, sabia que tinha de fazer alguma coisa, por isso chamei os gémeos e dei-lhes instruções para ligarem para o tio Scott, o meu filho mais novo, e dizerem-lhe para aparecer com a sua família em minha casa para a minha festa de aniversário.
-O número dele está num caderno em cima da minha mesa de cabeceira, vão ao quarto e liguem para ele. - disse-lhes eu pegando no bolo que Sophia tinha nas mãos e levando-o para a cozinha.
Eu e a minha filha decidimos preparar uns fritos para colocar na mesa que o meu genro estava a por na sala de jantar. O Noah sempre foi um rapaz prestável e sempre ajudou muito cá em casa quando aparecia para jantar.
Os gémeos estavam a demorar demasiado e o mais incrível era o facto de não se ouvir barulho no andar de cima, tendo em conta que para onde quer que eles fossem haviam sempre gritos e choradeiras. Ou era porque o Jason tinha batido na Martha ou porque a Martha tinha assustado o Jason, aqueles dois nunca se conseguiam dar bem.
Decidi ir até lá a cima ver o quê que se estava a passar no meio de tanto silêncio e não demorou muito até que os gritos voltassem.
-Para, dá-me isso, eu vi primeiro! - gritava o Jason.
-Não, fui eu que a vi primeiro!
Ao entrar no quarto vi a Martha em cima da cama com uma rosa na mão.
-O quê que se passa aqui!? - perguntei eu.
-Avó o Jason não me dá a rosa, eu vi-a primeiro. - dizia a Martha.
-Não, isso não é verdade, fui eu que a vi primeiro.
As minha pernas começaram a tremer, as memórias daquela rosa de plástico voltaram a aparecer como um foguete na minha mente.
Passado algum tempo "acordei" e os gémeos já estavam sentados na cama a olhar fixamente para mim.
-Avó Sarah está tudo bem!? - perguntaram ao mesmo tempo.
-Sim queridos, está tudo ótimo.
-Foi o avô Ethan que te deu esta flor? - perguntou a Martha.
-Não querida, eu recebi essa rosa à muito tempo atrás de uma pessoa muito especial.
Eu tinha que lhes contar.
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As 12 Rosas
RomanceSarah, uma senhora de 85 anos é confrontada, pelos netos, com uma memória antiga que faz o seu coração voltar a bater após tantos anos. Assim que vê a rosa de plástico plantada nas mãos dos gémeos sorri e revive com carinho os melhores dias da sua v...
