Prólogo

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May 05, 2009 at 9:57 am.

Stratford, Ontario, Canada

Os pássaros cantavam tristemente do lado de fora, sendo meu despertador naquela manhã fria em Stratford. O sol encandecia o céu, trazendo um pouquinho de calor, mas não o suficiente. Muitas nuvens cinzas faziam companhia a luz dourada irradiante que entrava por minha janela. O dia hoje havia amanhecido triste, e o mal pressentimento que subia em meu peito fazia-me questionar tudo àquilo.

Levantei da cama e fui ao banheiro, tomei um banho rápido e logo depois saí vestida com meu vestidinho amarelo que ganhei de presente no Natal passado de Pattie. Sei que Justin irá gostar de me ver vestida com ele, e nada melhor do que tentar impressioná-lo, certo?

Hoje iríamos mais uma vez ao lago, depois ele tentaria me ensinar a andar de skate, o que acho ser uma tarefa impossível. Eu não conseguia nem ficar em pé em cima daquele troço, dirá andar, mas Justin como sempre é teimoso e faz de tudo para que eu aprenda logo e possa andar por toda a Stratford de skate com ele.

— Mamãe, vou sair um pouco okay? Estou indo até a casa do Justin. — Anuncio ao chegar na cozinha, encontrando minha mãe sentada, a olhar para o nada, como se estivesse pensando.

A mulher loira, de olhos azuis iguais aos meus desviou seu olhar para mim e me fitou com intensidade, como se buscasse em mim a força que precisava para fazer seja lá o que fosse.

— Filha, não tem como você ir à casa do Justin hoje, meu amor. — Eiz ela, com seus olhos um tanto marejados, olhando para mim.

Como assim? Do que ela está falando?

— Por que, não? Ah, mamãe, por favor deixa, prometo que não demoro. Ele só vai me ensinar a andar de skate. — Sento-me ao seu lado e ela segura minha mão.

— Filha, eu sei que você e o Justin são melhores amigos, que entre vocês há uma amizade enorme, mas... — ela pausa e respira fundo, antes de continuar: — Você sabe que o Justin adora cantar não sabe?

— Sim, é a paixão dele.

— Então... você esteve com ele naquela pequena competição dele, não foi? Esteve ao lado dele, e viu tudo de perto, torceu por ele como ninguém. — Os olhos da mais velha começam a marejar novamente e eu fico preocupada.

— Mamãe, o que houve? Porque tanto mistério? E por que a senhora está querendo chorar? — Pergunto, completamente aflita, meu coração se apertando à medida que ela segura com mais força minhas mãos.

— Preciso que você seja forte filha, preciso mesmo, e preciso que você seja compreensiva, pois... Justin foi embora esta manhã. — Diz ela, deixando cair uma lágrima solitária. Sinto como se naquele momento alguém tivesse enfiado uma faca em meu peito, como se tivessem arrancado meu coração do meu próprio peito e pisado com força, sem dó algum.

Como assim embora? Isso não pode ser verdade. Não pode ser. Ontem estávamos na praça, ele tentando me ensinar a andar de skate como sempre. Por que ele não me disse que ia partir? Por que não se despediu? Por que... Isso não pode ser verdade.

— Como assim, mamãe? Justin não pode ter ido embora, ele nem me contou nada. Como ele iria embora sem me dizer e pior, sem se despedir? — Pergunto com os olhos já tomados por lágrimas que ameaçavam descer sob meu rosto a qualquer momento.

— Eu sinto muito filha, mas os vídeos que a Pattie postou no YouTube do Justin fazendo covers e aqueles da competição, chegaram até um produtor famoso que se interessou por ele e bem, o levou para Atlanta, filha — ela fala e eu levanto-me com os olhos ardendo, mas segurando-me para não chorar.

— Não, mamãe! O Justin não foi embora! Eu vou até lá e a senhora vai ver como está enganada! — Digo e então saio da cozinha, passando pelo corredor em direção a sala.

— Não filha, volta aqui! Volta aqui Lindsay!

Abro a porta de casa e saio a correr para a rua do lado.

Isso tem que ser mentira. Minha mãe tem que estar enganada. Ele não pode ter ido embora. Justin não pode me deixar. Não, ele não pode me deixar. Não agora! Não!

Corro o mais rápido que posso, e quando paro em frente a casa de Justin, agacho-me, apoiando as mãos nos joelhos para respirar um pouco e então vou até a porta, dando três batidas, o suficiente para que vovó Diane atendesse com um sorriso no rosto.

— Olá, vovó Diane. É... Justin está? — Pergunto e vejo seu semblante mudar ao ver meu estado. Eu já estava chorando.

— Oh, querida, ainda não sabe? Justin não lhe contou? Ele viajou hoje para a Atlanta junto com um agente musical. Segundo esse agente, Justin será agora um garoto famoso — vovó Diane fala com um pequeno sorriso em seu rosto, explicando tudo direitinho para que eu possa entender.

— Ele... ele não me disse nada, eu... eu pensei que... desculpe, vovó Diane, eu tenho que ir — falo rapidamente e saio dali sem dar tempo para que ela falasse algo a mais.

Estava correndo novamente, dessa vez indo até a praça onde sempre ficávamos, onde ele sempre me ensinava a andar no seu skate, apesar de sempre cair, ele estava lá. Eu sei que ele estaria lá, ele sempre estava lá. Todos estão enganados. Isso é apenas uma brincadeira de mau gosto. Eu sei que ele está lá me esperando, com seu skate nas mãos, sentado no nosso banco, batucando os dedos nos skate como eu sempre o via fazendo.

— Sim, ele está lá. Eu sei que está. Justin vai estar lá quando eu chegar. — repetia isso a mim mesma à medida que me aproximava do parque, como um mantra que poderia arrancar de mim toda essa queimação que sinto no peito.

Olhei para o banco em que eu sempre o via me esperando e encontrei-o vazio. Ele não estava. Não, isso não poder ser verdade. Ele não pode ter ido embora sem antes ter falado comigo. Não. Não, Justin! Não!

As lágrimas já desciam quentes sobre meu rosto. Meu coração machucado se espremia em meu peito, batendo devagar, sofrendo para continuar bombeando sangue ao meu corpo. E isso dói tanto, parece que me espancaram até sangrar e logo em seguida jogaram-me de um grande penhasco, para que lá embaixo eu sofresse ainda mais. Oh, céus, como isso dói.

Sento-me no banco em que dizíamos que era nosso e deixo que as lágrimas caiam constantemente pelo meu rosto. Olho ao redor e vejo minha mãe se aproximando. Balanço a cabeça pedindo para que ela pare e vejo-a respirar fundo, a dor e preocupação por me ver assim estampado em seus olhos. Ela assente com a cabeça e dá-me um simples sorriso de que tudo irá ficar bem.

Não mamãe, nada está bem. Meu melhor amigo foi embora, e nem se despediu de mim.

Vejo-a se afastar e volto a chorar novamente. Eu só queria ficar sozinha no momento. Era muita informação para que minha cabeça pudesse processar tudo sozinha. Eu precisava de um tempo.

Então quer dizer que ele se foi? Quer dizer que ele me deixou aqui, sozinha? Então tudo isso quer dizer que eu nunca mais verei ele? Mas como...? Por quê ele fez isso? Por quê foi embora sem ao menos se despedir de mim? Será que nossa amizade nunca valeu tanto assim? Será que... Oh, céus! Por quê você foi embora Justin? Por quê?

Olho para a árvore onde ele me beijou pela primeira vez. Abraço minhas pernas, escondendo meu rosto e chorando o tanto que conseguiria ali. Ele se foi, Justin se foi e me deixou aqui, sozinha. Ele não se despediu, não fez questão de ir ver-me e falar que estava partindo, ele apenas se foi.

Unconditionally ||J.B||  (REESCREVENDO)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora