Epílogo: A manhã, amanhã.

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Meus olhos mal estavam abertos e eu pude me sentir vazio. Era algo comum, fazia muito tempo. A rotina me consumiu e a desistência tinha ganhado. A solidão, ao contrário de muitas pessoas, pareciam combinar comigo e as recentes olheiras e roupas amarrotadas que faziam parte da nova composição de quem eu era hoje. Eu deveria me importar?

A luz do sol dançava sobre as brechas da minha antiga cortina, atingindo meu rosto. Era bom sentir aquele calor inocente de mais um belo dia que estava começando. Mais um belo dia que como todos os outros, eu iria me foder. Eu não me importo. Os pássaros estavam cantando, as possibilidades estavam me esperando do lado de fora daquela cama. E eu realmente, não me importava. Nada importava. Tudo não fazia mais o menor significado pra mim e pra minha ideia limitada sobre felicidade humana.

Meu maior conforto era que a minha cozinha parecia mais vazia do que eu.

A rua parecia um lugar agradável hoje. Estava tranquila e não cheia de pessoas indo e vindo, apressadas e sem nem saber por quem está passando. Já parou pra pensar que nós passamos por tantas pessoas todos os dias e nunca tivemos o trabalho de olharmos para elas? Tirando aquelas que olhamos por serem bonitas. Você não se interessa. E isso inclui a mim mesmo. Nada mais importa desde que ela se foi.

Taylor foi minha namorada primavera passada. Diferente de todas as outras que eu sempre cansava, ela me prendia todos os dias. Não sabia se era a profundidade de seus olhos "cor-de-mel", se era o modo que ela brincava ou como me fazia sentir especial. Não importava, a dor foi insuportável quando ela se foi de todas as maneiras.

Não gostava de pensar nela. Fazia um ano que tudo tinha acontecido e sinceramente, era ridículo.
Mas o que não é ridículo?

- Manhã difícil? - A garota que eu nunca decorei o nome dizia enquanto servia meu café de sempre. Puro. Forte. Com sabor de fracasso.

- Toda manhã é difícil quando se descobre que cereal estraga. - Disse, sem nem olhar pra cima. Pude sentir seu olhar sobre mim por uns breves instantes. Por aqueles minutos, saborei meu café em total silêncio enquanto ouvia duas senhorinhas conversarem sobre a dificuldade de escolher o que fazer pro almoço de domingo até que ela voltasse, jogasse seu avental sobre o balcão e desse a volta até chegar em mim. Não me movi.

- O dia está realmente muito bonito para ficarmos aqui, não acha?

- O dia está perfeitamente agradável para ficarmos aqui. - Ela soltou um suspiro, quase um fraco riso.

- Quer dizer que não quer dar uma volta com uma bela e eficiente garçonete? Muitos caminhoneiros dariam suas barbas por isso.

- Isso foi uma piada? - Não pude deixar de sorrir enquanto mexia na minha xícara de café quase imenso em seu líquido.

- Isso foi um: levanta, o dia está legal lá fora e nenhuma história deveria começar tão dramática.

Então, eu a olhei e sorri.

Café, por favor.Stories to obsess over. Discover now