Capítulo dois

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   Hoje é meu primeiro dia de aula em Coville, então fiz questão de dormir cedo. Acordei antes do despertador tocar às 6:00, vesti o uniforme e fui à cozinha procurar minha mãe.

— Bom dia.— falei após bocejar.

— Bom dia. Animada para o primeiro dia de aula em Coville?— perguntou, levando uma xícara de café aos seus lábios.

— Definitivamente sim. Aquele colégio me parece ser bem legal. Sem contar que irei morar lá. Sentirei muito a sua falta, mãe! — falei ao abraça-la.

— Eu também minha meninona. Olha, não se esqueça de que qualquer coisa eu estou sempre com meu celular, e lá nem é tão longe da cidade.— falou me apertando.

— Tá, tá mãe. Agora precisamos ir, já são 5:38 e quero ir pra Coville o mais cedo possível. Estou muito curiosa para descobrir qual será minha colega de quarto!— eu estava bem empolgada, e pra minha felicidade minha mãe não enrolou e logo foi para o carro comigo, levando minhas malas.

— Quando chegar no colégio, ligue para seu pai. Eu falei com ele sobre Coville e ele também achou que deve ser um bom lugar de ensino para você. E ele tem uma coisa para te falar. — ela disse, olhando para mim sorrindo enquanto dirigia.

— Eu posso sa... — falei, mas minha mãe não me deixou terminar a frase.

— Nem adianta perguntar, é surpresa!— falou no estacionamento.— Agora vá, faça amigos e estude muito, viu mocinha?— minha mãe ainda parecia achar que eu era uma pequena e inocente criança, mas eu até aceitava ela me chamar assim, já que era seu jeito carinhoso de se referir à mim.

— Está bem, mãe. Tchau! Ah, e quanto a você, ache um cara que te faça feliz e trabalhe, viu mocinha? — brinquei, já que meus pais são separados à um tempo.

  — Esperta. — ela sorriu e seus olhos brilharam. Ela ficou no estacionamento até me ver entrar no colégio e se despediu de novo com a mão.

   Quando entrei, quem veio falar comigo foi Ítalo, e ele parecia muito mais animado do que quando eu o vi pela primeira vez. Ele apontou para um homem, no qual, segundo ele, deixaria minhas malas em meu dormitório, então passei o número e o moço foi até o dormitório e perdi o mesmo de vista entre os corredores. Eu avisei à Ítalo que não havia tomado café da manhã ainda, pois queria vir pro colégio mais cedo. Fomos até a cantina e tomamos café da manhã juntos. Ficamos conversando sobre nossas vidas, a primeira vez que conversamos não deu tempo para isso, só para ver o colégio.

   O sino tocou e entramos na sala já que nós dois estamos no mesmo ano. Como hoje era primeiro dia de aula, devia ter vários novatos e então o professor nos fez ir à frente da sala para nos apresentarmos. Havia apenas cinco novatos contando comigo, então não demorou muito para chegar a minha vez. Depois, o pessoal que já estudava aqui desde o ano passado apenas falaram seu nome em voz alta um por vez, mas não consegui gravar tudo de primeira na cabeça.

   Segundo o professor, nós deveríamos nos conhecer melhor, então mandou uma atividade em duplas, e eu fui com Ítalo, é claro. Depois de fazer a tal tarefa, começamos a conversar. O professor chamou nossa atenção três vezes, pois Ítalo não conseguiu conter algumas risadas. Temos seis aulas, que acabam às 12:45, horário de almoço.

   O sinal da última aula tocou, e fomos à cantina. Enquanto eu não conhecia minha companheira de quarto, eu andava apenas com Ítalo.

  — Eu estava mesmo com fome.— disse Ítalo, fazendo careta e esfregando a mão na barriga em movimentos circulares; nós rimos.

   Ao olhar os alimentos, vi que a escola permitia quase tudo. Tinha pizza, bolo, salgadinho, doces, chocolate, chocolate quente, arroz, feijão, salada... Era bem variado. Peguei o que quis, sem pensar o que era o certo de se comer num almoço. Me servi de chocolate quente e pizza, Ítalo pegou sushi e suco de laranja. Eu já conhecia todo o colégio, mas Ítalo teve que me ajudar em como ver o número de cada quarto do dormitório.

   Peguei minha chave e abri a porta. 

— Está entregue, Angie.— ele disse, encostando seu ombro na parede.

— Obrigado Ítalo. Não sei o que faria sem você.— eu disse rindo junto a ele, que se despediu com um abraço.

   Fechei a porta e percebi que estavam ali duas malas das quais a dona eu não conhecia e as minhas. Estavam realmente no meu quarto. Me perguntei como o tal homem conseguiu abrir a porta, e me passou pela cabeça que ele poderia estar na escola hoje apenas para isso.

   Abri a mala, e organizei tudo. Roupas nos armário, objetos no criado mudo, livros na estante... Tudo bem. Fiquei uns vinte minutos olhando para o teto, na esperança de minha parceira chegar logo, mas não chegou. Olhei as horas e já era uma da tarde, decidi ler um livro. Não deu tempo de ler nem cinco páginas e ouvi a porta ser aberta.

  — Espero não ter demorado muito.—falou rindo.

  — Você só pode estar de brincadeira!— ri de volta.

  — Me desculpe. Tive que dar um telefonema, e o tal demorou mais do que pensei...—ela se explicou.

  —Telefonema... Ligação... Pai!— quase gritei.

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