Um brinde ao casamento

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O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo.
Atendeu a contragosto.
Uma voz calma e doce soou um "olá" do outro lado da linha, ao ouvi-la, Beth deixou o misterioso livro cair no chão, seus olhos arregalaram.
"Será mesmo quem imagino?!", pensou a senhora, cuja face aparentava desconfiança. Sim- concluiu- era quem imaginava, Alfredo Cortês, seu ex- marido. Este, havia ligado a fim de convida-la para seu jantar de casamento.
No momento em que escutou isso, Beth gelou, afinal, ainda gostava daquele homem, mas que se deixou levar aos encantos de uma bruxa horrendo, uma tal Valentina, como mesmo falava.
Pouquíssimos dias se passaram, Beth resolveu ir ao jantar, tomou um longo banho, vestiu-se inteiramente de preto, preparou um "drink", colocou em uma garrafa refinada e saiu.
Chegando no local do jantar, entregou ao seu ex-esposo algumas flores soturnas, explicou que elas teriam um significado, porém mais para frente. Encontrou Valentina, cumprimentou-a e propôs um brinde entre elas, mas com uma bebida que ela mesma tinha preparado "com muito amor".
De repente, a casa se aquieta, raios e trovões explodem do lado de fora da mansão, Valentina cai ao chão, estava definitivamente morta.
No dia seguinte, todos foram ao seu enterro, inclusive Beth, que ao encontrar seu ex diz maliciosamente:
-Eu não disse que iria ultilizar as flores?

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